<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642</id><updated>2012-02-02T00:40:43.204-02:00</updated><category term='Crônicas'/><category term='Contos'/><category term='Artigos'/><category term='Heavy Metal: Pedras que continuam a rolar'/><category term='Comentário'/><category term='Como se faz uma banda?'/><title type='text'>Voz e Mais: Literatura, Heavy Metal e Sociedade</title><subtitle type='html'>Aqui teremos nossas prosas semanais sobre assuntos diversos: literatura, música, educação, política... Como bem diria Raulzito: "tudo que vier na cabeça".Estas prosas virão sob forma de crônicas, contos, artigos: o legal, é ter voz, e tendo voz - assim como ouvidos amigos, o "mais" é consequência.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-7829680321522501102</id><published>2012-02-01T18:17:00.000-02:00</published><updated>2012-02-01T18:17:07.968-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>"Envenenamento de animais de rua: triste realidade no Bairro Bela Vista"</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há alguns anos resido no bairro Bela Vista: lugarzinho aprazível, com uma vista de dar inveja – bem merecedor do nome.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Minha família foi a segunda a mudar-se para este conjunto de 151 casas e aqui temos ótimos vizinho – humanos e animais. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Animais, sim, porque o bairro, por motivo que ignoro, passou a concentrar certo número de cães abandonados – ao redor da minha casa ficam vários: a alguns nos apegamos e as crianças da vizinhança deram nome. São muito queridos, apesar de não os podermos acolher – já possuímos nossas duas: Melissa e Pitchula. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mesmo que não sejam nossos, desde que nos mudamos – e não havia mais ninguém na nossa rua – passamos a cuidar informalmente deles: dando água e ração sempre que fôssemos tratar das nossas, que ficam presas no canil. Ás vezes, temos dois, três cães “visitantes” aguardando um tantinho de ração, o qual jamais negamos, em especial aos que não possuem dono.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Aos poucos, a rua foi ficando habitada, assim como nosso bairro – famílias ocuparam todas as casas e várias delas compartilham com meu marido e eu o carinho pelos bichos. Assim, mesmo sem dono, os cachorros estavam bem alimentados, tratados contra pulgas e eram extremamente amistosos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Alguns deles pareciam ter adotado nossa casa: ficavam por aqui, no entorno durante todo o dia e com muito carinho vinham nos receber quando chegávamos do trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É o caso da Pretinha e do Bege – os mais frequentes e mais queridos. A Pretinha, desde que nos mudamos para cá, já teve várias crias e, por sorte, conseguimos, junto com os demais vizinhos, arrumar casa para todos os pequenos. Também, eles saíam-se sempre à mãe: engraçadinhos, inteligentes, amistosos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pretinha e Bege, adotados pelas pessoas, ainda cuidavam das casas latindo estranhos que se aproximassem, mas sempre recebendo aos moradores com carinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu havia tentado que eles fossem recebidos na ONG que existe em Lafaiete e acolhe animais de rua, mas fui informada por uma de suas mantenedoras que, infelizmente, eles estavam sem espaço. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Assim, fomos levando – cuidando deles e eles sempre por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Qual não foi a minha surpresa quando, ao chegar em casa ontem, colegas de meu filho vieram avisar que o Bege estava morto – bem que havíamos estranhado sua ausência na hora da ração. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Meu marido e filho foram conferir e para nosso grande desgosto lá estava ele, realmente morto, com outro cachorro – este, sem nome – ao seu lado. Seus cadáveres haviam sido jogados próximo ao campinho em que as crianças do bairro jogam futebol.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pretinha também está sumida o que nos preocupa e entristece.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Qual a conclusão óbvia? Veneno, é claro. Desde que nos mudamos contabilizei sete animais mortos, dentre gatos e cachorros.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É importante dizer que não sou dos “ecochatos” nem daqueles que tratam os animais como se fossem humanos. Não tenho a menor dor na consciência de consumir carne advinda de matadouros legais – não me vejo na obrigação de ser vegetariana porque amo os bichos. Entendo sua função social e alimentar, afinal, evolutivamente nem mesmo superamos o consumo de carne, precisamos dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Entretanto a crueldade com os animais me revolta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Chega a me doer o estômago quando penso na dor sentida pelos meus amiguinhos de quatro patas quando mortos de tal maneira bárbara.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É óbvio que liguei para a polícia – envenenar animais é crime ambiental, está na Lei – mas fui obrigada a aceder quando informada pelo 190 que pouco poderia ser feito na ausência de um suspeito e que, normalmente, a investigação não seria feita pela Polícia Civil já que trata-se de um crime “menor”. Procurando informações na internet vi que, realmente, sem alguém para apontar como suspeito, pouco se pode fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Posso entender que crimes contra humanos tenham prioridade de investigação por uma polícia que não possui contingente suficiente nem para tratar do necessário – mas, cá estou. De mãos atadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O sentimento de impotência é grande e justificado: possuímos uma lei cuja aplicação é impossível, uma vez que, mesmo que haja o envenenamento dos animais, mesmo que tal ato implique em prisão, ou, no mínimo em uma pena social, não há polícia que investigue e, portanto, não há juiz que puna.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Enquanto isso, meus amigos de quatro patas seguem morrendo. Ainda me lembro do último que se deitou no meu passeio para morrer babando, vomitando e retorcendo-se de dores.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quanto ao Bege, espero que sua morte tenha sido mais breve e menos dolorosa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quanto a quem o envenenou: já que o braço da lei não lhe alcança, só posso desejar-lhe a mesma dor que causou aos meus amigos de quatro patas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-7829680321522501102?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/7829680321522501102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=7829680321522501102&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7829680321522501102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7829680321522501102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2012/02/envenenamento-de-animais-de-rua-triste.html' title='&quot;Envenenamento de animais de rua: triste realidade no Bairro Bela Vista&quot;'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-8617525738242509941</id><published>2011-11-08T14:32:00.009-02:00</published><updated>2011-11-08T19:51:53.290-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Heavy Metal: Pedras que continuam a rolar'/><title type='text'>Paga-pau de gringo ou apenas seletivos?</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RGUwpe_vFtw"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Edu Falaschi deu uma declaração para a Rock Express que, no mínimo causou espanto nos headbangers do Brasil.&amp;nbsp;(Se você ainda não viu, deixei o link no final do texto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As opiniões foram completamente divergentes: há aqueles que apoiaram e aqueles que execraram. Eu voto na coluna do meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Polêmica a declaração? Óbvio. Cheia de verdades? Também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também, cheia de enganos e de prepotência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro engano é a classificação de Sepultura e Angra como as únicas bandas relevantes brasileiras, ou as únicas que façam metal. É querer ignorar a Overdose - que fez história: começou ao mesmo tempo que Sepultura, fez muito sucesso, mas acabou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ignorar outras também como Sarcófago que é considerada por muitos co-fundadora do Black Metal junto com o Venom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda outras que estão na ativa em Minas, que não deixam a desejar: Chakal, Witchhammer, Concreto, Cartoon (bandas que vão do rock and roll ao metal - incluindo suas vertentes como o thrash).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo engano é colocar todo o público fora do nordeste no mesmo saco. Por exemplo, em Minas, especialmente na cidade onde moro (Conselheiro Lafaiete), há festivais e eventos que prestigiam bandas locais e do cenário metal nacional, com público que beira 400 pessoas em, pelo menos, 3 edições anuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se o público de algumas cidades não está satisfatório, ou não prestigia ou não vai a eventos e shows, o artista deve abrir os olhos para outros públicos, de outras localidades, de outros estados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma das bandas - seja de Minas, seja de fora, que tocou nos festivais organizados pela Sabazinho Produções tem o que reclamar do nosso público de Lafaiete e região, por exemplo. Aqui, prestigiamos as bandas que gostamos, vamos a seus shows, compramos seus CDs originais, suas camisas e ajudamos a sustentar a sua arte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda o Camping Rock, evento que ocorre todo ano, há mais de década, sempre em uma cidade interiorana próxima à capital durante o qual cerca de 2.000 pessoas acampam ao longo ou do feriado prolongado do 1º de maio, ou do Corpus Christi. Durante quatro dias curtimos shows de bandas de várias vertentes do rock and roll - vê-se de tudo lá: Metal, Thrash, Rock, Folk, Prog - uma salada deliciosa e de público cativo. Não esqueçamos o Roça in Roll em Varginha - outro festival de público vasto e que comprova que existe sim, Metal em outros locais que não no eixo Rio-São Paulo, tão prestigiado e favorecido pelas produtoras e organizadoras de shows - sejam eles nacionais ou internacionais. Então, público há - estamos sempre lá: nos divertindo, mas também comprando, gastando e ajudando a sustentar o nome do Metal e do Rock and Roll brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, é claro que também vamos aos shows internacionais - são músicos que amamos desde pequenos como AC/DC, Judas Priest, etc. Isto não faz a mim nem ao pessoal daqui preconceituoso e nem paga-pau de gringo. Simplesmente vamos aos shows de quem gostamos - seja de fora, seja do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, há que se dizer que é uma grande verdade o fato de que a música passa por um momento de transição onde artistas de todos os estilos passam por dificuldades. E que, realmente, a contra-partida de o artista oferecer trabalho de qualidade é o público sustentá-lo pagando por sua arte - seja em shows ou na forma de CDs, DVDs, etc. Aí, chega-se no impasse do gosto pessoal - afinal, eu pago por aquilo que gosto e nada mais. Assim, se o Angra ou Almah, ou mesmo as bandas que citei, das quais gosto muitíssimo, deixarem de me oferecer o som que me agrada - não precisa me esperar no show e nem contar que eu vá comprar seus CDs (sendo o oposto também verdade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe é a questão da divulgação - o que eu observo é que, ao contrário do que acontece com as bandas estrangeiras de renome que fazem show no Brasil, que contam com produção e marketing excelente, a maioria das bandas nacionais de Metal ao fazerem os seus, divulgam-nos nas suas redes sociais e em determinadas cidades - quem é de fora, nem fica sabendo. E se fica, é só depois que já passou. Assim, é realmente impossível alcançar a lotação desejada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se o público de determinados lugares não comparece, me pergunto: por que insistir em fazer shows onde as pessoas não querem comparecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, se o Edu ou qualquer outro ou qualquer banda que tocou em festivais ou eventos sem público, ou com público de 100 pessoas, como ele mencionou, venha tocar em Minas, mais especificamente em Lafaiete - nós aqui, com o pessoal da região, oferecemos público fiel e, pelo menos, 4 vezes maior que isto. Venham tocar no Rising Metal Fest, no Heavy Fest ou no Metal Age. Em Viçosa também há o Viçosa Metal Fest, que também conta com público maior do que o comentado pelo cantor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público de Minas é fiel e prestigia: é bom lembrar que o estado, mais especificamente Belo Horizonte, é considerado o berço do Metal no Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prestigiamos, sim - mas, desde que o som oferecido esteja a altura, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rockexpress.wordpress.com/2011/11/07/a-declaracao-mais-polemica-de-edu-falaschi/" target="_blank"&gt;Rock Express: declaração de Edu Falaschi&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-8617525738242509941?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/8617525738242509941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=8617525738242509941&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8617525738242509941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8617525738242509941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2011/11/paga-pau-de-gringo-ou-apenas-seletivos.html' title='Paga-pau de gringo ou apenas seletivos?'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-1508350324804152421</id><published>2011-11-01T15:25:00.001-02:00</published><updated>2011-11-01T15:26:46.350-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Os menores e os crimes: onde tudo começa?</title><content type='html'>Há certas situações que fazem com que paremos e reflitamos – isso deveria ser o normal para qualquer profissional, mas, em especial para aqueles envolvidos na educação, como eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ontem eu me deparei com um desses fatos – importante tanto pela gravidade quanto pela repetência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu em uma das muitas escolas onde dou aula. Havia acabado de colocar meus alunos para dentro de sala após o recreio quando algumas das meninas começaram a sair novamente para o corredor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair para encaminhá-las novamente para a sala, elas gritaram “briga, briga!” apontando para uma sala vizinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, corri até lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente me critica quando eu entro para separar briga dos alunos, especialmente quando eles são grandes, no final da adolescência como aqueles – mas nem penso. Para mim é impossível, impensável ver os meninos se digladiando e cruzar os braços aguardando não sei o quê ou não sei quem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora em que cheguei à porta, dois rapazes, quase homens, trocavam murros no rosto – golpes que até estalavam. A professora, minha colega, estava apavorada, gritando, por não poder sair e pedir auxílio – eles estavam barrando a porta. As meninas, alunas, também gritavam do lado de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ela bradava “Parem, parem!” alguns dos meninos observavam, mas não interferiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a briga era horrível – algo realmente animalesco. Socos e golpes para todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem demora, agarrei um dos meninos, o que estava mais perto, e o puxei gritando para que ele parasse. Quando um dos alunos viu que eu havia entrado na briga, também começou a apartar puxando o outro rapaz na direção contrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguimos separar a briga e eu desci com um dos meninos, que me acompanhou, apesar de extremamente nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, encontrei o outro e também o encaminhei ao diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pude observar conversando com os alunos e com outros colegas é que as reações a estes acontecimentos são múltiplas: há aqueles que ficam excitados, fomentando mais brigas; há aqueles que ficam constrangidos; outros com medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, fico triste. Muito muito triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda mais se eu disser que um dos envolvidos na briga já havia se envolvido em outro acontecimento semelhante, alguns meses atrás. Outra briga, a qual eu também separei em conjunto com uma colega professora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também pensativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o acontecimento, como eu havia ajudado a separar duas brigas de socos da mesma sala, pedi ao diretor que me permitisse conversar com os meninos e o colega professor me cedeu o horário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oras, como eu, profissional da educação, poderia presenciar não apenas um, mas dois acontecimentos como aquele e me omitir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que a direção tomou todas as providências: convocou pais, encaminhou os alunos para orientação, etc, enfim, tudo ao alcance da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu, pessoalmente, estava por demais incomodada para ficar calada. Enquanto caminhava de volta para minha sala, fui pensando: O que falta? Onde está o erro? Por que o acontecimento se repetiu? O que se pode fazer para que não se repita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, corriam pela minha mente tantas reportagens de jornal que contavam sobre menores criminosos que cometiam atos impensáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a pergunta fundamental que apareceu na minha cabeça foi: o que separa estes meus alunos das manchetes de jornal? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque aqueles meninos do jornal são filhos de alguém, já foram crianças, estudaram em algum lugar. Viveram, influenciaram e foram influenciados. Será que, em algum momento, algo deixou de ser dito ou feito que poderia ter-lhes mostrado que existiam outras escolhas que não aquelas que lhes conduziram ao mundo do crime? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi pensando assim que decidi conversar com a sala. Obviamente, não estavam lá os brigões, apenas os outros colegas, cerca de 10.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, confesso, ao olhar para eles, fiquei de coração apertado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha frente, assentados, eu não enxergava ladrões, meninos de gangue, traficantes, prostitutas – não! Via apenas &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;meus queridos alunos&lt;/span&gt; – não dou aula para eles, mas eles estudam em uma escola onde leciono, são meus alunos, portanto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observava-os ali, advindos de um meio carente, de famílias com problemas, estudantes de uma escola pública como eu fui, e que estavam de frente, muito possivelmente, para as mesmas escolhas que aqueles menores infratores tiveram em algum momento de suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que meu olhar poderia ser outro. É claro que eu poderia ver o embrião da criminalidade em franco progresso – e a verdade é que é assim que eles são vistos por muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não foi assim que os vi e não é assim que os vejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De frente para eles, eu tive algumas certezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro: se algum dia eu visse os meus alunos desta maneira deformada, como criminosos em formação, este seria o dia em que eu abandonaria a educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo: eu, apesar de toda a minha descrença e falta de fé, ainda acredito no ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, eu acredito que eles podem fazer escolhas diferentes das que conduzem ao mundo do crime e foi baseado nesta crença que eu fundamentei minha fala, que, na verdade, foi uma reflexão durante a qual eles falaram bastante sobre si, suas vidas (extremamente complicadas) e, principalmente, como eles mesmos poderiam ser agentes de novas soluções para seus conflitos – sem brigas, sem violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que algo ficou na mente deles? Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero crer que sim – e que, de alguma forma a escola possa contribuir com um futuro para eles, longe das manchetes policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, não quero sustentar e nem dar subsídio a uma lei, como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que possui inúmeros pontos positivos, que, de fato, protegem a criança, mas que, por outro lado, em consonância com a tal maioridade criminal e civil aos 18 anos permite que criminosos menores de idade fiquem livres para roubar, matar, estuprar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu disse, acredito no ser humano, enquanto espécie. Assim, acredito que a boa formação ajuda a construir o caráter e que mesmo a recuperação de criminosos é possível se estiverem envolvidos aspectos como o trabalho e a educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, a recuperação a que me refiro aqui não passa ao largo da punição justa por crimes. Ela anda em consonância com ela – sejam os criminosos menores ou maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que na verdade eu espero, é que meus queridos alunos daquela sala possam observar estas discussões como expectadores – jamais como atores principais de alguma tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este é um dos motivos pelos quais continuo na educação e pretendo ficar por muitos e muitos anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-1508350324804152421?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/1508350324804152421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=1508350324804152421&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/1508350324804152421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/1508350324804152421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2011/11/os-menores-e-os-crimes-onde-tudo-comeca.html' title='Os menores e os crimes: onde tudo começa?'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-6419581681752202138</id><published>2011-10-01T11:45:00.003-03:00</published><updated>2011-10-04T13:09:55.105-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Heavy Metal: Pedras que continuam a rolar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Cláudia Leitte e o Rock in Rio</title><content type='html'>Há um tempo devido às correrias deixei meu blog esquecido – vida de professor não é fácil, apesar de que dizer isto, é chover no molhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, senti a coceirinha nos dedos e o chamado do teclado de maneira irrevogável essa semana quando li os infelizes comentários de Cláudia Leitte, os quais ela fez movida pelas vaias que recebeu após sua apresentação no Rock in Rio – que há muito foi descaracterizado e que, na minha opinião, deveria ser chamado de Pop in Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de basear minhas opiniões no disse-me-disse, então corri ao blog da cantora para ler, por mim mesma, o que ela havia escrito – além de consultar vários comentários, posts e etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá, em seu blog, ela fala que quem a vaiou foram fãs de John Coltrane, Metallica e Led Zeppelin que, supostamente, se sentiriam superiores a quem gosta de Axé e por isso manifestaram-se contra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, gostaria de lembrar que no dia da apresentação da mencionada cantora na programação constava Paralamas do Sucesso, Titãs, Milton Nascimento, Maria Gadu e outros – nenhum deles artista de Heavy ou Thrash Metal – como Led Zeppelin ou Metallica. Também não se apresentou nenhum artista de Jazz, como John Coltrane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, obviamente, ela foi vaiada por quem, no máximo, curte Pop-rock e MPB, já que os aficionados ao som mais pesado estavam presentes no Domingo, diga-se de passagem, dia de maior venda de ingressos do evento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero dizer que se houvesse ali banda pesada naquele mesmo dia os headbangers não teriam participado da vaia – a questão é que, por justiça, não se pode acusar todo um segmento de participar de uma manifestação se este segmento, no caso os headbangers, simplesmente não estava representado em tal manifestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem é do movimento Heavy Metal e participa de seus eventos e conhece o estilo sabe que bangers não se dariam ao trabalho de estar na frente de um palco, no meio do aperto da multidão, característica de qualquer show grande, para ver bandas que não curte – o caso das mencionadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E olha que não estou nem discutindo música! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, se começar a fazê-lo, eu, que tenho uma banda por diversão, mas conheço pessoas que vivem de música, sei que um show de Heavy Metal, mesmo que cover, não se prepara de um dia para o outro. O contrário do que se pode dizer do Axé e da maioria dos Pop-Rocks que se vê por aí, uma vez que já vi músicos da noite preparando set de 40, 50 músicas, sob pedido, de uma semana para outra – e sendo super aplaudidos e recomendados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que eles podem fazer isto? A resposta é a mais óbvia: estes estilos exigem menos dos músicos com relação à preparação e conhecimento do instrumento já que são muito mais simples, com linhas melódicas óbvias e repetitivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem trabalha com música sabe – e creio mesmo que a própria Cláudia Leitte saiba, afinal já foi cantora da noite – que o afirmado por mim é verdade. Se defender o contrário bato o desafio com quem quiser: gaste duas semanas da sua vida e tente preparar ao longo da primeira apresentação de 2 ou 3 horas, como é comum na noite, de Axé e Pop. Depois, na segunda tente fazer o mesmo com Heavy ou Thrash Metal e veja qual apresentação ficará pronta e qual, definitivamente, não ficará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ainda, retomando a questão do preconceito, que me ofendeu pessoalmente – porque ao acusar pessoas que gostam de Metallica e de Led Zeppelin de nazistas, ela acusa a mim, já que sou fã de ambas as bandas e de muitas outras semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra preconceito é auto-explicativa: é um conceito feito sem estudo ou cuidado, provavelmente baseado em falsas informações – porque se fosse o contrário seria conceito e não pre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, quando a cantora afirma que os headbangers a vaiaram – porque quem curte as bandas que ela mencionou somos nós, apesar de não exclusivamente – comparando-os com Hitler ela é preconceituosa já que levada, talvez pelo falso nome do evento: Rock in Rio, ela creu que fãs do estilo estariam lá se manifestando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se algum banger estava lá, de frente para o palco mundo no show da Cláudia Leitte que se manifeste, porque eu, apesar de conhecer vários que foram ao Rock in Rio no Domingo e ficaram lá, de frente para o mesmo palco, não conheço nenhum que o fizesse no dia da abertura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, o que fariam fãs de Led Zeppelin ou Metallica e mais John Coltrane lá, assistindo Pop-rock e Axé? Só mesmo alguém que baseia suas opiniões no disse-me-disse e não nos fatos poderia falar uma asneira dessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais – ela diz que a batemos palma para quem nos mostra a bunda – afirmo-lhe Cláudia Leitte: prefiro antes de tudo a bunda do Angus Young (pelada ou com a bandeirinha do Brasil) do que a sua “música”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E digo mais: no dia em que ela fizer uma música que dure 20, 30 anos como os músicos que ela citou, e não apenas um verão como as de Axé, eu calo minha boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação ao comentário de Rita Lee, que disse que "cantar em ninho alheio não é coisa pra maricas" concordo plenamente - mas que se aguente as consequências quando, nem mesmo quem gosta de estilos menos exigentes musicalmente, que estavam presentes na hora da apresentação da cantora, suporta sua música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* PS: Não tenho nada contra quem goste de Axé ou Pop-rock, nem qualquer estilo de música – cada um gasta seu dinheiro com a porcaria que lhe apetece. Eu mesma gosto de algumas farofas. Mas não me venha ofender que a resposta vem sem demora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-6419581681752202138?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/6419581681752202138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=6419581681752202138&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/6419581681752202138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/6419581681752202138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2011/10/claudia-leitte-e-o-rock-in-rio.html' title='Cláudia Leitte e o Rock in Rio'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-7752292870832972600</id><published>2010-05-29T09:46:00.002-03:00</published><updated>2010-05-29T09:58:47.326-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Como se faz uma banda?'/><title type='text'>Sobre a organização dos ensaios, equipamento e patrocínio</title><content type='html'>Elementos escolhidos é hora de marcar o ensaio: segundo a disponibilidade do pessoal, agende, pelo menos, uma vez por semana. E, toda semana, já que vocês ainda estão montando repertório, selecionem uma ou mais músicas e serem tiradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o estilo definido, é fácil – há inúmeras bandas de qualidade por ai. Hoje com a internet, ficou ainda melhor: pesquisando na rede você certamente encontrará tudo o que precisa. Escolham bem e, para iniciar, ensaiem os medalhões: não há público que não se delicie com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conselho: se vocês pretendem fazer músicas, não deixem de variar as bandas cujas composições vocês tocarão, senão, você vai ter o desprazer de concluir que, ao gravar uma música sua, ela ficou igualzinha às músicas da banda da qual vocês fazem cover. Lembre-se: ser influenciado por grandes nomes é algo extremamente positivo, mas plagiar um estilo é decepcionante – tanto para você, quanto para aqueles que gostam da sua banda. Assim, toquem várias bandas, mas, principalmente, escutem várias bandas, várias épocas da mesma banda, etc. Dê elementos para o seu cérebro trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora de escolher as músicas, o que sempre funcionou na Achilles foi e continua sendo: cada membro escolhe uma música, dentro do estilo que é o Heavy Metal Tradicional, e ninguém questiona. Colocamos as músicas na ordem em que devem ser tiradas e pronto, no próximo ensaio temos o que tocar porque, mesmo que alguém agarre em alguma, a possibilidade de que todos tirem aproximadamente as mesmas músicas é maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Achilles somos bem democráticos: votamos para decidir tudo em que não há consenso e todos acatam a decisão da maioria, quer gostem dela ou não. Como todos queremos o bem da banda, obviamente, não existe sabotagem quando a sua opinião é preterida em prol da opinião de outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando com o mínimo de repertório pronto,por volta de seis músicas que vão garantir cerca de 30 minutos, comece a receber os amigos em ensaios: convide alguns que você sabe que estão envolvidos com o movimento. Faça churrascos colaborativos. Se você já ouviu falar em &lt;em&gt;networking&lt;/em&gt; sabe do que eu estou falando: é aquela rede de conhecidos que podem ser úteis a você em algum momento de sua vida profissional. O mesmo se aplica perfeitamente à sua banda: então, cultive amizades tanto com quem gosta de ouvir seu estilo quanto com quem organiza festivais e eventos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em festivais, toda banda começa tocando neles. Ali você tem sempre cerca de 50 minutos. Para preenchê-los você precisará de aproximadamente 10 músicas, assim, nada de se aventurar e querer tocar antes de ter tudo bem ensaiado e aproveitando bem o tempo. Porém, não é qualquer convite que você deve aceitar: algumas perguntinhas que devem ser feitas aos organizadores: quantas bandas vão tocar? (Se forem mais de seis, é preferível pensar duas vezes). Qual será a posição da sua banda? (Quanto mais para o fim, mais agitado tem que ser seu repertório ou o público vai dormir – ou pior: simplesmente vai embora). Como será o som? (não espere maravilhas, mas, faça a pergunta pelo menos para saber se vocês optarão por usar o som da casa ou preferirão levar o equipamento de vocês). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, também, não seja exigente demais: a cena underground é carente de dinheiro – então estabeleça como padrão o mínimo possível: falantes para as guitarras, para o baixo, em separado e microfones para a as peças da bateria (se o local for maior). Se for pequeno, um microfone no bumbo quebra o galho (não fica grandes coisas, mas “dá pro gasto”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a Achilles, muitas vezes, quando o local é menor e o som é ruim, preferimos usar nosso próprio equipamento. Se o local é grande, os meninos, especialmente os guitarristas, preferem tocar nas caixas deles que têm o som captado por microfones e então amplificado pelas caixas do local. O Sandinho (bt) tem que levar parte do seu material (pratos, caixa, pedal de bumbo e máquina de chimbal)e o Mário (bx) decide de acordo com o que a casa oferece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se esqueça de começar a apresentação por uma música pequena: ela é sua chance de verificar o som e acertar os detalhes com quem está na mesa já que, normalmente, em festivais, quem passa o som é apenas a primeira banda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre ressaltando: em bandas de metal é inaceitável que o vocalista faça show com a letra – lembrem-se que vocês não são banda de baile: letras devem estar bem decoradas (ou, se você tiver grana, monte um ponto eletrônico, mas jamais, em hipótese alguma, leve as letras e coloque na sua frente, para todo mundo ver). É claro que, se você quiser colocar um lembrete no papel onde vai escrito o repertório, tudo bem, mas nada mais que um lembrete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que você vai descobrir logo é que banda é hobby dispendioso: equipamento, de uma maneira geral, é bem caro. E, infelizmente, seu som, por mais ensaiado que esteja, não vai realçar se for tocado em equipamento ruim. Então, na hora de comprar, dirija-se a um lugar de confiança onde pessoas que realmente entendam do assunto vão lhe passar instruções e recomendar itens baseado no que você quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, quando fui comprar as minhas caixas, eu tinha em mente que queria algo que desse para ensaios e shows menores, com uma potência mínima de 150W rms (aí você percebe a importância de prestar atenção às aulas de física – e quanto mais entender de seu equipamento, mais vai desejar ter estado mais atento). Sabia quais marcas eu não queria, e, ao mesmo tempo, sabia algumas marcas possíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei para inúmeras lojas, pesquisei na internet, estive pessoalmente em várias lojas. Acabei optando por comprar em Conselheiro Lafaiete mesmo, onde consegui negociar bom preço na loja do Juliano (tendo como base os milhares de orçamento que eu havia feito). Lá, ele me indicou uma marca que eu, a princípio não conhecia: a Soundbox. Pesquisei mais e aceitei a recomendação dele – e não me arrependi: minhas caixas são excelentes e servem exatamente para o que eu queria (apesar da “falta de educação” de alguns outros membros da banda que compraram falantes bem mais potentes e que gostam de tocar no talo). Hoje, segundo o mesmo Juliano, a Soudbox já não está tão boa devido a mudanças na estrutura interna da caixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a bateria do Sandinho foi a mesma coisa – mas esta, compramos em BH. O preço em Lafaiete era impraticável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é: Escolha bem seu equipamento para ter que comprar uma vez só!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, com o gasto de equipamento e de transporte: não se iluda – para tocar fora de sua cidade o que é normalmente oferecido é uma porcentagem sobre a entrada – você vai se sentir mais confortável se conseguir patrocínio para o transporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conseguir o tal patrocínio, monte um projeto bonito, bem escrito, com muitas fotos, recortes de jornal mencionando sua banda (se já houver algum) e leve à Secretaria de Cultura da sua cidade ou a lojas e empresas que se interessem em contribuir, especialmente visando os benefícios da Lei Rouanet (Se você não conhece essa lei, dê uma olhada, compensa porque lhe fornece argumentos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora fala a verdade: você nem imaginava que ter uma banda poderia representar tanto trabalho, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mês finalizo a coluna mais feliz: após anos de espera, no mês de maio o Manowar, os auto-proclamados reis do metal (alcunha com a qual concordo), vai fazer show em BH – no dia 09. Advinha quem estará lá?????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, vamos às influências: escute o CD &lt;em&gt;Capturados ao vivo &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;Patrulha do Espaço&lt;/em&gt;). Nele você verá o que é competência no palco. Escute ainda &lt;em&gt;Keeper of the Seven Keys &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;Helloween&lt;/em&gt;) além do &lt;em&gt;III&lt;/em&gt; e do &lt;em&gt;IV&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Led Zeppelin&lt;/em&gt;).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-7752292870832972600?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/7752292870832972600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=7752292870832972600&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7752292870832972600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7752292870832972600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2010/05/sobre-organizacao-dos-ensaios.html' title='Sobre a organização dos ensaios, equipamento e patrocínio'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-2019588079777574151</id><published>2010-04-29T12:20:00.002-03:00</published><updated>2010-04-29T12:29:12.651-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>A inocência em meio ao horror</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Publicado no jornal &lt;em&gt;Conhece-te a ti mesmo&lt;/em&gt;. Março/2010&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes me decepcionei quando me arrisquei a ler livros ou a assistir filmes que são sucesso de crítica ou que todos estejam comentando. Fico meio “cabreira” só de perceber que o livro está na lista dos mais vendidos – muitas e muitas vezes pude observar que o fato de que a obra ali esteja não equivale a um atestado de boa literatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o livro virou filme, então, tenho verdadeiro terror tantas as vezes em que livros sem tempero que falam de lugares comuns tornaram-se filmes insossos que tratam dos mesmos lugares comuns. (Obviamente há exceções – &lt;em&gt;O senhor dos Anéis&lt;/em&gt;, por exemplo, considero uma delas – livro excelente, filme idem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mesmo assim, quando &lt;em&gt;O menino de pijama listrado &lt;/em&gt;caiu em minhas mãos, pelo fato de uma amiga o estar lendo com interesse, tive minha curiosidade despertada. Acresça-se a isto o fato de o livro ser fininho – leitura para apenas algumas horas, quando muito – e vê-se porque pensei “Vou lê-lo. Se for ruim, não terei desperdiçado tanto tempo assim...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual não foi a minha surpresa quando me vi absolutamente envolvida pela vida de Bruno, uma personagem ficcional de nove anos muito bem desenvolvida por seu autor John Boyne. Isso posso afirmar peremptoriamente – meu menino, o Achilles, tem 9 anos e é interessante como o pequeno da Literatura se assemelha a ele em sua compreensão de mundo limitada pela inexperiência e por seu olhar infantil – que não é simplista, mas apenas isto: infantil. Obviamente, tem-se que levar em conta as diferenças temporais e sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estória passa-se na Alemanha, na década de 40 do século passado. Bruno é alemão, tem uma irmã e vive com sua família. Seu pai é um oficial da polícia daquele país – e tem contato direto com um certo Fúria, que até mesmo o promove por seus bons serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança é a narradora da estória e vemos tudo de acordo com seus olhos e com sua percepção. Este é um deslumbramento para o leitor, já que o hábito é que, mesmo quando o enredo possui personagens infantis, a visão destes é, normalmente, uma emulação da visão adulta, como algo caricato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta obra, não. É sempre Bruno quem nos descreve tudo de acordo com sua visão de criança pequena, instruída e protegida pelos pais de quaisquer más notícias ou fatos que julguem que ela não é capaz de compreender – como é o normal que aconteça em qualquer família. Seu vocabulário limitado é um ótimo exemplo disto – assim como as frases curtas e objetivas, tão características desta idade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, por exemplo, quando o Fúria (cujo nome Bruno não pronuncia corretamente) vai à sua casa para jantar, é descrito como um homem baixinho, de bigode pequeno e que comporta-se muito muito mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de que Bruno pronuncie incorretamente, principalmente duas palavras: Fúria e Haja Vista – o local para onde toda a família é transferida após o jantar com o convidado mal-educado  - também deixa o leitor atento aos detalhes de forma a decifrar quais seriam estes nomes, já que usando a percepção de adulto para interpretar a narração de Bruno vê-se que, os fatos envolvidos, na verdade, são os passados ao longo da Segunda Guerra Mundial. Aqui também é bom ressaltar o bom trabalho do tradutor, no caso do que li, Augusto Pacheco Calil, na escolha das expressões que, em Português, teriam o mesmo efeito causado pelas palavras escolhidas pelo autor: a versão de “Out-With” para “Haja-Vista” foi uma escolha interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mesmo assim, talvez estes ainda não sejam os fatos ficcionais que absorvi como sendo os mais interessantes – são apenas o pano de fundo, extremamente bem elaborado pelo autor – que funcionam como embasamento para o desenvolvimento do enredo, que na verdade, tem sua parte principal desenvolvida em Haja-Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, Bruno vê pessoas isoladas por uma enorme cerca e justo pelo fato de ser uma criança poupada pela família, não compreende exatamente o que elas estejam fazendo lá e porque ele não pode brincar com as crianças do local e tem que ficar sempre sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quando ele conhece o menino do título da estória – Shmuel, seu único amigo que está preso do outro lado da cerca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali começa a parte principal do enredo que envolve ciúme, ganância, preconceito, relações familiares complicadas – todas palavras e expressões sisudas, adultas que jamais são mencionadas no livro – mas que são perfeitamente inferidas pelo leitor que tem sua curiosidade aguçada pela forma como é tecida a trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de Bruno ignorar o que está acontecendo do outro lado da cerca foi fortemente criticado por alguns da comunidade judaica – assim como o fato de Shmuel – uma criança pequena viver naquele campo específico. Mas, devemos nos lembrar que este trata-se de relato ficcional onde o autor pretende defender que questões como o preconceito são aprendidas ao longo da vida – e não inerentes. No meu caso, não me impediu de enxergar verossimilhança na estória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, posso dizer, este é um livro que andou freqüentando listas de mais vendidos, sim. Também virou filme, claro. Criou expectativas grandes por isso, mas que, de maneira alguma, mostrou-se decepcionante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário! Por sua singeleza cava feridas na nossa pele e no nosso coração quando vemos que, de fato, o homem é ainda seu pior predador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-2019588079777574151?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/2019588079777574151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=2019588079777574151&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2019588079777574151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2019588079777574151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2010/04/inocencia-em-meio-ao-horror.html' title='A inocência em meio ao horror'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-5631426414706135395</id><published>2010-04-05T18:54:00.004-03:00</published><updated>2010-04-08T08:23:37.954-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sobre o aborto e o direito da escolha</title><content type='html'>O meu posicionamento com relação ao ser-feminino assim como em relação às questões de independência do dito “sexo frágil” já são notórias – mas, sinto ser importante começar este texto esclarecendo isto: que sim, sou feminista. Sim, defendo o direito de igualdade dos sexos, nos campos em que isto é possível: educação, salário, desenvolvimento intelectual, direitos civis, etc. Ao mesmo tempo, não sou o tipo tacanho que deseja bater queda de braço com homens por aí: tenho plena consciência de que, se considerando o número de músculos e o desenvolvimento natural dos mesmos em homens e mulheres, é claro que a média de força dos primeiros é maior do que a das segundas (obviamente estou desconsiderando as passistas “marombadas” e os nerds de músculos atrofiados). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, como defensora ardorosa dos direitos femininos, não poderia deixar de defender também o direito de escolha. Creio ser um direito inalienável feminino optar ou não pela gravidez – que me desculpem os desejosos de serem pais (ou de não sê-lo), mas quem aguenta fisicamente as consequências da concepção somos nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, não critico mulheres que optem por jamais serem mães ou por apenas serem mães de filhos adotados. Nem critico também àquelas que, desejosas da maternidade independente, concebem um filho – desde que estejam preparadas para educá-los e sustentá-los sozinhas. Em minha opinião é algo mais trabalhoso e infinitamente mais difícil do que fazê-lo com a companhia de um pai presente e amoroso – como é o caso do pai que escolhi para minha prole que é meu grande amigo e companheiro – mas não serei eu a criticá-las. É um direito delas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entende-se então que jamais criticarei o uso de quaisquer métodos anticoncepcionais que uma mulher deseje usar (jamais se esquecendo do uso da camisinha que, além da gravidez, previne ainda doenças). E há um número imenso deles: os muitos tipos de pílula, diafragma, os vários tipos de DIU, laqueadura, camisinha feminina, substâncias espermicidas – há para todos os gostos e necessidades: se você não se adapta a um há vários outros dentre os quais escolher. Sem esquecer ainda da pílula do dia seguinte – a qual eu cria micro-abortiva, mas que, segundo reportagem recente da &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, apenas impede a concepção pelo método tradicional: impedindo que o espermatozóide alcance o óvulo e não impedindo a nidação, ou seja, a fixação do óvulo fecundado no útero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se que, realmente, defendo o direito da escolha da mulher: que ela deve ser a única a arbitrar sobre o seu próprio corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí, chega-se a um ponto crucial: a questão do “próprio corpo”. Onde termina o direito da mulher e inicia-se o direito daquele a quem ela está gerando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que pensemos sobre o que vem a ser esta diferença, faço algumas perguntas: teria eu o direito de arbitrar sobre a vida de meu filho de 10 anos? E se ele estivesse com 5 anos? 1 ano? 6 meses? 1 dia de nascido? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não! Não é porque ele nasceu de mim que posso matá-lo a meu desejo. Afinal, não posso nem mesmo matar a mim mesma e querer que isto seja considerado “normal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, é importante que se ressalte que a diferença entre um nascimento e um aborto pode ser de apenas um dia. Em um dia é-se uma feto de seis meses no outro é-se um bebê prematuro para cuja sobrevivência lutam toda a família e equipe médica – como vi acontecer em minha família. Este um dia que separa um nascimento de um aborto faria com que eu tivesse o direito de matar meu filho um dia antes de seu nascimento, mas não um dia depois – se eu defendo o direito feminino da escolha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lhe soa como uma contradição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que a maneira como o aborto é defendido hoje em dia, ou até mesmo permitido em certos países, é delimitada pelo tempo de gestação tendo-o como fator primordial para o desenvolvimento do processo abortivo. Se um determinado número de semanas for atingido, o aborto não será mais possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: considera-se humano o feto com determinado número de semanas ao passo que se considera um apêndice do corpo feminino o feto abaixo daquele número de semanas. A quantificação de semanas dependerá do defendido pela pessoa ou por aquele governo: o passo inicial da vida estaria entre o primeiro batimento cardíaco ou a formação do sistema nervoso central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, eu pergunto, o que faz realmente a vida de um humano? O que constitui esta espécie? O que me diferencia dos demais primatas? O que determina minhas características físicas, inclusive minha predisposição a determinadas doenças e não a outras, enfim tudo o que sou enquanto individuo pertencente à minha espécie? O que me faz ser quem sou e não minha irmã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento científico vai responder com segurança: o DNA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando é formado o DNA? Na concepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, desde o momento primeiro da junção dos cromossomos presentes no óvulo e no espermatozóide tem-se presente o elemento único, o diferenciador que faz com que sejamos identificados como indivíduos, únicos, mas ainda assim pertencentes à espécie humana. Estão ali presentes todos os elementos que produzirão a vida humana independente – o adulto. Este diferenciador, inclusive, diz que eu não sou minha mãe – muito menos um apêndice preso a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a fecundação minha característica genética está perfeitamente estabelecida e delimitada e, apesar de ainda depender do corpo feminino para me desenvolver por aproximadamente 40 semanas, sou indiscutivelmente um novo indivíduo pertencente à espécie humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, então, quer dizer que a mulher não escolhe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrazoemos. Há algo que aprendi com meu pai: a vida é feita de escolhas – e de suas consequências. Desta forma, quando uma mulher opta por fazer sexo, ela sabe que está expondo seu corpo a várias possíveis decorrências: o prazer, as sensações, mas também às doenças e à gravidez. Todas estas são consequências da escolha de ter uma vida sexualmente ativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que se evitem os efeitos desagradáveis ou indesejados, como as DSTs ou a gravidez, os métodos são conhecidos e acessíveis. Para aquelas que não podem pagar, o governo provê programas de controle de natalidade e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis que vão desde o fornecimento de pílulas, preservativos, DIU: tudo muito fácil e muito simples – basta ir a um centro de saúde, o popular posto médico, consultar-se com um ginecologista e cadastrar-se para participar nos programas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e se, mesmo que a mulher exerça sua sexualidade de maneira consciente, preservando-se, ela ainda assim, por exemplo, contraia alguma DST, como parte da chance de erro? Não terá ela que arcar com as conseqüências e tratar-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se, como parte da mesma chance de erro ela engravidar? (Sabe-se que não há contraceptivo 100% seguro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, afirmar que o aborto solucionaria o problema é o mesmo que dizer que a destruição de um cadáver apaga um assassinato – se se eliminarem as conseqüências, o ato miraculosamente desapareceria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual seria então a opção? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor do que o aborto é ter o bebê e, em uma solução “menos pior”, dá-lo para adoção, porque, da mesma maneira que eu não arbitro sobre o direito de vida de meu filho de 10 anos, não posso fazê-lo se ele apenas possuir dias – nem mesmo se ainda estiver em processo de gestação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, considerando-se que qualquer mulher que escolhe exercer sua sexualidade sabe que a gravidez é uma possível consequência – ela não pode dizer-se desavisada, nem ter sido presa da surpresa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e quando a mulher foi vítima de um estupro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos afirmam que a defesa da manutenção desta gravidez é um erro sustentado por convicções religiosas ultrapassadas. Bem, afirmo que quem defende o aborto nestes casos é que está preso ao fanatismo religioso – mesmo que não o saiba: a lei de Talião, usada no Velho Testamento, é que reza o “olho por olho, dente por dente” – determinando ainda que os erros dos pais caiam sobre os filhos, de geração a geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você pensa o contrário, responda-me: qual a culpa do bebê concebido do erro de seu “pai”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda os que dizem que tal gravidez é impor mais sofrimento a uma mulher já exposta a um sofrimento indizível – o da violação. Sim! É um sofrimento maior – uma lembrança constante do ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, seria então melhor acrescentar a isto o peso da eliminação de uma vida isenta de culpa? Ou tomar uma decisão baseada no erro alheio? Se ela matasse o estuprador – o único culpado – estaria certa? Porque está certa então ao matar o indivíduo concebido? É realmente a melhor opção: para que se poupe uma vítima, crie-se outra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha opinião, a doação da criança ainda seria a opção mais viável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já com relação às situações em que a vida da mãe encontra-se em risco e é necessário que se opte por qual vida salvar, bem, me abstenho de falar. Não me sinto com bagagem de vida necessária para discutir ou argumentar em prol de um ou de outro – nem de julgar aqueles pobres que tiveram que decidir. O que passam é por demais cruel para que sofram mais com julgamentos alheios – minha balança não consegue pender: são duas vidas humanas em jogo, afinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto ao governo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma de suas atribuições é defender aqueles que não podem fazê-lo por si: crianças, deficientes mentais – incapazes de uma maneira geral. É seu papel, então, defender aquele indivíduo, incapaz de falar ou de se proteger, mas que, ainda assim, está marcado com o sinal da espécie humana – o seu DNA. Além, é claro, de fazer punir os que, de maneira cruel e inumana, ceifam vidas inocentes: tenham estas vidas anos, dias ou se ainda estiverem sendo gestadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, reafirmo – a mulher tem sim, o direito de escolher não conceber. O direito de arbitrar sobre seu corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, isto não lhe dá o direito de arbitrar sobre a vida alheia – mesmo que ela dependa de seu útero. Antes, ela deve saber que com os direitos, como o de exercer livremente a sua sexualidade, advêm as responsabilidades e dentre elas está arcar com as consequências de suas decisões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que, mesmo que ela não tenha escolhido – como é o caso do estupro – isto não faz com que ela possa, como uma espécie de &lt;em&gt;deus &lt;/em&gt;cruel e arbitrário, punir outros seres humanos, em especial os inocentes, com a inexistência, a morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-5631426414706135395?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/5631426414706135395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=5631426414706135395&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/5631426414706135395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/5631426414706135395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2010/04/sobre-o-aborto-e-o-direito-da-escolha.html' title='Sobre o aborto e o direito da escolha'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-1636104582313715849</id><published>2010-04-04T19:40:00.004-03:00</published><updated>2010-04-04T19:46:52.699-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Como se faz uma banda?'/><title type='text'>Parte 2: Da Escolha do Nome e Outros Detalhes Importantes</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Publicado no jornal "Conhece-te a ti mesmo" ed. abril 2010.&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Integrantes escolhidos, estilo delimitado: bem-vindo ao mundo Metal! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, qual será o nome da banda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta a esta pergunta é realmente difícil, você vai ver. Nomes legais e marcantes não andam assim dando sopa então vai demorar um tempinho até que vocês se decidam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixem de ensaiar por causa disto – comecem logo. Preferencialmente, escolham uma ou duas músicas de fácil execução para descobrir como vocês vão funcionar como grupo. Algumas sugestões: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Paranoid&lt;/span&gt; (Black Sabbath), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Back in Black&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hard as a Rock&lt;/span&gt; (AC/DC). Se a banda for de adolescentes, alguns dias – talvez dois ou três – bastam para que o pessoal dê conta do recado. Se a banda for de adultos, calcule, aproximadamente, uma música por semana – o tempo fica mais curto depois que a gente cresce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há hoje em dia, um programinha que é uma mãe para guitarristas e baixistas: o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;GuitarPro&lt;/span&gt;. Nele você consegue ver as músicas em todos os detalhes e tirar o passo-a-passo. Só não deixe de treinar também o ouvido – nem tudo que você vai querer tocar está disponível no programa, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciem os ensaios com paciência e toquem as músicas até que elas estejam bem executadas – lembre-se que, especialmente em se tratando de fãs do Metal, eles são bem chatos e detalhistas, e não vão perdoar se você dilacerar a música ou se não tocá-la apropriadamente. Preste atenção aos solos: tenha a certeza de que todos os candidatos a músicos tenham tirado suas partes corretamente  - lembre-se aidna que não apenas os guitarristas fazem solos. Se você observar bem, há passagens importantíssimas de baixo em, por exemplo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Smoke on the water &lt;/span&gt;(Deep Purple) ou em  T&lt;span style="font-style:italic;"&gt;he Immigrant Song&lt;/span&gt; (Led Zeppelin), que se não forem executadas corretamente tiram o brilho da música. E não se esqueça: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Iron Man&lt;/span&gt; não termina antes do solinho de bateria – não faça como a maioria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo em que iniciam os ensaios, discutam os possíveis nomes. Fontes comuns de inspiração são nomes de músicas, ficção, Literatura, RPG, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, a Overdose escolheu seu nome, segundo o Bozó, antigo vocalista da banda, pensando em algo que fosse impactante tanto no Brasil quanto fora dele. Já o Manowar, utilizou o nome de um cavalo de corrida – mas que também quer dizer algo próximo a navio de guerra medieval, os chamados Man-o’-war. O Blind Guardian, por exemplo, já escolheu um nome com uma temática bem RPG – temática esta que eles mantêm em suas letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, claro, fugindo do estereótipo fajuto de que banger é inculto, há ainda o Paradise Lost, cujo primeiro LP, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lost Paradise &lt;/span&gt;possui inspiração em Milton e seu óbvio &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Paraíso Perdido&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o que sempre se vê em relação aos nomes de bandas relacionadas ao Rock and roll é que são buscadas epítomes fortes, capazes de, além de sintetizar, chocar ou de transmitir em poucas palavras o espírito da banda. Não raro, há bandas que trocam de nome optando por outros mais impactantes: foi o caso do Black Sababth, que iniciou a carreira chamando-se Earth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembre-se também que se pode chocar pelo inesperado, como a brasileiríssima Azul Limão, que apesar do nome colorido, tocava metal pesadíssimo com letras falando de ocultismo. A própria banda contou em entrevistas que, às vezes, alguém os contratava considerando apenas o nome – e eles assustavam toda a platéia com seu rock pesado e altíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, o que deve ficar bem claro é que o nome é importantíssimo – escolham-no com cuidado e sem pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após a escolha, providencie a parte de divulgação – toda banda tem que ter alguém responsável por detalhes relacionados aos shows e a tornar conhecido o nome de vocês. Na Achilles quem faz isto é a Bárbara Dutra, a namorada do Ícaro, um dos nossos guitarristas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela é responsável por cuidar do contato via internet com pessoas interessadas tanto em contratar nossos shows quanto em comparecer aos nossos shows – organiza ainda especiais, quando vamos tocar fora. Cuida da nossa comunidade do Orkut e também do nosso perfil, além de resolver todas as questões que envolvem a banda: negociar camisas, confecção de bandeira, etc. Ela é, realmente, um sexto elemento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda banda precisa de alguém animado e envolvido como ela. Como disse o Paulinho Caetano, da excelente Witchhammer no documentário Ruído das Minas: o sucesso da Sepultura se deve ao fato de que eles tiveram sorte, claro, mas também trabalharam duro na divulgação do nome e trabalho da banda – coisa que outros precursores do metal brasileiro deixaram de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é sempre bom ressaltar – o importante é o que vocês fazem musicalmente – o que são capazes de tocar. Então, mesmo cuidando de uma possível “imagem” não se esqueça de que o que realmente atrai as pessoas é a música – então treine bem, incansável e persistentemente. Enquanto seus guitarristas não estiverem reclamando de bolhas de sangue, seu baixista não perder a sensibilidade nos dedos da mão esquerda e seu baterista não precisar de esparadrapo nos dedos, vocês, provavelmente, ainda estão precisando ensaiar mais. Quanto ao vocalista, se ele reclamar de qualquer dolorimento ou queimação, aí, já é caso de cuidar melhor da voz. As pregas vocais, ao contrário dos dedos, não podem desenvolver calosidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como dizia o Maestro Oliveira, regente do coral do Colégio Municipal de Belo Horizonte, do qual fiz parte por 7 anos: uma música só está suficientemente ensaiada quando, por mais que você a ame, não agüenta mais tocá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje é isso. Até a próxima coluna, dê uma reforçada nas suas influências: escute os CDs &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sign  of the Hammer &lt;/span&gt;(Manowar), D&lt;span style="font-style:italic;"&gt;irty Deeds Done Dirt Cheap&lt;/span&gt; (AC/DC), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Open the Gates &lt;/span&gt;(Manilla Road) e o brasileiríssimo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Meu Mal&lt;/span&gt; (Baranga).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-1636104582313715849?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/1636104582313715849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=1636104582313715849&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/1636104582313715849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/1636104582313715849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2010/04/parte-2-da-escolha-do-nome-e-outros.html' title='Parte 2: Da Escolha do Nome e Outros Detalhes Importantes'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-8571957340218372408</id><published>2010-03-23T10:48:00.002-03:00</published><updated>2010-03-23T11:11:14.205-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Como se faz uma banda?'/><title type='text'>Como se faz uma banda - Passo 1: a escolha dos parceiros.</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Publicado no jornal &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Conhece-te a ti mesmo"&lt;/span&gt; ed. Fevereiro 2010.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente você se decidiu: quer mesmo “brincar” de banda. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Welcome to the jungle!&lt;/span&gt; – como já diria o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Guns ‘n Roses&lt;/span&gt;. Porque é exatamente no jângal que você está entrando: terá dores de cabeça infindáveis, passará muita raiva, esperará horas sem fim por oportunidades de mostrar seu trabalho, para conversar com o dono daquele lugarzinho chinfrim que se faz de difícil – porque sim, basta a pessoa ter um palquinho de meio metro por meio metro para se sentir dono do Canecão ao saber que sua banda está querendo se apresentar por lá (obviamente, estas afirmações são generalizações e devem ser tomadas como tal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, até chegar de verdade no primeiro palco há um longo caminho que pode demorar de meses a anos. E o primeiro passo é escolher quem vai integrar a banda com você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui cabe um conselho: se aquele seu amigo que toca muito bem quer tocar com você – antes de dizer “Sim!” preste atenção a alguns detalhes: ele costuma comparecer às peladinhas marcadas com o grupo no horário, ou sempre chega atrasado ou às vezes nem vai e não se dá ao trabalho de avisar? Quando a galera marca de sair ou fazer algum programa junto, ele aparece ou é daqueles que no outro dia sempre diz que esqueceu, que não deu, que passou mal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque se você, ao responder às minhas perguntas, percebeu que esse seu amigo é bom no instrumento, mas péssimo para cumprir compromissos, não vale nem a pena convidá-lo. Lembre-se de que banda é brincadeira séria – se apenas um dos integrantes tiver o mau hábito de faltar aos ensaios e reuniões sem motivo justo, ou se ele der pouca importância aos ensaios (que devem ser freqüentes se você quer alcançar qualidade), você e os outros terão muita dor de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Achilles&lt;/span&gt;, por exemplo, ao longo dos cinco anos de sua existência, já tivemos incontáveis problemas com isto – chegando ao cúmulo de um ex-baixista “avisar” quatro dias antes que não poderia comparecer a um show! Então, prefira esperar a admitir como integrante alguém irresponsável. Pode demorar um pouco – aproveite o tempo para se aprimorar, complementar seus conhecimentos musicais que sempre podem ser expandidos (mesmo que você seja um Steve Vai) – e espere até que você consiga as pessoas certas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dado importante é lembrar-se que junto com o integrante vêm suas influências: então, se vai montar uma banda de Metal, tente encontrar gente que ame o estilo. O grande risco se você não fizer assim é a pessoa se cansar de tocar músicas que não curte -  que, ainda por cima, são de difícil execução - e resolver sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não quero dar a impressão de que você deve escolher apenas exímios músicos para integrarem a sua banda. Muito pelo contrário – é preferível que você chame alguém que seja fã do estilo escolhido, que tenha vontade, disposição e compromisso – mas que não toque nada – a alguém que toque maravilhas e que vai deixar furo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos cinco músicos da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Achilles&lt;/span&gt; hoje, dois deles aprenderam a tocar como integrantes da banda. O Ícaro já tocava guitarra quando entrou – mas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pop rock&lt;/span&gt; e  &lt;span style="font-style:italic;"&gt;new metal&lt;/span&gt; (ele procurava o Metal Tradicional, mas não sabia exatamente quais bandas pertenciam ao estilo devido à confusão de definições tão comum na mídia). E o Mário tinha um baixo, mas não tocava. O que fizemos foi marcar uma música fácil para dali a alguns dias – no caso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Paranoid&lt;/span&gt; do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Black Sabbath&lt;/span&gt; – e experimentar para ver se funcionaríamos juntos. E deu certo: quem já viu o Ícaro solando Deep Purple e o Mário tocando Iron Maiden sabe que valeu a pena esperar até que eles tirassem cada música, devagarzinho no princípio, uma por vez, até o hoje, quando todos nós continuamos estudando, é claro, mas já temos condições de tirar músicas com mais facilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao número de músicos, normalmente, eles vão três a cinco, sendo a formação tradicional das bandas de Metal dois guitarristas, um baixista, um baterista e um vocalista. A variação aí acontece de acordo com a necessidade ou com a vontade de quem está montando a banda: há bandas que, por exemplo, possuem três guitarristas – como o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lynyrd Skynyrd&lt;/span&gt; e o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Iron Maiden&lt;/span&gt; – ou apenas um como o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Manowar&lt;/span&gt;  e o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Black Sabbath&lt;/span&gt;. (Porém, há que se ter cuidado: com apenas um guitarrista tende-se a perder no peso.) Há ainda aqueles que acrescentam um tecladista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhidos os integrantes, chega a hora do “papo sério” -  delimite bem os dias e horários dos ensaios, a importância da presença de todos, prazo para que as músicas sejam tiradas, a necessidade do estudo das músicas e, importantíssimo: qual estilo vocês vão tocar. A fidelidade ao estilo é importantíssima na hora de construir o nome de vocês. É esta fidelidade que vai fazer com que pessoas comecem a acompanhar seus shows aguardando as músicas que tanto gostam – já que, provavelmente vocês começarão com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;covers&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais, como sempre digo: combinado não sai caro – se todo mundo foi avisado, ninguém poderá reclamar se vacilar e precisar “levar pito”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada esta parte chega a hora crucial – escolher o nome. É aí que “a porca torce o rabo” – de novo e não pela última vez (como diria o Tolkien). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo logo você vai descobrir que banda dá sim todos aqueles problemas mencionados no início – mas que, se você gosta mesmo de música, é uma das atividades mais recompensadoras que você pode encontrar. Sempre lembrando que “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;it’s a long way to the top if you wanna rock and roll&lt;/span&gt;” (é um longo caminho até o topo se você quer fazer rock and roll) – como já diz o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ac/Dc&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discutiremos a escolha do nome e mais alguns detalhes na próxima coluna. Até lá, registro algumas influências legais para quem vai tocar Metal: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Manowar&lt;/span&gt; (CDs &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Battle Hyms&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Into Glory Ride&lt;/span&gt;), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Iron Maiden&lt;/span&gt; (CDs &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Peace of Mind&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Killers&lt;/span&gt;), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Judas Priest&lt;/span&gt; (CDs &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Stained Class&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sad Wings of Destiny&lt;/span&gt;) e a brasileiríssima &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Overdose&lt;/span&gt;, com o seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Século XX&lt;/span&gt;. Divirtam-se e até a próxima!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-8571957340218372408?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/8571957340218372408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=8571957340218372408&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8571957340218372408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8571957340218372408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2010/03/como-se-faz-uma-banda-passo-1-escolha.html' title='Como se faz uma banda - Passo 1: a escolha dos parceiros.'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-6480237636280719194</id><published>2010-03-01T18:27:00.003-03:00</published><updated>2010-03-01T18:35:03.105-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Como se faz uma banda?'/><title type='text'>Como se faz uma banda?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Coluna publicada no jornal &lt;em&gt;"Conhece-te a ti mesmo"&lt;/em&gt;, ed. Janeiro 2010.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desde a minha época de adolescência, estive muito envolvida na cena underground, acompanhei o nascimento e ocaso de muitas bandas de rock and roll – seja de &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;thrash&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;hard&lt;/em&gt; ou do meu estilo favorito, que não é nenhum segredo, o &lt;em&gt;heavy metal&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos destes projetos, em sua maioria desenvolvidos por adolescentes, terminavam em pouco tempo sem, na maioria dos casos, terem feito sequer um show: uma apresentação que mostrasse o trabalho fruto das noites e fins de semana de ensaios em que a família, resignadamente, agüenta a barulheira dos não raro destreinados “músicos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já outras, tendo os mesmos adolescentes à frente, iniciavam-se nas garagens e de lá saiam para os palcos do mundo, como a &lt;em&gt;Overdose, &lt;/em&gt;o &lt;em&gt;Sepultura&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;Angra&lt;/em&gt; (só para citar algumas). Presenciei algumas vezes o sucesso de bandas na cidade onde nasci e passei toda a minha adolescência, Belo Horizonte, que, não por acaso, é conhecida mundialmente como a capital brasileira do Metal.  Não há que se negar que é nessa fase da vida, a adolescência, que temos realmente tempo para acompanhar ensaios de várias bandas, shows, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, antes de continuar, é importante que se esclareça que o sucesso é sempre uma questão de parâmetros – de quais planos se desejam executar quando se forma uma banda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que na adolescência todos desejam ser &lt;em&gt;rock stars&lt;/em&gt;, assim como aqueles que sonham com moda desejam estar em passarelas de Paris... Tudo é delimitado pelo sonho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, para a maioria deles é suficiente que consigam mostrar o fruto de seu esforço em palcos menores, na própria cidade onde a banda foi formada. E ainda, para outros, os quais nem todos estão mais na adolescência,  a música é um &lt;em&gt;hobby&lt;/em&gt; que serve como válvula de escape para as tensões da vida e do ambiente de trabalho – é justamente entre estes que me incluo, e estão incluídos todos da minha banda, a &lt;em&gt;Achilles&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para estes, o conceito de sucesso está tanto na satisfação pessoal quanto na repercussão positiva do trabalho entre outras pessoas, fãs do mesmo estilo. A satisfação pessoal está relacionada a tocar corretamente músicas que se ouviu e se admirou a vida toda, a maioria delas de nível difícil, no caso do &lt;em&gt;heavy metal &lt;/em&gt;que é o estilo ao qual vou me referir com freqüência, já que é o que venho acompanhando de perto há décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu sempre percebi, porém, é que quando se falam em bandas, a maioria das pessoas enxerga sempre algo amador, quase que uma brincadeira. Se a banda não está na televisão, ou se não está “bombando” no youtube, se não está fazendo dinheiro, não costuma ser encarada com seriedade pelos que cercam os candidatos a músicos. Muitas vezes, o projeto de banda não é visto com seriedade nem pelos próprios músicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário que se esclareça que esta é uma perspectiva incorreta – como a maioria dos jogos ou divertimentos em grupo, apesar do tom leve, é necessária muita seriedade, comprometimento e trabalho sério para que funcione. No caso de uma banda, funcionar significa passar da fase do “arranhar” músicas para o realmente tocá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, então, como se faz uma banda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É exatamente sobre isto que vamos falar nesta coluna: sobre todos os aspectos envolvidos em se montar uma banda, com seus amigos. Como selecionar instrumentos, programar ensaios – tudo, tendo como base a minha experiência com a minha própria banda. A &lt;em&gt;Achilles &lt;/em&gt;é minha segunda tentativa e já dura cinco anos. A primeira ficou para trás, na adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quebra, vamos falar de influências: afinal, é tendo as boas influências como base é que se conseguem “cavar” como mineradores até que se encontre um estilo próprio e se possa partir para a composição. Assim, como não poderia deixar de ser, falaremos do bom e velho metal – o estilo musical do qual fazemos cover e que tem influenciado gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, falaremos de bandas grandes, bandas pequenas, bandas que deram certo, bandas que não deram certo, de instrumentos, de viagens, de shows, de patrocínio – já temos no forno, preparadas, entrevistas com integrantes e ex-integrantes de bandas que fizeram sucesso mundial – tendo como objetivo mostrar que música, sendo ou não de brincadeira, será sempre uma coisa séria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-6480237636280719194?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/6480237636280719194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=6480237636280719194&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/6480237636280719194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/6480237636280719194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2010/03/como-se-faz-uma-banda.html' title='Como se faz uma banda?'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-2352997474259820481</id><published>2010-03-01T18:22:00.002-03:00</published><updated>2010-03-01T18:26:01.568-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>“Sobre os perigos de quando se quer proteger uma nação de si mesma”</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Publicado no jornal &lt;em&gt;"Conhece-te a ti mesmo"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O belorizontino Lucas Figueiredo tem carreira de sucesso como repórter tendo trabalhado em jornais e revistas bem conhecidos nacionalmente. Decidiu, então incursionar pelos livros, sendo que Ministério do Silêncio: a história do serviço secreto brasileiro de Washington Luís a Lula (1927-2005) é seu segundo livro, cujo subtítulo bem poderia ser substituído pelo título dessa matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tamanho dele assusta um pouco aos mais incautos (espero que não aos leitores desta coluna!) – são quase 600 páginas de texto, notas e referências históricas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“De que trata o livro então? Qual é esse ministério?” – o leitor poderia se perguntar meio assustado, pensando que o nosso distinto presidente, mesmo em seu ano final, teria criado mais uma cadeira ministerial acrescentando-a a sua quase infinita lista de colaboradores entre ministros e secretários com status de ministro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não. O título do livro remete-se à fala de um dos idealizadores do Serviço Secreto brasileiro, que o qualificou assim: como sendo um braço do governo com poderes de ministério, mas que zelaria pelo silêncio e pela manutenção do secreto enquanto protegia os interesses nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se deleita com fatos históricos vai, de fato, apreciar a leitura deste livro, já que foi fruto de pesquisa minuciosa de onde se pode compreender com clareza como e quando aconteceram as fundações – porque, segundo minha interpretação dos acontecimentos narrados pelo autor, foram pelo menos, duas – da agência de espiões brasileiros, do SFICI (Serviço Federal de Informações e Contra-informação) até a atual ABIN (Agência Brasileira de Inteligência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da leitura ainda, tem-se uma visão clara da movimentação da máquina política brasileira – de onde o jeitinho e a astúcia não estão ausentes. Um belo exemplo foi a maneira pela qual Castello Branco, ao assumir a presidência, esvaziou os poderes de um desafeto chamado Portella, muito amigo de um seu desafeto ainda maior – o futuro presidente Costa e Silva. Portella, então, chefiava o SFICI – cargo cheio de poder e glamour. Castello Branco, sem tocá-lo diretamente, esvazia todas as suas funções, mantendo-o no “poder”, sem afrontar diretamente a perigosos brios, simplesmente transferindo as funções do serviço de informações para uma nova agência: o SNI (Serviço Nacional de Informações), colocando o novo órgão sob supervisão direta da presidência da república. Um golpe de mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entende-se ainda qual o pensamento daqueles que primeiro geriram as agências de inteligência brasileiras, e por extensão, o pensamento da maioria dos políticos da época que prevalece ainda vivo entre os populistas. Segundo eles, o “povo” é visto como uma massa desprotegida, inepta e carente da orientação e cuidados paternais do Estado, sem os quais se afundaria no lodaçal da ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi com este pensamento que os generais – lembrando que os serviços de inteligência sempre foram civis, mas geridos pelo exército – passo a passo decidiram eliminar a todos aqueles que quisessem trazer ao Brasil ideologias diferentes das defendidas por eles visando a proteção do “povo” da contaminação comunista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se também como o governo americano influenciou grandemente o funcionamento da inteligência brasileira fornecendo manuais e treinamento para seus comandantes que promoveram, similarmente ao que aconteceu naquele país, uma caça às bruxas nacional, durante a qual comunistas – guerrilheiros ou não – foram expulsos do país ou, ainda pior, torturados e mortos em episódios já elucidados ou em outros ainda por se entender completamente, como a operação Marajoara, acontecida no Araguaia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário que se faça aqui um aparte – o autor pecou apenas em pequenos pontos do texto que soam panfletários. Essa característica consegue me enervar quando estou lendo algo que se identifica como sendo histórico, pois, segundo o que aprendi, relatos dessa natureza devem prezar pela neutralidade e pelo relato dos fatos. Assim, logo no começo, quase desisti da leitura quando marquei em vários lugares do texto partes com a famigerada palavra “panfletário”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelas, o autor, discretamente, defende ou parece defender, o ideário comunista afirmando, por exemplo, que Fidel Castro e Che Guevara conseguiram libertar seu povo “da elite exploradora e, de troco, humilhar os ianques tomando aquilo que lhes era mais caro – seus bens” (pág. 72).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o tom da prosa – extremamente leve e interessante do autor – seja irônico e sarcástico, em trechos como o mencionado, tem-se a impressão de que ele posiciona-se a favor de uma visão política em detrimento da outra. Isso, como já afirmado, deveria inexistir em um livro que se pressupõe factual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, é claro, continuei a leitura movida pela curiosidade – e porque não dizer: pela prosa interessante e pela pesquisa detalhada executada pelo autor – e não me arrependi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, para alguém que como eu, viveu apenas os anos finais da ditadura – e mesmo assim como criança pequena – é sempre bom manter em foco as conseqüências gravíssimas que podem advir de governos paternalistas que tomam a peito o intento de proteger a nação da própria nação – e de seus reais desejos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Periga-se descambar na ditadura, como fica bem claro pelo relato de Figueiredo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-2352997474259820481?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/2352997474259820481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=2352997474259820481&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2352997474259820481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2352997474259820481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2010/03/sobre-os-perigos-de-quando-se-quer.html' title='“Sobre os perigos de quando se quer proteger uma nação de si mesma”'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-6551556482480251328</id><published>2010-01-07T12:17:00.003-02:00</published><updated>2010-01-07T12:55:08.099-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>0,01 centavo é dinheiro?</title><content type='html'>Hoje aconteceu algo que considerei interessante para uma prosa com meus leitores e que motivou a pergunta que intitula este texto. Antes de contar a você o que houve, lhe faço a pergunta: 0,01 centavo é dinheiro? O que você acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela pratinha pequena, fabricada pela casa da moeda, realmente vale algo ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lhe ajudar a responder, lhe faço outra pergunta: se você receber de troco esta quantia, vai perguntar à pessoa no caixa “onde fica a lixeira?” e ao receber a resposta, depositará lá a tal pratinha já que ela não é dinheiro? Ou, você já tentou pagar a sua conta de luz ou água, serviços essenciais, faltando alguns centavos? Deu certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso adiantar ao leitor a minha resposta à pergunta que rege este texto: para mim, um centavo é dinheiro sim! Trabalhei por ele e ele me pertence. Inclusive, sempre me lembro que 1 real nada mais é do que 100 centavos, assim como mil reais é, nada mais nada menos, 100.000 centavos – já que o centavo é a menor parte de nosso dinheiro – fabricado com nossos impostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, exposto o raciocínio, conto o caso: dirigi-me ao supermercado Sales, em Conselheiro Lafaiete, e comprei algumas coisas. Ao chegar ao caixa, minha conta deu R$22,58, a qual paguei com R$50. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil de perceber que o meu troco seria de R$27,42. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que também pensei, caro leitor. E me pus a aguardar já que a mocinha do caixa não tinha troco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns minutos, ao chegar a pessoa com as cédulas que seriam minhas, estendi a mão para receber meus vinte e sete reais e quarenta e dois centavos – certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Errado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi R$27,40. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem nem ao menos ouvir um “posso ficar te devendo dois centavos?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já trabalhei no comércio e sei que moedas, de uma maneira geral, são difíceis de encontrar. Especialmente as menores. A de 1 centavo, então, pode ser considerada raridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, aqueles dois centavos da conta, do troco, são meus não são? Então, quem arbitra sobre o que acontece com eles seria eu, não é mesmo? Então, se eu ouvisse aquela pergunta acima, mesmo que soubesse que jamais veria o cobre dos meus centavinhos de novo, hipoteticamente, eu estaria decidindo deixá-los para o supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acontece que há duas coisas em minha personalidade que são gritantes (dentre outras mais): 1) Não gosto de que meu direito de escolha seja tirado de mim. 2) Não gosto que pessoas que não estão com a razão “posem” de ofendidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, quando a mocinha devolveu-me o dinheiro faltando, sem nenhuma justificativa, sem nenhuma explicação, imediatamente retruquei: “estão faltando dois centavos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E qual foi a resposta que recebi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pasme caro leitor, mas eu ouvi, literalmente: “não trabalhamos com um centavo... Não posso te devolver só R$27,40?” seguido de um olhar do tipo: “nossa, que cena! Por causa de dois centavos!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não me fiz de rogada – plantei-me lá e disse: “Não!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mocinha remexeu na gaveta e achou um centavo e me perguntou se não poderia me dar apenas ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É claro que não!” - me ouviu responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns segundos, magicamente, apareceu a outra moedinha e eu saí correndo para outros compromissos – já estava em cima da hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, esta não foi a primeira vez que isto aconteceu comigo neste mesmo supermercado. Eu havia me prometido procurar o PROCON das vezes anteriores, mas quem me conhece, sabe a rotina louca de trabalho a que me submeto – e adoro! Daí, acabava esquecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, adquiri o hábito de pagar apenas com cartão – há um bom tempo não ando mais com dinheiro: acho perigosamente desnecessário. Desta forma, os episódios dos 1, 2, 3 ou 4 centavos que sempre tinha que exigir no caixa do mencionado supermercado acabaram relegados ao fundo da memória até o dia de hoje, quando por uma coincidência eu resolvi pagar com dinheiro e não com cartão de débito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, mas aí você me diz, porque isso? Um centavo é mesmo pouco dinheiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, façamos juntinhos uma conta: imaginemos que das centenas de pessoas que passam pelos caixas deste supermercado diariamente, um dos maiores da cidade, o supermercado “fique devendo” os mesmos dois centavos, que a moça não queria me dar de troco, a cem pessoas – considerando-se o número de vezes que aconteceu comigo, com funcionários diferentes, só posso concluir que seja a instrução que eles recebem de seus gerentes. Ao final do dia, o supermercado estaria devendo dois reais a seus clientes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final de sete dias, R$14 reais. Ao final de um mês, R$60. Ao final de um ano R$720.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, já não parece tão pouco, não é fato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que essa quantia, ao longo de um ano, é irrisória considerando-se o lucro de um supermercado daquele tamanho. Mas, no meu bolso, faz muita diferença!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais: suponhamos que eu vá àquele estabelecimento três vezes por semana – será que, ao final do ano, quando o supermercado estará me devendo cerca de R$2,88, eu poderei entrar e pegar alguma mercadoria no mesmo valor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu não posso, o supermercado está, de fato, me “devendo” ou me roubando quando instrui aos seus funcionários a não dar trocos inferiores a R$0,05? (Obviamente, estou concluindo que é essa a instrução pelo procedimento repetido por diferentes funcionários, em diferentes situações.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro, que estou levando esta linha de raciocínio pelo simples bom senso: o dinheiro deve ser dado de troco a quem é de direito, não importa qual a quantia. Qualquer outra manobra constitui roubo. Conseguimos chegar a esta conclusão apenas pela lógica, pela ética. Nem é necessário mencionar o Código de Defesa do Consumidor que em seus artigos 30 e 39 deixa bem claro que o consumidor deve pagar apenas pelo que consumiu, pagando sempre o valor exato. Desta forma, na falta do troco, o estabelecimento deve devolver o dinheiro a mais para o consumidor – jamais faltando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como bem dito por Carlos Alberto Nahas,assistente da Fundação PROCON de São Paulo “A lei protege o cliente. O fornecedor deve ter sempre à disposição troco suficiente e o real é a única moeda que libera a mercadoria. Balas não são dinheiro” explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, a gerência do Sales parece desconhecer a ambos: tanto a ética, quanto o código.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, é claro que sempre há o outro lado. O lado da conivência e o da vergonha – porque ao comentar este fato com amigos, não foram poucos os freqüentadores deste supermercado que me disseram já ter passado pela mesma situação, mas que tinham vergonha de falar por tratar-se de pouco dinheiro. Outros poucos disseram que alguns centavos não fariam falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, lhe pergunto: vergonha de quê se o dinheiro lhe pertence? Se foi você quem deu duro por ele? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se confrontado com alguém que lhe dá troco faltando e que lhe pergunta se pode ficar lhe devendo e você diz que sim, é problema seu. Ou, se a pessoa lhe oferece uma balinha no lugar dos centavos – e você aceita, talvez pensando na dificuldade dos estabelecimentos comerciais de obterem moedas de pequeno valor, é com você! (Eu mesma, considerando minha experiência no comércio, se o valor das balinhas é de até 4 centavos, costumo aceitar o prejuízo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu jamais aceitaria ser enganada e tratada como se estivesse errada, quando não estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, para aqueles que disseram que alguns centavos não lhes fazem falta, respondi para eles e repito para aqueles que estão lendo e pensaram a mesma coisa: ficarei feliz em receber todos os centavos que caírem em suas mãos e nas mãos de todos que não os quiserem. Espero deixar-lhes mais aliviados, dando a eles diversos fins - já que tenho a plena consciência de que SIM - centavos são dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, é claro, aproveitando meu período de férias, procurarei, finalmente, o PROCON.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-6551556482480251328?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/6551556482480251328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=6551556482480251328&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/6551556482480251328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/6551556482480251328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2010/01/001-centavo-e-dinheiro.html' title='0,01 centavo é dinheiro?'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-1670024600850996171</id><published>2009-12-30T16:32:00.002-02:00</published><updated>2009-12-30T17:05:44.862-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Heavy Metal: Pedras que continuam a rolar'/><title type='text'>O bom e velho Metal à brasileira</title><content type='html'>Se perguntarmos a bangers  brasileiros com relação a nomes de bandas de metal e suas vertentes que seriam referência para eles, quais as possíveis respostas? Muito provavelmente Black Sabbath, Iron Maiden, Megadeth, AC/DC, Led Zeppelin, Exodus… Se a questão envolver nomes de músicos, ouviremos, provavelmente: Ronnie James Dio (Black Sabbath e solo), Joe Satriani, Steve Vai, Geezer Butler (Black Sabbath), Geddy Lee (Rush), Neil Peart (Rush), John Bonham (Led Zeppelin), e a lista continuaria ainda…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É engraçado como as respostas a perguntinhas básicas que envolvem influências, ou seja, as bandas ouvidas pelos apreciadores do estilo, nos mostram como as nossas referências em termos de rock and roll e metal andam carecendo de um pequeno detalhe: nomes próprios. Sendo assim, é impossível que não se questione se tais nomes e influências inexistem em nosso cenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras: se o nosso panorama musical resume-se à boa MPB; à dita MPB (aquela de péssima qualidade que envolve uma profusão exuberante de bundas); ao pop rock, excluindo totalmente o rock tradicional e suas vertentes como o heavy, thrash (que não quer dizer lixo como ignorantemente alguns afirmam, e sim mexer-se, revolver-se), death, power, punk, folk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, neste momento, a curiosidade mexeu com seus intestinos e te fez procurar, você vai perceber que, mesmo executando uma busca pouco profunda, essa tese de que sofremos de carência crônica de nomes cai por terra. Ao mero ato de digitar “metal brasileiro” no google abrem-se magicamente dezenas de direcionamentos para links relacionados ao metal e vários deles conduzem a páginas que mencionam nossas bandas de metal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pipocam nomes como Dorsal Atlântica, Overdose, Sepultura, Sarcófago, Chakal, Viper, The Mist, Azul Limão, Witchhammer, Holocausto – para mencionar apenas algumas das consideradas precursoras do movimento metal no Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A excelente Overdose chegou a fazer sucesso mundial nos anos 80/90 – e, uma curiosidade: o primeiro LP deles &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Século XX&lt;/span&gt; (1985) foi lançado em conjunto com o primeiro do Sepultura &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bestial Devastation&lt;/span&gt; (1985) por motivos financeiros: nenhuma das duas bandas tinha dinheiro para bancar a produção de um Long Play por conta própria. Já são lendárias as histórias de que os fãs de Sepultura arranhavam o lado do Overdose, enquanto os fãs dos últimos faziam o oposto. Segundo consta, eu tenho um dos que escaparam à “ferocidade” da época, ainda orgulhosamente intacto. Quanto ao Chakal, pude presenciar um show deles em 2008 e, na ativa, continuam fiéis ao nome que construíram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao Dorsal, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dividir e Conquistar&lt;/span&gt; (1988) permanece como um marco no metal brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre estas bandas, podemos pescar músicos respeitáveis como o Bozó, vocalista do Overdose, cuja foi e é uma das minhas influências, quando canto. Pit Passarell, baixista do Viper, Jairo Guedez (que já marcou presença em três: Sepultura, The Mist, Overdose), Paulinho Caetano (Witchhammer) e muitos outros, em uma lista também longa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles contribuíram e ainda contribuem com o cenário Rock/Metal brasileiro constituindo-se como influência para, pelo menos, duas gerações – chegando à terceira (que inclui pequenos como meu Achilles, que tem nove anos, mas conhece mais de bandas brasileiras do que muitos marmanjos que fazem aquela cara de interrogação quando ele pergunta coisas como: “Você já ouviu Carro Bomba?”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes músicos, “das antigas”, têm seu legado respeitado e vêem a continuidade de seu grande trabalho em bandas mais recentes como Tuatha de Danann (que já se apresentou em Lafaiete com seu folk metal), Krisiun, que produz death metal de respeito internacional desde 1990. Este fato é comprovado pelas excursões em shows próprios e em conjunto com bandas cujos nomes já são clássicos como o Kreator. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além deles, não se pode esquecer do Concreto, há anos na estrada produzindo o bom e velho rock and roll, com trabalho autoral de qualidade e Cds primorosamente acabados (apesar de que nem todos encaixam-se na definição de metal). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mencionar ainda algumas bandas a cujos shows assisti recentemente, deve-se falar de Baranga e Patrulha do Espaço. Esta última, já há anos na estrada, continua com uma pegada forte e um show eletrizante. É só falar neles que eu começo a cantar: “Desce o véu no meio da noite/ Dois olhos brilham na escuridão (...)” – Olho Animal que é, de longe, minha favorita deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, que elas existem, existem. Que os nomes são de peso, são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, porque estão tão distantes do público aficcionado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta é simples e triste: não valorizamos devidamente nossa própria produção. É algo como dizer que a grama do vizinho é mais verde e que a mulher dele é mais gostosa. Assim, nossas bandas carecem de apoio e dinheiro o que faz com que se desintegrem deixando, muitas vezes apenas saudades e belas músicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe a nós, portanto, fãs do estilo cuidar para que, quando merecedoras dos nossos ouvidos, não deixemos de dar nosso suporte e de tê-las e a seus músicos como nossas referências em conjunto com aqueles outros nomes mencionados no início. Assim, garantiremos que, em acréscimo aos importados, tenhamos sempre o bom e velho metal à brasileira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-1670024600850996171?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/1670024600850996171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=1670024600850996171&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/1670024600850996171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/1670024600850996171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/12/o-bom-e-velho-metal-brasileira.html' title='O bom e velho Metal à brasileira'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-9153709721131493372</id><published>2009-12-22T09:27:00.000-02:00</published><updated>2009-12-22T09:28:48.342-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentário'/><title type='text'>Carta ao Jornal "Correio da Cidade"</title><content type='html'>&lt;em&gt;Publicada em 20/12/2009&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sr. Editor,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Venho demonstrar minha total indignação com relação à propaganda da SINCOL, veiculada há vários meses por vocês ( essa semana presente na Seção Comunidade, página 22). Tal propaganda é inconstitucional já que afirma que "o preço justo" da passagem será apenas alcançado quando "todos" pagarem pelo transporte.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tal afirmação descuidada é inconstitucional já que posta-se contra direitos garantidos pela lei máxima desse país, reassegurados, por exemplo, pelo Estatuto do Idoso e reafirmados recentemente pelo STF. É de conhecimento geral, portanto, que idosos e deficientes (para estes últimos o direito é garantido pela Lei Municipal 4691/2005) possuem direito à gratuidade no transporte coletivo urbano - que, no caso de Lafaeite possui suas empresas representadas pelo SINCOL. Desta forma, como o SINCOL não ignora, nem todos têm que pagar sua passagem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com essa propaganda tendenciosa, tal sindicato, além de demonstrar profundo desrespeito pelas leis que regem esse país, ainda faz uso indevido do poder de comunicação desse veículo respeitado na cidae, para defender posição ilegal - e, mais uma vez reforço: inconstitucional. Como meio formador de opinião e jornal de maior circulação do município, tal propaganda mostra-se altamente prejudicial incentivando o desrespeito aos cidadãos que contam com a proteção do Estado e do município: ou por já terem contribuído sobremaneira através de anos de trabalho ou por possuírem deficiência.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já é desrespeito suficiente que seja exigido dos idosos que façam carteirinha junto à empresa de coletivos urbanos - já que, legalmente, bastaria que eles apresentassem a carteira de identidade para comprovar sua idade para obter a gratuidade no transporte. Eu mesma já presenciei uma cobradora  da empresa Presidente exigindo dinheiro de um senhor de mais de 65 anos, já que sua famigerada carteirinha eletrônica, que apenas possui 6 passagens diárias, estava exaurida. Ele não possuía o dinheiro e ia descer do coletivo quando, obviamente, intervim e expliquei ao senhor que ele deveria apenas mostrar sua identidade e que se qualquer funcionário o quisesse barrar que ele acionasse a polícia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Realmente, tal propaganda em conjunto com o comportamento da empresa de transportes - executado por seus funcionários como exemplificado - são a gota d'água e servem apenas para demonstrar o quanto é necessário reformar a mente das pessoas que pretendem gerir os serviços públicos prestados á comunidade lafaietense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em acréscimo, o CONAR, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, em seu código, Seção 3, atigo 23, ao falar sobre a honestidade, diz que a propaganda não pode abusar da "falta de experiência ou conhecimento do consumidor" - algo claramente feito pela propaganda do SINCOL, já que sugere com ela que "todos" paguem passagem para benefício da população - quando existe legislação própria que garante o direito de gratuidade no transporte coletivo, para aqueles, merecidamente, protegidos pela lei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo uma rápida análise da mencionada propaganda demonstra como, em seu intuito de formar opinião contrária à lei, o SINCOL age de maneira leviana podendo levar áqueles que desconhecem a lei a crer que realmente estão sendo lesados quando alguém que, ao utilizar seu direito, não paga passagem. Ainda no artigo 45 do mesmo código, o órgão responsabiliza igualmente agências e veículos de comunicação que publiquem anúncios que firam quaisquer princípios éticos descritos na normatização insituída pelas próprias agências, já que são elas que sustentam o CONAR, estando então os veículos sujeitos às mesmas punições.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Manifestada minha indignação, aguardo a reavaliação desse respeitado jornal com relação à mencionada propaganda, demonstrando a ética e o respeito ao cidadão que sempe foram características desse semanário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Atenciosamente, &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Érica Araújo e Castro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-9153709721131493372?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/9153709721131493372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=9153709721131493372&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/9153709721131493372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/9153709721131493372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/12/carta-ao-jornal-correio-da-cidade.html' title='Carta ao Jornal &quot;Correio da Cidade&quot;'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-227067536163094376</id><published>2009-12-07T15:17:00.000-02:00</published><updated>2009-12-07T15:18:55.711-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Dia da Raça Negra?</title><content type='html'>No dia 20 de novembro, no Brasil, comemora-se o dia da Consciência Negra. A data foi escolhida para homenagear Zumbi dos Palmares, cujo rosto real jamais conheceremos, mas que destacou-se por comandar o quilombo dos Palmares até sua extinção – um verdadeiro massacre que culminou com a morte do herói que dedicou-se a preservar a liberdade dos seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, não é apenas em uma determinada data que se devem pensar nos excluídos: seja essa exclusão devida à orientação sexual, sexo, cor, etnia, religião ou quaisquer outras formas de preconceito. Entretanto, quando a data existe, que seja usada para a reflexão, que é exatamente o que proponho que façamos agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para falar de um dia que muitos entendem como sendo de exaltação da raça negra, gostaria de falar primeiramente sobre o conceito de raça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso esclarecer: discussões sobre raça tem-se dado principalmente sob dois parâmetros – o filosófico/social e o científico. O primeiro é pautado, principalmente, na maneira como pensadores hodiernos enxergam o tema – dentre eles há nomes que vão de Hitler a Malcom X, passando por outros menos relevantes. O que se observa sempre é um pensamento panfletário entre aqueles que querem o entendimento da palavra “raça” como sendo ligado à separação. Ou seja, afirmam “eu e os meus (de minha raça) somos diferentes de você e os seus (de sua raça)”. Segundo estes, os seres humanos dividem-se em raças que são definidas segundo, basicamente, a sua origem étnica e/ou a cor de sua pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais pensamentos de exclusão – em vez de “todo”, “coesão” – levaram a genocídios como a tentativa de extermínio de judeus durante a Segunda Guerra – onde arianos (brancos alemães) massacraram judeus (brancos, muitos também alemães, mas Da etnia judaica). Levaram também ao genocídio em Ruanda onde africanos da etnia hutu dizimaram famílias inteiras da etnia tutsi, vista como rival – outra vez pessoas que possuíam a mesma cor de pele, dessa vez a preta, digladiaram-se em torno de uma divisão segundo a qual determinada “raça” é mais merecedora de bens, terras, oportunidades. Estes mesmos mencionados pensamentos de separação levaram ainda às crenças pseudo-cientificas como a Eugenia, cuja aplicação no Brasil sugeria um “branqueamento” de nossa sociedade, já que as características do povo branco seriam as melhores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se pode facilmente observar, tais conceitos que preveem a separação de seres-humanos em raças – seja para exaltar uma ou referir-se pejorativamente a outra - não passa de uma suavização das mesmas crenças que levaram aos campos de concentração e ao genocídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso, e por fatos que ainda mencionarei, que prefiro me ater à definição científica de Espécie e Sub-espécie (raça). No livro Zoologia (Valdir Fernandes) lê-se que “Espécie é um conjunto de seres semelhantes que, quando cruzados, produzem prole fértil, isto é, descendentes capazes de reproduzir-se”. O livro continua explicando que “os indivíduos de uma espécie são subdivididos em grupos menores, as sub-espécies, raças, ou variedades, que diferem entre si, geralmente, como resultado de uma distribuição geográfica diferente.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, cientificamente, não existe uma única raça branca, ou preta, ou indígena, ou oriental ou quaisquer outras quando se referem aos homo sapiens, nome científico de nossa espécie. Antes, existem muitas raças de seres-humanos de cor branca, muitas raças de humanos de cor preta, muitas indígenas, muitas orientais e assim por diante. Cientificamente, cada povo separado geograficamente do outro pode desenvolver características diferentes, tornando-se assim uma nova raça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inteligentemente percebe-se então que o nosso país, além de receber muitas raças, que em sua maioria eram brancas e pretas, devido às suas dimensões continentais e à cultura da miscigenação que juntou no mesmo caldeirão colonizadores, escravos e nativos, é formado por dezenas, talvez centenas de raças. Vê-se assim, grupos brancos cujas características e localização os tornam uma raça diferente de outros grupos brancos que residem em localidades separadas geograficamente. O mesmo acontece com grupos pretos espalhados. Se tais grupos, sejam brancos ou pretos, estiverem ainda em condições de pouca comunicabilidade, vão-se perceber as diferenças culturais acrescidas às particularidades físicas que, certamente, fariam a felicidade de etnólogos e etnógrafos que se dispusessem a estudá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à afirmação de que pessoas da cor preta são mais alvo da discriminação social sofrendo de baixa escolaridade e seu consequente sub-emprego ou desemprego ela é verdadeira apenas se se incluírem aí todos os mestiços – dentre os quais eu me incluo, já que devido a minha ascendência possuo características tanto de brancos quanto de pretos e indígenas – que sofrem dos mesmos males. E que aqueles que querem defender sistemas de cotas para os que possuem determinado tom de pele baseando isto em “erros históricos” eu pergunto: como separar, em um povo mestiço, aqueles que descendem ou não de escravos, se, muito possivelmente, a quase totalidade da população – seja ela branca ou preta – descende de ambos: tanto dos que brandiram o chicote quanto dos que foram chicoteados? (É claro que dessa afirmação excluem-se aqueles poucos grupos indígenas ou quilombolas que, devido ao seu isolamento, são fruto de um único ramo genético. Para esses a lei, merecidamente, devido à sua condição especial de acesso restrito ou nulo à educação, já reserva cotas há anos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pergunto mais: como explicar aos indivíduos de cores diferentes, que vivem nas mesmas subcondições, expostos à mesma precariedade de educação e subsistência que alguns, por terem pele mais escura, são passíveis de receber subsídio governamental sob forma de bolsa de estudo enquanto outros, por serem de pele clara, não? Mas isso é assunto para ser discutido em crônica futura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao dia da Consciência Negra, seria mesmo necessário que se separasse um dia para que se lembrem feitos de pessoas de pele escura, com o objetivo de ressaltar a cultura advinda dessas raças, originárias da África, fruto de sua mistura com as demais raças presentes no Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto alguns afirmam que não – eu digo que SIM. E infelizmente! O fato é que no Brasil não existe apenas o preconceito social – existe a discriminação de cor, sim. (Creio que ficou mais que claro que, sob o ponto de vista de quem defende a definição científica para raça, o preconceito é de cor já que povos de raças diferentes, mas de cor idêntica ou parecida, são objeto do mesmo preconceito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo que infelizmente deve existir porque, apesar de vivermos em uma nação multicor, qualquer desavisado que pegue um livro de história vai achar que pretos e mestiços são a minoria em nossa população – não a maioria. Esse fato, sozinho, demonstra o quão pouco valorizamos as nossas raízes multi-étnicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, mestiça, não me reconheço como participante da História de meu próprio país! Não vejo lá todos os meus antepassados representados: apenas uma parte deles. Pretos e mestiços, quando mencionados, o são apenas de passagem e, quando são heróis modernos, tendem a morrer esquecidos como João Cândido Felisberto (que é claro, você sabe quem é – ou não?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho de Martin Luther King de um mundo onde as pessoas fossem julgadas apenas pelo seu caráter, ainda está longe de se concretizar. Isso ainda é verdade no Brasil, para minha máxima vergonha. Escapa-me o motivo de enxergar de maneira diferente àqueles pertencentes à nossa mesma espécie, fruto do mesmo caldeirão cultural que gerou a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, faz-se necessário que se comentem os chamados movimentos afirmativos ou a maioria dos ligados à dita raça negra. Dita raça porque, como esclarecido, não há uma só raça – qualquer que seja a cor da pessoa que se queira mencionar. (Ainda, é bom lembrar que, devido ao meu desprezo pela separação de seres humanos em raças (sejam as definições ariana, branca, preta, negra ou quaisquer), enxergo apenas uma diferença marcante entre eles – as várias tonalidades de cor da pele).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho acompanhado de perto alguns desses movimentos – perto o suficiente para saber o que fazem, longe o suficiente para não me envolver no preconceito pregado por alguns. Espanta-me como alguns defendem a superioridade da “Raça Negra” – utilizando-se do mesmo preconceito de que foram alvo, só que inverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, ainda em Belo Horizonte, li no jornal uma entrevista de uma senhora, líder de um desses movimentos, que afirmou categoricamente que não gostava que suas netas namorassem brancos, pois enfraquecia a raça. Não foi essa a afirmativa de Hitler quando quis “limpar” a Alemanha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais, meu marido, em ocasião passada, mestiço como eu e a maior parte da população brasileira – mas que é chamado de branco devido ao tom claro de sua pele – ao trabalhar de segurança em firma de um amigo chegou a ser ignorado por outros, de cor preta, que cumprimentavam-se pegando nas mãos uns dos outros, mas que o saltavam, como se ele não estivesse ali. E mais: o coordenador do grupo chegou a ser questionado do motivo de estar trazendo brancos para trabalhar no meio deles. Como se a lei contra a discriminação, ou o senso ético que despreza qualquer tipo de preconceito funcionassem como via de mão única!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é incomum que se vejam pelas ruas camisas com escritos “100% Negro”. Gostaria mesmo de ver o semblante dessa pessoa ao ser confrontada com a mistura genética que, quase certamente, constitui seu DNA. Vi uma entrevista de um africano, Ibrahima Gaye que disse o que eu realmente sinto: que alguns movimentos afirmativos estão criando pessoas híbridas – que não pertencem nem a seu país e nem à África. Que antes de tudo, tais pessoas deveriam enxergar-se como brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a ser duro ouvir isto de um estrangeiro: que nossa nação está carecendo de identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, vê-se que é preciso valorizar as nossas raízes multiculturais – faze-la presente em nosso sistema escolar para que os brasileiros de todas as cores sintam-se parte deste país – e se vejam como brasileiros. É ainda preciso proteger aos pobres e àqueles que possuem acesso restrito à educação possibilitando-lhes caminhos que, de outras formas, estariam a eles vedados – mesmo que através de cotas limitadas em universidades e de emprego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mais do que isso, é preciso que os brasileiros se enxerguem como iguais – frutos de um mesmo contexto histórico-social, independentemente de qual seja o fenótipo, de qual cor seja a sua pele. Só então seremos, realmente, uma nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* Abaixo uma definição de raça&lt;/strong&gt;, segundo consta no dicionário Priberam (online). Se você não é um boi ou um cavalo, espere que concorde com eles e comigo. Ou que concorde com a Margareth Menezes (cuja voz, realmente, é divina, em entrevista ao Serginho Groismann em seu programa Altas Horas, comentando sobre a forma distorcida que determinados movimentos dogmatizam seus adeptos): “Pertencemos todos è mesma Raça – a humana.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;raça &lt;br /&gt;s. f.&lt;br /&gt;1. Grupo de indivíduos cujos caracteres! biológicos são constantes e se conservam pela geração: Raça branca, raça amarela, raça negra, raça vermelha. (Os progressos da genética levam hoje a rejeitar qualquer tentativa de classificação racial.) = CLASSE, DESCENDÊNCIA, ESTIRPE, FAMÍLIA, GERAÇÃO, LINHAGEM&lt;br /&gt;2. Subdivisão de uma espécie animal: Raças bovinas.&lt;br /&gt;3. Conjunto de ascendentes e descendentes de uma família, um povo; geração.&lt;br /&gt;4. Conjunto de pessoas da mesma profissão, das mesmas tendências: A raça dos poetas.&lt;br /&gt;5. Fig. Casta; espécie; qualidade; jaez; laia.&lt;br /&gt;6. Reg. Réstia de sol.&lt;br /&gt;7. Mínima quantidade de qualquer coisa.&lt;br /&gt;animal de raça: animal de boa origem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-227067536163094376?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/227067536163094376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=227067536163094376&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/227067536163094376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/227067536163094376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/12/dia-da-raca-negra.html' title='Dia da Raça Negra?'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-8189492064742203983</id><published>2009-11-17T14:00:00.003-02:00</published><updated>2009-11-17T14:46:17.534-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sobre a moderna barbárie</title><content type='html'>Já há alguns dias temos acompanhado os acontecimentos relacionados à presença de uma aluna trajando um vestido curto na Uniban, no campus de São Bernardo do Campo - SP. Na ocasião, ela foi seguida por uma turba, sendo ofendida e, finalmente, teve que ser escoltada pela polícia para fora da instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente, a universidade expulsou-a. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E teve a própria decisão revogada por seu reitor após repercussão negativa em todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justificativa para a expulsão, a princípio, foi a argumentação de que a mencionada aluna já teria sido advertida de que deveria vestir-se apropriadamente, e que havia se negado a fazê-lo. Além disso, afirmou-se que no dia do tumulto, a aprendiz teria “desfilado” pelas dependências da faculdade, tomando um percurso maior que o usual, fazendo poses, para aqueles que quisessem tirar fotos, exibindo suas partes íntimas – conforme veiculação televisiva que reportava depoimentos de pessoas envolvidas com a universidade em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse acontecimento me fez refletir bastante. Como se sabe, estou intimamente envolvida no ambiente educacional e prezo muitíssimo o espírito que deveria estar presente em todas as academias: o respeito ao conhecimento e ao desenvolvimento do mesmo, assim como à liberdade individual – pois, em ambientes em que se cerceiam a liberdade dos indivíduos, corre-se o risco de passar-se a cercear outros aspectos de sua liberdade. (Chame de trauma da ditadura, mas, é assim que realmente penso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente sobre essa tal liberdade individual que gostaria de discutir – a liberdade individual, aquela que nos permite apreciar, utilizar, ouvir, crer, argumentar, freqüentar, fazer – ou vestir – absolutamente tudo o que “vier na cabeça”. Em países democráticos, à exceção do que acontece em teocracias ou sob regimes totalitários, as pessoas são protegidas até mesmo pela lei, que preserva esse seu direito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, hipoteticamente, tendo como reserva apenas os limites morais (altamente subjetivos), habituais ou de formalidade – como, por exemplo, os trajes admitidos em fóruns, locais que restringem a vestimenta, impedindo o uso de roupas, não pelo seu cumprimento, mas pela sua solenidade – o cidadão brasileiro poderia trajar-se como bem entende. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso pode ser facilmente comprovado por uma observação simples em qualquer avenida de centros de cidades pelo país afora: a profusão de camisetas regatas, vestidos curtos, shorts de pouco mais de um palmo e meio, decotes, camisas de bandas (todos usados por homens e mulheres – inclusive os vestidos!). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, gente que se veste de acordo com meus padrões, com padrões diferentes dos que eu julgaria apropriados – mas, o que fica claro é que a minha opinião diz respeito apenas ao que eu visto. E nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, até onde me consta, não contribuo financeiramente para manter o guarda-roupas de ninguém – então, não tenho nada com isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação ao ambiente escolar, em escolas de ensino médio, a vestimenta costuma ser limitada pelo Regimento Escolar – habitualmente, em nosso país, costuma-se exigir o uniforme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na academia, no ambiente universitário, porém, tais limitações, normalmente, inexistem. Os trajes não são, muitas vezes, sequer mencionados no Regimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quando o são, são referidos através de conceitos vagos e absolutamente adaptáveis pela opinião individual como “de acordo com a moral”, “respeitando os costumes”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, voltamos ao caso da Uniban. Para isso, convém acrescentar que não estou discutindo nem o caráter da moça, nem sua moral – os quais desconheço - ou qualquer coisa que os valha. Discuto, apenas, o acontecimento envolvendo sua minissaia e a turba de perseguidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos sinceros: algum de meus leitores, residente no Brasil, pode realmente afirmar que jamais tenha visto vestido, do comprimento usado pela aluna brasiliense, pelas ruas, bancos, lojas, bares, repartições públicas e, até mesmo universidades? Segundo o que eu mesma vejo dando um passeio pela cidade onde resido, posso afiançar que já vi até mais curtos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à afirmação da direção da universidade de que ela tivesse exibido as partes íntimas em poses sensuais, e por isso havia sido expulsa, ora, efetuei busca rápida pela internet pelos vídeos ou possíveis fotos. Encontrei vários que mostravam a turba perseguindo a moça, mas absolutamente nenhum em que se pudesse vê-la mostrando nádegas, seios ou pélvis. Na maior parte deles ela aparece ora com raiva, ora com medo – mas sempre constrangida, e em alguns até mesmo chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de que as tais fotos não estejam na rede não soa estranho, especialmente considerando-se a profusão de celulares apontados para ela por inúmeras pessoas, participantes da turba ou meras expectadoras do acontecido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não queira o amigo afirmar que aqueles que teriam tirado as supostas fotos as teriam preservado para si, ou teriam evitado, por pudor ou medo, publicá-las na internet! Soaria absurdo considerando-se o contexto tecnológico, de informação e de exposição em que vivemos, agregado ao anonimato que a rede mundial de computadores provê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me lembro quando eu mesma cursava faculdade, de uma de minhas colegas de classe absolutamente adepta das minissaias. Ela as usava em todos os estilos possíveis, todas as cores – mas o comprimento sempre o mesmo: curtinho mostrando suas pernocas. Tento imaginar nossos colegas formando um movimento, como o visto na Uniban, contra as sainhas da menina – e, sinceramente, por mais que eu tente, sempre me parece algo que não aconteceria dentro de uma academia de país democrático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialmente do Brasil onde a exposição do corpo é o lugar comum – e não a exceção. Aqui, mulheres nuas vendem até pneus, já que seus corpos são exibidos em propagandas destes produtos. Se se falar de cerveja, então... Desta forma, fazer de uma minissaia motivo de notícia seria nada menos do que hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem me lembro que quando eu vi a primeira reportagem sobre o assunto, fiquei com a sensação de que algo estava faltando ao enredo, uma explicação mais racional para atitude tão irracional. Depois, conclui que aquela turba agia como sempre imaginei que acontecesse na caça às bruxas – alguém grita “Bruxa!”, a notícia corre de boca em boca crescendo em detalhes e eventos a cada repetição inexata e, a população em frenesi e histeria, persegue e apedreja a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo estava aquele que afirmou que a “massa é burra”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espantoso é que continue burra mesmo dentro da academia, onde o saber e o conhecimento deveriam imperar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não imperam, que reine, pelo menos, o bom senso. E que atire o primeiro flash quem for hipócrita o suficiente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-8189492064742203983?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/8189492064742203983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=8189492064742203983&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8189492064742203983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8189492064742203983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/11/sobre-moderna-barbarie.html' title='Sobre a moderna barbárie'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-7707277325015369970</id><published>2009-11-10T12:28:00.002-02:00</published><updated>2009-11-10T12:42:33.388-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sobre professores exauridos e alunos rebeldes</title><content type='html'>(Desculpando-me por minha ausência, volto a postar. Professores ficam, realmente, assoberbados no final do ano!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente escrevi sobre o caso da professora que perdeu seu emprego ao dançar em um show de axé, exibindo seu corpo de maneira pouco apropriada a um educador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, continuo escrevendo sobre o mesmo assunto: o professor – todos sabem tratar-se de assunto de minha predileção, já que sou, eu mesma, educadora há anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, como tal, me assusto quando abro os jornais ou ligo a televisão e me deparo com manchetes que destacam o desgaste que tem se tornado comum na relação aluno-professor, ou na maneira como o próprio professor encara seu papel, ou na forma como o aluno encara ser correto portar-se e tratar seu professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Susto grande tomei quando vi matéria no jornal do SBT que mostrava uma gravação feita por alunos, em uma sala, utilizando-se de seus celulares, ao longo do qual um professor mostrava-se desgastado, exaurido. Ele também evidenciava por sua fala o quão desesperado estava ao não conseguir lidar com o mau comportamento de seus alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do mencionado registro, o professor ofende frontalmente, com palavreado baixo, seus alunos, assim como os pais deles, expondo tripas sociais intelectualmente discutidas – e, por vezes, ocultas por pseudo-técnicas ou estratégias de avanço de ciclos – mas, para as quais, ainda está-se longe de se encontrar solução: as relações de pais-filhos/alunos-professores-diretores/escola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer da matéria, alguns dos alunos da sala ofendida foram entrevistados e reconheceram, exibindo feições irônicas de debochadas, que a sala composta por eles é desordeira, desorganizada e desrespeitosa. E que o professor havia apenas reagido furiosamente após várias tentativas frustradas de obter silêncio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou ainda implícito que ou os professores agiam assim e conseguiam algum silêncio, ou ignoravam completamente o comportamento inapropriado dos aprendizes e passavam a simular dar aula, cumprindo o conteúdo, ministrando-o para as paredes (as únicas realmente silenciosas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma situação limite – onde todos os envolvidos agiram no limite: da educação e da paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, é impossível deixar de perguntar: quem estava certo? O professor-esbravejador? Seus alunos malcriados, que gravaram os gritos de desabafo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmo que, nessa situação, todos estavam certos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também errados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que, na verdade, a discussão para se chegar a essa conclusão é muito mais profunda e remete a questões muito maiores do que a um acontecimento de poucos minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, é preciso que se diga que é muito mais cômodo para um professor, naquela situação, fingir que dá aula ignorando a baderna da sala. Isso não altera seu salário. Isso não altera seus resultados – já que quem elabora as provas é ele, que pode fazê-las com consulta ou, no ápice da falta de ética, dando as respostas para os alunos (como eu já vi acontecer diversas vezes, em várias escolas). Números falsos serão gerados já que as notas não refletirão a aquisição de conhecimento da sala – mas, é fácil fazê-lo e o professor sai absolutamente impune. E a sala, feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, meu leitor há que concordar: o professor estava certo e agindo de acordo com o que se espera dele ao exigir silêncio e disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O erro estava na forma. Na maneira como ele o fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inadmissível que um professor – profissional preparado, no mínimo, graduado, adulto – comporte-se exatamente como seus alunos adolescentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estaria o modelo, o padrão? De que forma se pode exigir respeito se não se oferece primeiro o mesmo respeito que se exige?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, entretanto, faço uma pausa para algumas perguntas para reflexão: estaria a direção ciente da postura indisciplinada da turma e, estando ciente, teriam sido tomadas atitudes para evitar que se chegasse à tal situação limite? E os pais? Estariam informados e, como atuantes na educação dos seus filhos, tomaram providências para garantir que seus filhos passassem a comportar-se bem? E quanto aos alunos: foi feito algum trabalho motivacional e educacional (no sentido de normas de educação e comportamento mesmo) com a turma? Se foi, quais os limites impostos e quais as punições que seriam aplicadas (tendo como base o regimento da escola)? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais, foram mesmo aplicadas quaisquer punições?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando-se minha experiência como docente há 16 anos, em várias escolas -  particulares e públicas -  assim como atuando como pesquisadora de técnicas de ensino, creio que, confrontada com o demonstrado na reportagem televisiva (situação da sala, exasperação do professor, comportamento dos alunos) posso responder, tranquilamente, NÃO a absolutamente todas as perguntas feitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não e não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, pais não participam da educação de seus filhos e delegam à escola a tarefa de ensinar-lhes coisas tão básicas quanto falar “por favor” ou “muito obrigado”. A escola, ainda moldada aos tempos em que ao menos a educação comportamental era dada pelos genitores aos filhos, simplesmente não tem demonstrado ter condições de lidar com os adolescentes sem a menor noção do que é conviver com outros em um grupo e mais, demonstrar respeito por uma figura de autoridade – no caso o professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, digo que um conjunto de pais e direção omissos leva às situações que, o professor sozinho, não é capaz de lidar. Ele, por sentir-se incapaz, toma atitudes questionáveis, que não condizem com sua preparação para a sala de aula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como silenciar uma sala de alunos que não sabem comportar-se e que têm a certeza absoluta de que nada de mais sofrerão pelo mau comportamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda pior: não raras vezes já vi pais que, ao serem confrontados com as péssimas atitudes de seus filhos no ambiente escolar por diretores e coordenadores, ativos e comprometidos com suas funções, em um jogo de disfarces e hipocrisia, culpam a escola por não educá-los, cobrindo seus pobres rebentos aviltados e mal comportados de lambidas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como bem disse uma professora experiente, minha amiga: esses não são os filhos rebeldes. São piores, pois já são os filhos dos filhos rebeldes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se, então que professor estava certo e, ao mesmo tempo, errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falemos agora dos alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estariam corretos ao gravar os xingamentos do professor em seu momento de explosão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim! Claro que sim! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outra forma, seria a palavra deles, uma turma já reconhecidamente difícil, contra a palavra do professor – o qual não posso afirmar que reconhecesse o que havia feito (nem negar, obviamente, já que não o conheço).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o fato é que o erro deles não foi o fato de terem registrado – mas sim o fato de terem causado a situação com seu mau comportamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, não defendo o comportamento descontrolado do professor – recrimino-o severamente. Para se assumir qualquer função, tem-se que estar preparado para o que se vai fazer: o que, no caso do educador, inclui enfrentar essas possíveis situações em sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, tem-se que lembrar o óbvio - professores são seres humanos sujeitos aos sentimentos humanos: raiva, angústia, frustração e destempero. Assim, ao passo que os alunos estavam certos ao fazer o registro da afronta, estavam errados ao levar o professor ao limite, ao ponto de fazer o que não gostaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesma já me vi em pouquíssimas situações (Graças e Deus!) em que algum aluno conseguiu me irritar sobremaneira – o que contou para o controle dos meus impulsos foi o fato de que, ciente de meu papel qual educadora e de que posso servir de modelo para alguns deles, não me deixei dominar pelos instintos e a vontade de xingar ou debater. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como profissional e, mais, como adulta – portanto, com mais experiência de vida – fui capaz de contornar as situações nas quais fui envolvida – obviamente exigindo as punições cabíveis a cada caso, sendo essa a atitude apropriada. Mas, sou humana e passível de erro – por isso, não consigo deixar de me sensibilizar com a situação em que o professor do caso mencionado se deixou envolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, viu-se que todos os envolvidos estavam certos, mas também errados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, não se pode deixar de dizer, que essa situação reflete não um destempero de minutos, mas uma situação comum que, fruto de uma dificuldade social muito maior, envolve, primeiramente, a educação e criação de crianças e jovens por seus pais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo além, ainda envolve as atitudes que a escola, essa instituição tão tradicionalista, deve tomar para que possa sair do passado e encarar de frente a complementação da educação das crianças e jovens de hoje, que, muitas vezes, não receberam em casa os limites necessários para a boa convivência com quem quer que seja, trazendo péssimos hábitos para dentro de sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, esses são os nossos jovens, oras! É com eles que devemos aprender a lidar – dando os limites necessários, mantendo as emoções sob controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sei que alguns teóricos vão afirmar que eu disse barbaridades: e teorizarão horrores com relação ao que fazer ou não. Mas o que eu queria mesmo é que esses tais teóricos fossem para a.... sala de aula! E, de preferência, que dessem aula para uma sala bem difícil e mal comportada sendo obrigados a aplicar apenas suas próprias teorias... Seria bem divertido... É... eu acho que eu também tenho um lado malvado...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-7707277325015369970?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/7707277325015369970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=7707277325015369970&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7707277325015369970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7707277325015369970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/11/sobre-professores-exauridos-e-alunos.html' title='Sobre professores exauridos e alunos rebeldes'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-7055461559621904563</id><published>2009-10-20T10:47:00.004-02:00</published><updated>2009-10-22T12:00:39.070-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Heavy Metal: Pedras que continuam a rolar'/><title type='text'>Heavy Metal in my ears is all I ever want to hear! (1)</title><content type='html'>A frase em inglês que dá titulo a este artigo foi escrita por Mark “Shark” Shelton, um simpático senhor americano, que desde os anos 70 e, ainda hoje, lidera uma das bandas precursoras do som agressivo que hoje caracteriza o heavy metal e algumas de suas vertentes. A banda em questão é o &lt;em&gt;Manilla Road&lt;/em&gt;, que conta hoje com mais de 30 anos de história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta mesma frase ainda, poderia ser considerada a epítome do sentimento dos aficionados a este estilo musical – afinal, nestes anos me embrenhando pelos diversos estilos musicais e observando os interessados em cada um deles nunca encontrei mais ardorosos do que os seguidores do heavy metal. São, de fato, fãs xiitas, no pleno sentido do termo, não raro adotando a postura de Joey DeMaio (baixista da banda &lt;em&gt;Manowar&lt;/em&gt;) que incansavelmente defende o True Metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Manilla Road&lt;/em&gt;, apesar do pouco sucesso que faz por aqui, mostrou ao longo destes anos que, se de fato existe algo chamado Metal Verdadeiro, ele está bem representado em seu som. Houve variação no número de componentes (sempre entre três e cinco), entretanto, Shelton conseguiu manter as características do som ao longo dos anos: a guitarra com riffs pesados, algumas vezes, semi-ocultos pela bateria absolutamente marcante caracterizada pelo uso intenso dos pratos e chimbal, com viradas que se sucedem feitas com maestria de forma a não se tornarem repetitivas nem tornar o som cansativo. Ótimo exemplo disto está no álbum &lt;em&gt;Open the Gates &lt;/em&gt;(1985), de cuja música &lt;em&gt;Heavy Metal to the World &lt;/em&gt;tirei a frase usada acima. É neste álbum que também está uma das minhas prediletas deles: &lt;em&gt;Astronomica&lt;/em&gt;, música que fala da capacidade humana de reverenciar o divino, seja qual for a representação escolhida. Ela foi baseada na obra homônima de Marcus Manilius (poeta e astrólogo romano). Observa-se neste álbum ainda, uma bateria mais pesada que no &lt;em&gt;Crystal Logic &lt;/em&gt;(1983), já que houve a substituição de Rick Fisher (um baterista mais veloz) por Randy Foxe que imprimiu mais peso ao som da banda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema do divino é muitas vezes abordado nas letras do &lt;em&gt;Manilla&lt;/em&gt;. Isto é acertadamente atribuído ao fato de que o principal letrista da banda, o perene “Shark” Shelton, é extremamente interessado nesses assuntos, tendo, até mesmo estudado antropologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, o som da banda está envolto em misticismo e lenda versando sobre temas como a corte do Rei Arthur, Atlântida, bruxaria, sempre mostrado predileção por temáticas bretã, celta e nórdica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a banda renovada, mas ainda fiel ao True Metal e à temática mencionada, continua lançando obras que valem a pena serem adquiridas e ouvidas como o &lt;em&gt;Spiral Castle&lt;/em&gt; (2002) e o &lt;em&gt;Gates of Fire &lt;/em&gt;(2005). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o &lt;em&gt;Manilla Road &lt;/em&gt;comprova, junto a outros grandes nomes como &lt;em&gt;AC/DC &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Manowar&lt;/em&gt; que é, sim, possível se manter fiel a um estilo, mesmo após décadas, sem cair no marasmo e na chatice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Tradução Livre: Heavy Metal é tudo o que quero ouvir!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-7055461559621904563?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/7055461559621904563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=7055461559621904563&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7055461559621904563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7055461559621904563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/10/heavy-metal-in-my-ears-is-all-i-ever.html' title='Heavy Metal in my ears is all I ever want to hear! (1)'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-2700518629198870355</id><published>2009-10-20T10:31:00.003-02:00</published><updated>2009-10-20T10:40:07.202-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Joana D’Arc de Mark Twain??</title><content type='html'>&lt;em&gt;Publicado no jornal &lt;strong&gt;Conhece-te a ti mesmo&lt;/strong&gt;, edição de Out./09&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esta a pergunta que me fiz ao me deparar com o livro sobre o qual prosearemos este mês, na prateleira de um dos supermercados de Conselheiro Lafaiete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já conhecia Mark Twain, o pseudônimo mais famoso de Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), um dos escritores americanos modernos mais respeitados. Já li várias de suas obras: contos, livros. Neles, o que há de sempre presente é sua veia humorística, extremamente crítica – e por vezes imoral: ele usou seu grande talento para denunciar a escravidão, por exemplo, além de retratar pitorescamente a realidade das pessoas comuns reproduzindo seus diálogos e seu modo de vida, ou para questionar a importância da religião ou para exaltar, por exemplo, os prazeres do onanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido ao teor altamente explosivo de alguns de seus escritos, sua família evitou a publicação de vários deles, que apenas vieram à luz décadas depois de sua morte. Suas histórias e personagens mais famosos orbitam ao redor do rio Mississipi e do modo de viver dos barqueiros – profissão que ele mesmo exerceu em uma parte de sua vida e de onde, segundo ele mesmo, retirou seu Mark Twain. Este seria um grito dos condutores de barcos que significaria que havia profundidade suficiente para navegação em determinado trecho do rio. Tal explicação dada por Clemens é questionada – e dada a sua fértil imaginação, não seria de se assustar se se comprovasse que é fictícia. O assunto, portanto, permanece inconcluso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É deste universo social permeado de humor, ironia, sagacidade e também da maldade humana é que surge um livro absolutamente inesperado como &lt;em&gt;Joana D’arc: Reminiscências pessoais de Joana D’Arc pelo Senhor Louis de Conte (seu pajem e secretário),  &lt;/em&gt;subtítulo esse que faz referência ao fato ficcional de que o próprio auxiliar de Joana D’Arc teria desenvolvido este relato. O livro foi escrito em 1896.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ainda mais ressaltar a verossimilhança, Twain acrescenta ainda a figura de uma terceira pessoa: o tradutor – pessoa ficcional – que teria traduzido do francês arcaico a crônica histórica de Louis de Conte, que por sua vez a escrevera quando já idoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa pelo olhar de Conte, feita por Twain, tornou a história quase palpável – mesmo nas partes onde a menina conversa com anjos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é dividido em três partes: I) Em Domrémy; II) Na corte e no Campo de Batalha e III) Julgamento e Martírio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira parte conhecemos Joana ainda criança, crente em Jesus e nas fadas com a mesma intensidade. É dito no livro que as crianças do vilarejo de Domrémy são, desde sempre, protegidas por suas amigas fadas que são banidas por um grande engano. Conhece-se ainda a maneira como Joana desenvolve sua enorme habilidade oratória que a levou a grandes vitórias e conquistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, devo confessar que a doçura intensa da figura da menina chegou a causar-me certa repugnância – como se a mente recusasse a existência de alguém tão puro conforme ela foi descrita por seu amigo. Mas, há que se lembrar que a tessitura do texto de Twain tem como base a “produção” de um cronista medieval, o qual nutria grande admiração pela personagem tema, o que bem justifica o tom dulcíssimo da primeira parte da narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda parte a personagem transforma-se: de criança inteligente a adolescente decidida e convencida de suas obrigações divinas – o que leva até mesmo às pessoas mais improváveis a ajudá-la. O poder de sua oratória tão bem desenvolvido ao longo de sua infância é impressionante, apesar de que ela jamais frequentara escolas ou fora sequer ensinada a ler – daí a necessidade de ter um secretário pessoal de absoluta confiança que escreveria todas as suas cartas. Esse era na história, obviamente, o papel de Conte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui há, ainda, passagens pitorescas que me levaram às gargalhadas como quando o tio de Joana descreve um acontecimento em que, ao adormecer no campo, esperando a hora para um velório, decide montar em um touro que, acidentalmente derruba uma colméia causando grande confusão no enterro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras ainda lhe conduzem a um sentimento primordial de amor ao seu lugar, aos seus, à sua pátria como quando é descrita a tomada da bastilha de St. Loup: a forma como Joana o faz, na narrativa, sempre conduzindo seus soldados pela força de suas palavras e pela simbologia de seus atos é, de fato, emocionante. É-se capaz de sentir a fumaça dos canhões e o vento no rosto ao cavalgar-se sobre as palavras de Twain para dentro do campo de batalha ao lado da heroína francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aqui ainda, nesta parte do livro, que Joana deixa de ser uma pessoa e passa a ser a pátria – ela é a França e assim é vista pelos seus e como tal é defendida por seus soldados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira parte conta de seu julgamento pelo bispo de Beauvais Pierre Cauchon – posteriormente decretado herege pela Igreja por ter condenado à morte na fogueira uma inocente em troca de cargo e poder (oferecidos pelo governo inglês). É uma parte pesada e emocionalmente desgastante já que o narrador põe seus próprios sentimentos de expectativa de salvação que, sabe-se, são frustrados ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa é linear, a exemplo das produções medievais – Twain mostrou-se impecável emulando as características dos primeiros historiadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Twain, que admirava a Joana D’Arc histórica desde que um fragmento de sua história caiu em suas mãos quando ele era ainda adolescente, coloca-se sem intermediários – secretário ou tradutor - no apêndice, assinado por ele, onde ele esclarece alguns dos acontecimentos posteriores ao martírio da Donzela, como, por exemplo, seu julgamento de reabilitação, aberto vinte e cinco anos após sua queima como bruxa e herege.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor mescla ficção e história – sua pesquisa para a construção deste texto durou mais de uma década, o que lhe dá forte embasamento histórico. Sendo assim, é-se conquistado pela figura fictícia/histórica desta adolescente que, aos dezessete anos de idade, sem possuir escolaridade em nenhum nível, torna-se a comandante máxima do Exército Francês, conduzindo-o à reconquista da França que jazia sob o controle inglês por décadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais, tornou-se santa: ela foi canonizada em 1920, dez anos após a morte do escritor americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, conhecemos Joana D’Arc - pelo olhar de Mark Twain – alguém histórico, cuja vida pode ser lida nos processos em que foi envolvida – mas que certamente, está além de qualquer explicação racional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-2700518629198870355?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/2700518629198870355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=2700518629198870355&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2700518629198870355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2700518629198870355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/10/joana-darc-de-mark-twain.html' title='Joana D’Arc de Mark Twain??'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-7795443696844473674</id><published>2009-10-08T20:38:00.000-03:00</published><updated>2009-10-08T20:41:06.851-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O Professor e sua representação social</title><content type='html'>Leciono há dezesseis anos – iniciei-me no magistério aos 15 anos, ensinando primeiro a meus amigos e, pouco a pouco, chegando à sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou aula em cursos livres de inglês em Conselheiro Lafaiete além de lecionar em escola regular – do nono ano do ensino fundamental ao segundo ano do ensino médio. Sendo assim, como professora, tenho um leque amplo de alunos que vão desde crianças de sete anos a adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, comprovo no meu dia-a-dia algo que aprendi ainda adolescente, como aluna do CMBH (Colégio Municipal de Belo Horizonte): professores são modelos de comportamento para seus alunos. Podem ser modelos do que eles querem ser, ou exatamente do oposto – dependendo da afinidade que desenvolvem com seus pupilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando de meu antigo colégio, é impossível não recordar que a disciplina lá era bem diferente da encontrada na escola estadual de onde eu vinha. Exemplifico: tínhamos até mesmo que levantar a calça para mostrar a meia branca ao entrar na escola, tal o rigor com relação ao nosso comportamento e a tudo o mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, alunos, encarávamos a disciplina rigorosa com naturalidade – reclamávamos, é claro, mas cumpríamos tudo o que era esperado de nós, já que a escola onde estudávamos era referência na rede Municipal tendo até mesmo prova para admissão e fila de excedentes. Em compensação, vários de seus alunos eram aprovados nos vestibulares quando chegavam ao terceiro ano do Ensino Médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ainda estudava no CMBH iniciei minha carreira de professora. Eu era uma das monitoras que ajudava aos alunos com dificuldade, além de gerar renda dando aulas particulares. Assim, muito cedo, minha visão foi ampliada – além de ver os acontecimentos pela perspectiva do aluno, ainda os via pela perspectiva do professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como aluna, eu admirava os grandes professores que tinha e queria ser igual a eles. Aristides (Matemática), Tânia Moreira (História), Viola (Química), Regina (Português), Beatriz Reis e Jane (Inglês) – eram professores maravilhosos cuja maneira clara, objetiva de ensinar facilitava nosso aprendizado. Suas aulas não eram absolutamente silenciosas. Mas também não eram barulhentas, nem desorganizadas – participávamos, opinávamos. Quando nos excedíamos, eles nos chamavam a atenção, sem nos desrespeitar e obtinham a ordem necessária para o desenvolvimento da aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia ainda o SOE (Serviço de Orientação Educacional) – pavor dos que possuíam pais rigorosos, já que uma chamada ao SOE equivalia à chamada dos pais para uma “Reuniãozinha” – que culminava no tradicional puxão de orelhas em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu também execrava os professores muito tradicionalistas que não nos respeitavam, ou que não explicavam direito, ou que pensavam que não tínhamos o direito de questionar ou reclamar – como alunos deveríamos apenas obedecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como professora e como pessoa, tentava me espelhar nos educadores que eu admirava emulando as técnicas usadas por eles. Durante as aulas de monitoria, eu percebia que muitos realmente tentavam entender, mas tinham dificuldades complicadas para serem vencidas apenas com as aulas em sala. Ao mesmo tempo, cansei-me de esperar por alguns dos malandros que agendavam aulas  de monitoria para dar uma satisfação aos pais e coordenadores e jamais apareciam. E mais, me estressava com os colegas que, simplesmente esqueciam-se da hora de fazer silêncio – com o afrouxamento das regras que aconteceu aos poucos ao longo dos anos em que lá estudei, eles sabiam que nada aconteceria a eles, então, não se davam ao trabalho de prestar atenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei-me para outra cidade, mas continuei muito perto do magistério já que, como sempre havia dito, tornei-me realmente professora fazendo desta minha profissão. E, sempre acreditei no que o Aristides e a Tânia diziam: o professor é um modelo e deve saber também se comportar – tanto em sala quanto fora dela. Digo também porque muitos acreditam falsamente que apenas alunos devem seguir normas de comportamento – o que é falso – elas existem para todos, como eu bem pude aprender lá no CMBH e sempre procurei aplicar em minha vida profissional e pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, essa minha maneira de pensar – de que professores devem ser cautelosos com sua maneira de agir, já que são modelos para seus alunos, especialmente se são admirados por eles – veio à tona quando acompanhei pela TV alguns fatos que me chamaram a atenção. Dentre eles um destacou-se: o de uma professora do primário que, em show de Axé teve sua saia levantada no palco e continuou dançando e rebolando sensualmente arrebitando suas nádegas, enquanto o cantor puxava, com os dedos, sua calcinha para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esclareço: quanto a ela gostar de Axé, freqüentar shows, dançar – isto jamais consideraria problema. Cada qual escolhe a diversão que mais lhe convém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o fato de alguém que é um exemplo para seus alunos sentir-se confortável o suficiente com a exposição de seu corpo de maneira inapropriada, em poses sensuais, em público é muito grave. Denota que, em algum momento na formação dessa professora houve uma falha quando lhe foi demonstrado qual seria seu papel, enquanto ministradora de conhecimento, de valores sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um professor é também um educador – alguém que, mais do que apenas conteúdo, representa os tais valores sociais e éticos. Além disso, ele leva o nome da escola onde leciona – escolas devem ser ambientes respeitáveis onde imperam o zelo pelo conhecimento e o aprendizado para o excelente convívio social, já que está diretamente ligada à formação de seres humanos: de seu caráter, de sua maneira de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consequentemente, como se pode pensar ser possível ser-se professor e expor-se daquela maneira? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine a situação: pais e mães explicam à suas filhas e filhos pequenos que o corpo deve ser preservado e não deve ser exposto frente a estranhos. Explicam-lhes que estes estranhos não estão autorizados a tocar neles, especialmente em suas partes íntimas – que, na verdade, ninguém está. Esta é uma preocupação freqüente dos pais – especialmente em épocas de inúmeros casos de pedofilia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de toda esta orientação, os filhinhos e filhinhas chegam à escola onde lhes são ensinados os mesmos princípios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eles reagiriam ao se deparar com imagens da professora, que muitas vezes é admirada, de quem eles gostam e respeitam, dançando e fazendo exatamente o que eles foram ensinados a não fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você pensar que crianças de 9 ou 10 anos não têm acesso à internet, não seja iludido: se eles não acessam a rede de sua casa, certamente o fazem da escola, da casa dos amigos, do curso de inglês – e ao saber da divulgação no youtube, com certeza procurariam e assistiriam aos vídeos. E uma possível pergunta a surgir na mente daqueles que acham as regras paternas uma “chatice” – e cujos hormônios estão aflorados: se a professora pode, porque eu não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele período de transição da infância para a adolescência e ao longo da mesma, os pais, por mais bem intencionados e corretos que sejam, não são mais os modelos prioritários de seus filhos. Nesse período, eles emulam o comportamento de outros colegas da mesma idade, outros conhecidos pouco mais velhos e, segundo pesquisas utilizadas até mesmo em programas públicos como o PROERD (programa da Polícia Militar mineira que previne o uso de drogas entre crianças e adolescentes), seus professores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não aquele professor chato, antipático e antipatizado que destrata seus alunos. Antes, reproduzem o comportamento daqueles que eles têm em boa conta, com os quais tenham o que chamam de “sintonia”, já que se sentem compreendidos por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isto é ótimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E péssimo também. Explico-me: ao passo que certamente esta é uma oportunidade para os alunos entrarem em contato com maneiras de pensar e comportamento diversos daqueles a que estão familiarizados em casa, tornando-os mais culturalmente enriquecidos, pode também se mostrar um perigo se esse professor não mantiver determinados princípios e uma postura adequada ao cargo que possui. Porque, se, por exemplo, um engenheiro(a) autônomo(a) tivesse o comportamento demonstrado por aquela professora, seria, no máximo, ridicularizado aos olhos de alguns, ignorado por outros. O dano que causaria seria à sua própria imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se alguém que serve de modelo, ou que representa os valores sociais que prezamos como um padre, um pastor, um pedagogo, um médico, um bombeiro – ou um professor – tomam aquelas mesmas atitudes, considerando-se que eles ou estão intimamente ligados ao desenvolvimento intelectual dos jovens ou representam valores sociais como a caridade, o auxílio ao próximo, etc., ele causa dano maior – não apenas a si. Ele espanta a toda a sociedade, já que a mesma entende que suas melhores características são representadas no exercício destas (e de outras) profissões relacionadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que professores não são e nem devem tentar ser perfeitos – isto apenas os frustraria já que a perfeição caminha longe da humanidade. Mas, eles devem ter consciência do que representam tanto para a sociedade como um todo quanto para cada um de seus alunos enxergando assim com clareza seu papel de educador e de possível modelo para gerações ainda em desenvolvimento ético e moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se você pensa que não, que a tal professora não estava exercendo sua profissão, por isso poderia comportar-se como bem entendesse, imagine-se pai ou mãe de uma criança – e ajude a aumentar as estatísticas do vídeo no youtube. Depois de assisti-lo, responda a verdade: você permitiria que aquela pessoa desse aulas para seu pequeno?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-7795443696844473674?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/7795443696844473674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=7795443696844473674&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7795443696844473674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7795443696844473674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/10/o-professor-e-sua-representacao-social.html' title='O Professor e sua representação social'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-8005742181979796758</id><published>2009-09-29T15:28:00.004-03:00</published><updated>2009-09-29T20:02:43.285-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Onde é mesmo Honduras?</title><content type='html'>Já há alguns dias todos temos acompanhado o desenrolar de um Golpe de Estado aplicado em Honduras, onde uma cria de Hugo Chávez tentava iniciar um processo, que entendidos afirmavam, levaria à centralização de poder nas mãos do Executivo, na figura do presidente Zelaya.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que passamos a nos sentir mais confortáveis depois de recorrer ao Google Earth para ver onde fica Honduras. Quando muito, supunhamos que este país ficava na América. Posso até apostar que alguns chutariam África (é o normal – se você não tem certeza de onde fica um país, há boas chances de acerto ao se chutar o nome de um continente enorme dividido em vários países).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, de tanto ouvir notícias sobre o lugar, e, é claro, ver os mapinhas insistentemente mostrados nos telejornais quando tocam no assunto, sabemos que fica na América Central. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. Ali mesmo. No meio daquele monte de Estadinhos Independentes, dos quais raramente nos lembramos da existência, e que são, muitas vezes englobados juntos com a América do Sul em um conjunto chamado América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o fato é que o governo que assumiu o poder após colocar Zelaya, de pijamas, no avião fazendo-o de presidente-pacote, sofreu pressão da comunidade internacional desde o início, mesmo que estivesse tentando evitar que o país sofresse as agruras de uma Venezuela ou de uma Argentina – cujos presidentes democraticamente eleitos ou arrumaram um jeito de perpetuar-se no poder ou faliram o país com medidas populistas ou ambos. (A lista poderia ser bem maior, mas os dois maus exemplos bastam).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, a comunidade internacional viu-se em uma sinuca de bico: tinha de defender Zelaya, mesmo que ele se espelhasse em Hugo Chávez, conhecido humorista internacional afamado por suas medidas hilárias (para quem não é venezuelano, é claro) presidente que qualquer povo de juízo detestaria ter, porque a Direita – que é oposição em Honduras, como no Brasil – em vez de recorrer à dispositivos legais (por medo do resultado, eu suponho), preferiu embrulhar o presidente e despachar por sedex para outro país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, defendia-se o “bolivariano” porque se se apoiasse um Golpe, dentre as conseqüências possíveis estaria o pipocar de outros Golpes em outros países da América menos ajuizada numa sucessão de manobras políticas que poderiam levar à instabilidade Estados já não muito estáveis. Quem não faltou às aulas de História sabe que o risco era real – e que, mesmo hoje, pisam-se em ovos com relação a quais atitudes são as menos erradas – porque chegou-se ao ponto em que para qualquer coisa que se faça, há uma possível ocorrência de eventos desagradáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, verdade verdadeiríssima é que eu sinto saudades da época em que o Brasil podia ser citado como referência mundial em diplomacia: épocas de Osvaldo Aranha, por exemplo, em que o corpo diplomata brasileiro era respeitado a ponto de que o próprio Aranha presidisse a Assembléia da ONU que votou a partilha da Palestina e a formação de Israel. Ou mesmo recentemente, quando Sérgio Vieira de Mello, fatidicamente morto em um atentado a bomba, era figura forte o suficiente para ser cotado para ocupar o mais alto cargo da ONU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diplomacia brasileira já fez muito bonito defendendo a postura de neutralidade que é típica do nosso povo, povo este que não confunde o ser-se neutro com a covardia, como outros povos mais bélicos e menos diplomatas teimam em enxergar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido a estes homens o Brasil conquistou respeito internacional sendo visto como referência regional em mediação de conflitos ajudando a arbitrar sobre questões de diversos de nossos vizinhos – mas sempre deixando que eles encontrassem o próprio caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, vem o Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nossos diplomatas de carreira a frase acima deve soar como maldição. Eles certamente se persignam escondidinho – que diplomata não anda assim falando aos quatro ventos determinadas coisas (por mais que as pensem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na era Lula, além da perda de parte do prestígio internacional longamente batalhado pelo corpo diplomático brasileiro, perdemos ainda uma cadeira na ONU, refinarias de petróleo para a Bolívia, pagamos mais caro pela eletricidade ao Paraguai (que só fornece a água – e nós construímos praticamente toda a usina que produz a tal eletricidade cara) e perigamos várias vezes perder a ascendência regional para o Hugo Chávez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perder para o Chávez é brincadeira! É pior que perder para Argentino: é o mesmo que equiparar a diplomacia brasileira a um circo chinfrim de interior – daqueles que o mesmo artista faz todos os números perdendo 5kg por apresentação de tanto correr pra trocar de roupa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar temos Honduras e seu presidente deposto que se assentou qual rei-abacaxi com chapéu de cowboy, com toda sua corte, em nossa embaixada na capital daquele país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente interino – golpista – decreta estado de sítio, fecha o país, fecha meios de comunicação de oposição e... Cerca nossa embaixada, proíbe o acesso de brasileiros a ela, corta água, luz e provisões (voltou atrás depois, mas o fez) e ameaça expulsar nossos diplomatas de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo: está falando grosso – o presidente golpista de um país que temos que consultar o Atlas para saber onde fica dada a sua relevância internacional – e o Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua falando manso, como quando Morales estatizou nossas refinarias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, que vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que saudades da verdadeira Diplomacia – aquela que defendia os interesses brasileiros com firmeza – e não condescendência excessiva com quem depena bens do país. Que era neutra – mas não covarde. Que construiu um nome e respeito para este país – nome e respeitos estes que vimos rebaixados a níveis venezuelanos recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, que saudades de épocas menos embaraçosas. Espero apenas que ainda haja aqueles, diplomatas de carreira que não rezem pela cartilha falida de esquerda, escondidinhos em algum quartinho do Itamarati, esperando apenas que a era de frutos do mar passe para vir à tona e limpar a caca deixada para trás por esta pseudo-diplomacia que botou um nariz de palhaço na imagem do Brasil no exterior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-8005742181979796758?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/8005742181979796758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=8005742181979796758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8005742181979796758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8005742181979796758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/09/onde-e-mesmo-honduras.html' title='Onde é mesmo Honduras?'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-5244889965703121702</id><published>2009-09-25T11:36:00.001-03:00</published><updated>2009-09-25T11:38:53.641-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>OI, pessoal! Essa semanafiquei devendo o texto porque fiquei de cama com gripe: seja suína, ovina, bovina - o que sei é que fiquei muito mal. Mas, já estou melhorando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim justificar e já estou voltando para a cama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem o texto para semana que vem... Beijo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-5244889965703121702?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/5244889965703121702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=5244889965703121702&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/5244889965703121702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/5244889965703121702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/09/oi-pessoal-essa-semanafiquei-devendo-o.html' title=''/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-3971154737528708140</id><published>2009-09-15T19:08:00.002-03:00</published><updated>2009-09-15T19:21:02.228-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O Bullying e a falta de empatia</title><content type='html'>Outro dia, em sala de aula, aconteceu um fato que chamou a minha atenção para um assunto muito comentado recentemente: o “bullying”. Para quem não sabe, este é um termo em inglês que, fazendo referência ao "bully" (valentão) e seu comportamento agressivo, designa alunos que, demonstrando o mesmo tipo de atitudes, intimida e agride – verbal ou fisicamente – os seus colegas de escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acontecido foi o seguinte: em uma das minhas turmas há um menino, obeso e bem alto – extremamente simpático e educado, o qual chamarei de Marco – que vivia, ao contrário do esperado, xingando seus colegas, interrompendo as aulas. Várias vezes, chamei-lhe a atenção. Ele sempre se desculpava e calava-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto sempre me intrigava, já que tal comportamento parecia díspar em relação à sua personalidade – mas ele jamais comentou absolutamente nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pela terceira aula em que isto aconteceu, uma pessoa, outro aluno, amigo dele, procurou-me fora da sala, em particular. Disse-me que o tal aluno apenas estourava porque os demais o irritavam a ponto dele explodir, fazendo piadinhas com relação ao seu peso e tudo o mais que eles pudessem mencionar de maneira pejorativa. Disse-me ainda que eles o faziam de propósito, em todas as aulas, e que ele, mesmo tentando, não conseguia conter-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeci a este aluno, pela atenção com o colega e pela confiança e pus-me a refletir sobre como poderia solucionar esta questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo percebi que, a primeira hipótese a surgir ao se pensar na situação é que Marco reagia infantilmente. Que era inocente ao não perceber que seus colegas zombavam dele apenas porque sabiam que ele iria acabar esbravejando e sendo repreendido pelo professor presente em sala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o que pensei imediatamente após elaborar esta primeira teoria foi que é muito simples julga-lo “o inocente” e “o despreparado” transformando-o de vítima em culpado. Seria o mesmo que dizer que a mulher violentada carrega qualquer culpa pela violência sofrida por, por exemplo, usar roupas curtas, eximindo, mesmo que parcialmente, o autor da violência de culpa – como se o violentador fosse um animal guiado pelo instinto e não um humano dotado de raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dirão que a comparação é exagerada. Bem, discordo. Obviamente, que as marcas traumáticas causadas por uma violação sexual – sejam elas físicas ou psicológicas - serão duradouras, sendo que das segundas, pode ser que a vítima jamais se recupere. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, quando se fala de violência moral, de agressões verbais, também se fala de algo que deixa marcas perenes: especialmente quando os envolvidos estão em plena fase de desenvolvimento, ainda terminando de moldar a forma como encaram a si mesmos e ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto significa que, para Marco, não existiam marcas físicas a exibir para comprovar a violação, mas as marcas internas causadas por repetidos abusos morais, bem, estas, apenas ele poderia dizer o quanto doíam ou incomodavam – e não cabe a mim ou a qualquer outra pessoa classificá-las de infantilidade ou exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a esta conclusão pensando na empatia, sentimento este que sempre procuro enfatizar por tornar as relações sociais mais amenas e mais fáceis. E foi ainda em cima da empatia que embasei toda a minha argumentação para conversar com a sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, na aula seguinte, comecei com uma prosa. Iniciei dizendo que sempre me perguntava por que Marco parecia tão impaciente às vezes e, ao mesmo tempo, não se queixava de nada. Disse ainda, que, um aluno da sala, se sentindo condoído pelo colega, havia me procurado e, sem mencionar nomes e nem ser específico, havia me dito das brincadeiras que irritavam tanto o rapaz em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles tiveram a reação esperada: começaram dizendo que se tratavam de brincadeiras inocentes, não feitas com o objetivo de ofender ou intimidar. A princípio, concordei com eles: “Puxa, realmente é uma infantilidade se ofender assim, né?...” Dei bastante espaço para eles se pronunciarem, justificando-se. Aí, sapequei a pergunta: “Mas, e se essas “brincadeiras” fossem feitas com seu irmão, sua mãe ou com você? Como você se sentiria no direito de reagir? Ainda assim, as consideraria inofensivas?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem que eu aprendi isto com Samuel e o Rei Davi, no caso das ovelhas (metáfora para uma mulher casada, a qual o soberano havia usado de sua influência para conquistar), lá no velho testamento. Segundo a argumentação ali, conta-se o caso e inverte-se a situação para que a pessoa possa colocar-se no lugar da ofendida, percebendo seu erro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no velho testamento, funcionou perfeitamente. Toda a argumentação em defesa dos “brincalhões”, que na verdade praticavam uma das formas de bullying, caiu por terra e eles comprometeram-se a não repetir as tais brincadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco, a princípio, sentiu-se um pouco intimidado quando comecei a falar, especialmente quando parecia que eu também achava as brincadeiras inofensivas. Entretanto, sua expressão de alívio fez valer a pena toda a conversa e vinte minutos de aula gastos levando a galerinha a raciocinar e a repensar suas atitudes. Ainda, me desculpei com ele por não tê-lo procurado antes para saber se havia algo de errado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, por sua vez, conversou comigo depois da aula para me agradecer por tê-los feitos ver os acontecimentos na pele dele, em seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro, que ao final de minha fala, deixei bem claro que não admitiria a repetição de tal comportamento: nem contra Marco ou qualquer outro – e eles entenderam bem o recado, já que, mesmo depois de algumas semanas, não vi este tipo de episódio repetir-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, posso dizer, que minha reflexão sobre estes acontecimentos ainda permanece. É interessante perceber como que, se perguntados, todos são contra o bullying em todas as suas formas. Mas, ao mesmo tempo, são incapazes de perceber que algumas de suas práticas estão intrinsecamente ligadas a ele: não é preciso bater em alguém ou tomar seu lanche, ou trancá-lo no armário – como se vê em filmes americanos - para que se seja praticante deste comportamento deplorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o mesmo que dizer que para se ser classificado como racista, precisa-se, frontalmente, agredir a alguém de cor diferente da nossa. Que as piadinhas ou “brincadeirinhas” vexatórias ‘não têm nada a ver’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se ser um “bully” ou um preconceituoso, basta que se use de qualquer forma de violência para agredir ao colega. Não importa se esta é verbal ou física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo pensando semanas seguidas sobre este assunto, é interessante perceber como sempre chego à mesma conclusão: tudo seria bem mais simples se todos se utilizassem da empatia - ficaria bem mais fácil julgar o que é ou não ofensivo ao nos colocarmos no lugar do outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tudo bem! Sei que empatia rima com utopia, mas não custa tentar... Alguém ainda vai me ouvir, como espero que aqueles meus aluninhos tenham me ouvido. Como disse, não custa tentar ).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-3971154737528708140?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/3971154737528708140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=3971154737528708140&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3971154737528708140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3971154737528708140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/09/o-bullying-e-falta-de-empatia.html' title='O Bullying e a falta de empatia'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-564362572329512142</id><published>2009-09-08T10:59:00.004-03:00</published><updated>2009-09-14T17:38:01.115-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Heavy Metal: Pedras que continuam a rolar'/><title type='text'>Heavy Fest 2009 - Impressões e Digressões</title><content type='html'>Sábado, dia 05/09/2009, aconteceu em Conselheiro Lafaiete-MG, na Confraria, o Heavy Fest, em sua 5ª edição. Este evento é organizado por Anderson Sabazinho que, mesmo não tendo a produção de eventos como sua atividade principal, dedica-se anualmente à produção de, pelo menos, um festival voltado para o público Metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os eventos deste apaixonado pelo metal pretendem sempre abranger várias vertentes do estilo, em especial o Thrash, o Death e o Heavy. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último Heavy Fest, não foi diferente. Seis bandas foram convidadas para participar do evento: Sflexia (Crossover), Sacrament (Heavy e Thrash), Hammurabi (Death Metal), Excaliburn (Melodic Death Metal), Mercuryio (Heavy Metal) e a minha banda: Achilles (Heavy Metal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público Metal, como sempre, raivoso na aparência, pacífico e de fácil manejo no procedimento, como o próprio pessoal da casa de shows pôde ressaltar – era a primeira vez que eles alugavam o espaço para um evento da nossa galera e mostraram-se surpresos com o pessoal que, segundo palavras deles, queria apenas curtir o som das bandas, agitar e beber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, nada de confusão e quebra-quebra, como muitas vezes se vê em outros tipos de eventos, para outros tipos de público. Por isso, o pessoal da Confraria mostrou-se, ainda, inclinado e aberto à produção de novos eventos voltados para o nosso público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este comentário, para mim, foi um dos pontos altos da noite. Veio corroborar o que venho afirmando há anos: o preconceito atinge em cheio a galera do Metal que se vê estereotipada, encaixada em uma fama que não lhe faz justiça. E para aqueles que, mesmo tomando conhecimento deste tipo de comentário e que, ainda assim, pensa que isto é um fato isolado, convido a ler a reportagem da Veja sobre o assunto, na qual este veículo absolutamente respeitado, afirma que os headbangers apesar das “caras de maus” são pacíficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, mesmo que vá a um evento com o objetivo de tocar, considero de bom tom assistir aos shows apresentados – afinal, o movimento é feito para nós e merece nossa audiência. Desta forma, assisti a todos os shows, exceto o logo anterior ao da minha banda, o Hammurabi – o qual apenas ouvi do camarim -  já que usamos esse tempo para reunir instrumentos e aquecer vozes e dedos e nos preparar para defender com honra a bandeira do Heavy Metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma surpresa extremamente positiva para mim foi o show do Sflexia. Já havia estado presente a algumas apresentações desta banda lafaietense que faz som Crossover e, desta vez, percebi uma evolução grande dos meninos em relação à qualidade do som que se apresentou pesado, bem trabalhado e com letras fortes e altamente críticas. Posso dizer que curti bastante a apresentação deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A galera do Thrash e do Death também mandou muito bem, de uma maneira geral. E, é sempre bom destacar, o pessoal tem se preocupado muito em produzir seu próprio som: quase todas as bandas levaram CDs com músicas próprias, os quais puderam vender para a galera presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, quando procurei alguns para comprar, uma parte das bandas já havia ido embora com suas respectivas excursões. Quero crer que havia motivos justos para tanto, já que é de bom tom que se assistam aos outros shows e que, especialmente, não se leve embora parte do público, colaborando assim para que as outras bandas também possam fazer apresentações prestigiadas pela galera, com um público em número representativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O excelente foi que, apesar de que a Banda Achilles, da qual sou vocalista, ser a quinta da noite – o que significa que começamos a tocar próximo das duas da manhã - tivemos um público envolvido, presente e que nos deixou extremamente satisfeitos. Durante o festival, apresentamos apenas covers. Escolhemos medalhões – músicas já conhecidas e respeitadas, de bandas que colaboraram com a criação do Heavy Metal como o conhecemos hoje. Maiores esclarecimentos sobre a origem deste estilo de som podem ser encontrados no texto “&lt;a href="http://vozemais.blogspot.com/2009/08/denin-and-leather-sobre-origem-do-heavy.html"&gt;Denim and Leather: sobre a origem do Metal&lt;/a&gt;”, aqui mesmo neste blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, visitamos o trabalho da tríade fundadora do Metal – Deep Purple, Led Zeppelin e Black Sabbath – além de também tocarmos Iron Maiden, AC/DC e Helloween.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nós foi realmente emocionante ver a reação do público que bateu cabeça com vontade e interagiu conosco o show inteiro. É sempre interessante para mim, em particular, perceber como músicas que têm 30, 40 anos ainda comovem a galera metal. Como já mencionado em texto anterior, o balançar dos cabelos é uma louvação por parte do banger. Assim, sentimo-nos bastante elogiados ao ver pessoas com camisas de bandas de estilos completamente diferentes do nosso – como Slayer, Krisium, Behemoth, Death – agitando, na primeira fila, com nosso som, no qual reproduzimos, respeitosamente, o som das bandas que curtimos. A camisa que levamos para dar de brinde, por exemplo, foi presenteada para um banger, com a camisa do Slayer, que agitou o show inteiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, é claro, ressalto a qualidade dos músicos que tocam na Achilles, os quais admiro profundamente. São eles: Nilson Lima e Ícaro Honori, guitarristas que primam pela excelência, ambos solistas de qualidade; Mário Henrique, baixista que, apesar do relativamente pouco tempo com o instrumento, tem conseguido desenvolver um estilo próprio e, é claro, Sandinho, de quem eu poderia ser considerada suspeita para falar devido ao nosso casamento de mais de década. Porém, posso dizer que relacionamento amoroso não tem nada a ver com música e que, por ser ele quem é e o que representa para mim, isto o torna ainda mais visado para os meus ouvidos que não se decepcionam ao ouvi-lo tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro também, que hoje, considero impossível considerar a banda Achilles como sendo composta por apenas nós cinco. Contamos com o apoio impagável da Bárbara Dutra, namorada do Ícaro que, além de curtir nosso som, está sempre conosco, auxiliando e correndo atrás de absolutamente tudo o que se mostrar necessário. Assim, podemos, em nosso pouco tempo - todos trabalhamos em outras áreas: a música é nosso hobby – nos preocupar exclusivamente em tirar música, fazer música porque ela cuida, com muito boa-vontade, de todo o restante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, com essa galera de qualidade, levamos nosso som para o Heavy Fest V e, posso afirmar, que não nos decepcionamos. O Sabazinho, amigo de anos, nos deu toda a assistência necessária. O Régis colaborou bastante com o som, que foi bem definido – não adianta nada os guitarristas estarem destrinchando solos complexos se ninguém consegue ouvi-los, ou se os instrumentos embolam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o público, bem, este nos causou grande emoção ao cantar conosco jogando seus cabelos, batendo cabeça, pedindo bis e gritando nosso nome no final. Foi absolutamente emocionante. Além disto, é sempre bom destacar o espírito de cooperação que impera neste tipo de eventos: quando o Sandinho teve problemas na bateria, contou com o apoio do Crislei, parte do público presente e também integrante da Hammurabi, que, até mesmo se prontificou a emprestar parte do seu equipamento, se necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, um grande beijo a todos e até o próximo evento, porque tocando ou não, certamente estaremos lá, do começo ao fim, prestigiando o Movimento Metal, do qual, orgulhosamente, fazemos parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, uma pequena amostra dos covers que a Banda Achilles apresentou. Hail Metal!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Back in Black"&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/GmR0NGcu5AM&amp;hl=pt&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/GmR0NGcu5AM&amp;hl=pt&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Smoke on the Water"&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/uVQAwNypIKc&amp;hl=pt&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/uVQAwNypIKc&amp;hl=pt&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The Trooper"&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/soL4IpiqkGU&amp;hl=pt&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/soL4IpiqkGU&amp;hl=pt&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-564362572329512142?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/564362572329512142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=564362572329512142&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/564362572329512142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/564362572329512142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/09/heavy-fest-2009-impressoes-e-digressoes.html' title='Heavy Fest 2009 - Impressões e Digressões'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-3386687745980177706</id><published>2009-08-31T11:08:00.003-03:00</published><updated>2009-08-31T11:34:04.990-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>PRECONCEITO SE APRENDE EM CASA, NA ESCOLA...</title><content type='html'>Semana passada, ainda no jornal da manhã, vi um fato, acontecido no estacionamento do Carrefour (São Paulo), que, mais uma vez, me fez refletir sobre a questão da discriminação de cor que existe no Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preconceito de cor, sim. Recuso-me a usar a palavra raça – já que creio que todos nós, homo sapiens, mesmo que de origens e etnias diferentes, pertençamos à mesma raça: a humana e, como tais, somos detentores dos mesmos direitos e obrigações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que, sempre existirão aqueles que, em prol de defender seus conceitos e vantagens, sob forma de indenização procrastinada sobre males históricos, defenderão o conceito de raça negra, raça branca, raça amarela, raça indígena, raça dominante, raça subjugada, etc., tentando separar aqueles que são sofredores ou não, injustiçados ou não. Como se, em um país multicolor como o Brasil, fosse possível separar aqueles que descendem de tal ou tal etnia pela sua aparência, ou pela aparência de seus descendentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o fato reportado no jornal foi o seguinte: seguranças do mencionado supermercado espancarem um cidadão, da cor preta, no estacionamento, por concluírem que o mesmo estava roubando seu próprio carro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, ainda deitada e cochilando, imediatamente despertei e comecei a prestar atenção. Assuntos assim me interessam sobremaneira já que, como pertenço, pelo lado materno, a uma família de negros, (evocando conceitos de raça segundo preferem alguns, em vez da terminologia oficial pretos, que se refere somente à cor da pele), cheguei a presenciar o preconceito em diversas ocasiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira de todas, e a que considero mais relevante, por ter me feito refletir, tendo acontecido há muitos anos, eu ainda menina. Meu pai havia comprado uma cota em um clube, no bairro Serra Verde, próximo à casa de minha avó Hilda, a mãe de minha mãe. Ele procurou saber quais os procedimentos que seriam necessários para que levássemos dois convidados – minha avó e minha tia, que era da minha idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as exigências cumpridas, seguimos todos para o clube – meus pais, minha irmã e eu, além de minha avó e minha tia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao parar na portaria, meu pai foi discretamente chamado para a gerência, enquanto aguardávamos do lado de fora, antes da cancela. Ele demorou-se alguns minutos e depois saiu, de cara séria e levou-nos embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos todos sem entender, já que ele não mencionou o que haveria acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguimos para a casa da vovó e lá, eles nos mandaram – éramos crianças – brincar no quarto, enquanto discutiam algo na sala. Obviamente, que curiosa como eu estava, dei um jeito de ficar ouvindo o que falavam, sem ser percebida. Sei que isto é horrível, mas vai explicar isto para uma criança de cerca de 8 anos cujo passeio ao clube fora frustrado sem explicações!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi meu pai, que não é caucasiano, mas é considerado branco para os padrões brasileiros, explicar à minha mãe e minha avó que a entrada dela e de minha tia havia sido barrada devido à cor da pele delas – eram pretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente falando, eu jamais havia me dado conta disto: minha avó, minha tia, meus dois tios - irmãos de minha mãe - meus tios-avôs e tias-avós - irmãos de minha avó - e todos os meus primos eram pretos; alguns mais claros, como a Camila Pitanga, outros mais escuros, como o Grande Otelo, mas todos pretos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu jamais percebera, ao longo da minha vidinha de 8 anos,  de que havia algo de diferente entre esta parte da minha família e a outra, do meu pai, que era branca (obviamente que para os padrões brasileiros, o qual difere das definições utilizadas mundo afora para caucasiano). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, do mesmo jeito que eu gostava da minha avó que acabara de descobrir que era preta – e ainda amo - eu gostava da minha avó branca, a Luíza, que já faleceu há alguns anos. Amava e respeitava aos meus tios e tias da mesma maneira, brincava com todos os primos do mesmo jeito – nem eu, nem minha irmã, fomos ensinadas a ver ou fazer diferença entre as pessoas devido à cor de sua pele. Fomos ensinadas a amar e respeitar aos nossos e aos outros - e ponto final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão da cor da pele jamais havia sido discutida ou mencionada como sendo algo que fizesse parte de qualquer decisão que tivéssemos que tomar ou de qualquer sentimento que fôssemos desenvolver por alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto foi assim que, apenas naquele momento, eu percebi que aquele “negócio” de pretos e brancos, do qual eu ouvira falar na escola, referia-se também à minha família e, consequentemente, a mim – que apesar de ter uma cor classificada como branca por muitos, não sou caucasiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E posso dizer que fiquei com raiva. Muita raiva. Raiva das pessoas que haviam impedido o nosso passeio por fazerem uma diferença entre seres-humanos, diferença esta que, em minha sabedoria infantil, eu sabia que não havia. Raiva por ter visto minha avó receber a notícia com tristeza e abatimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento foi tão forte que, até hoje, quando falo do assunto, sinto a mesma efervescência interna – raiva como apenas as crianças são capazes de sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, tudo que se refere ao preconceito de cor, considero ser de meu interesse: acompanho bem de perto. E continuo a me chocar com a forma com que as pessoas tratam seus iguais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquele momento em diante, comecei a observar como este mal social está enraizado em nossa sociedade – onde se dizer que se é preconceituoso é ofensivo e inaceitável. É crime passível de prisão, inclusive. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, onde também se contam piadas que envolvem pessoas pretas, em situações vexatórias, e se ri delas sem a menor cerimônia. Onde pessoas que fazem a segurança de um local público sentem-se no direito de espancar outra porque um carro, pago à custa de muito trabalho, não pode pertencer a alguém preto e de aparência simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei também, ao longo de meus anos como aluna, a maneira pela qual, apesar de pertencer a um país onde a mistura de etnias e cores é a regra histórica e não a exceção, a nossa história é branca. É o que se vê nos nossos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em épocas em que a internet não existia e a fonte maior de pesquisa era a &lt;em&gt;Barsa&lt;/em&gt;, interpelei meus professores diversas vezes quanto a se não havia pretos que participaram ativamente da construção de nosso país, de nossa história. A resposta era sempre a mesma: “Claro que sim: Zumbi e Xica da Silva”. Mas só eles? - era o que eu me perguntava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medida em que fui crescendo, a temática do preconceito começou a ser mais discutida socialmente e a informação tornou-se menos difícil, comecei a procurar por mim mesma as minhas respostas. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que alguns de nossos nomes da literatura eram mulatos. Nomes de peso como o de Machado de Assis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri ainda, mencionando apenas algumas figuras, pessoas relevantes como Luiz Gonzaga Pinto da Gama, João Cândido Felisberto, Abdias do Nascimento. O primeiro, jurista e jornalista que, em épocas de escravidão, utilizava-se de meios legais para garantir a liberdade de escravos. O segundo, em épocas em que legalmente a escravidão já era extinta, lutou contra os castigos corporais na Marinha brasileira na chamada de Revolta da Chibata. Já Abdias é um nome influente na atualidade defendendo o respeito ao povo preto, negro como ele prefere, e a sua inclusão social através de políticas de proteção, como as cotas em universidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo meus argumentos já devem ter deixado claro, sou &lt;strong&gt;contra &lt;/strong&gt;as tais cotas oferecidas àqueles de determinada cor – já que, meramente a cor não faz com que o indivíduo seja necessitado de auxílio ou seja incapaz de conseguir sucesso por méritos próprios. Defendo, antes, que a proteção do Estado seja dada a todos os que dela necessitam por encontrarem-se em desvantagem social – ou seja, a todos os pobres, independentemente de sua cor ou ascendência. Mas, porque discordo de pontos defendidos por aquele poeta, ator e ativista, não quer dizer que ele não exista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, hoje, como adulta, tendo refletido muito sobre aquele primeiro acontecimento de preconceito que eu presenciei, me informar e ler, posso entender que preconceito, não se nasce com ele – se aprende, ou não. Em minha família, por exemplo, não o aprendemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, a temeridade que percebo é que, mesmo não tendo aprendido o preconceito em casa, eu também poderia tê-lo aprendido na escola ou no convívio com outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola, sim, pois como explicar o fato de que inexistem nos livros personagens relevantes advindos das principais etnias – branca, preta ou indígena? Fica implícita, a meu ver, a conclusão de que pretos e indígenas não colaboraram historicamente por incapacidade. De que outra forma sua ausência poderia ser entendida por aqueles que não se deram ao trabalho de pesquisar e saber que eles existiram e que estão meramente omitidos ou citados de passagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, entendo como sendo não apenas meu dever, como educadora, mas o de toda uma sociedade ensinar a seus filhos que discriminação de qualquer espécie – cor, sexo, religião, orientação sexual, posição social – é vergonhosa e criminosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que, principalmente em nosso país, não somos nem pretos, nem brancos, nem amarelos, nem indígenas – somos todos brasileiros, descendentes diretos ou indiretos de várias etnias e que, por isso, devemos aceitar e respeitar a todas, já que todas compõem a nossa ascendência e a nossa história. Em nosso DNA estão presentes tanto os violinos europeus quanto os tambores africanos e ameríndios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas com esta compreensão teremos, enfim, a consciência de povo, enquanto nação brasileira, orgulhosamente multicolor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-3386687745980177706?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/3386687745980177706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=3386687745980177706&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3386687745980177706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3386687745980177706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/08/preconceito-se-aprende-em-casa-na.html' title='PRECONCEITO SE APRENDE EM CASA, NA ESCOLA...'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-4089730118112790490</id><published>2009-08-24T14:47:00.002-03:00</published><updated>2009-08-24T14:55:29.406-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Sádico, violento e odioso</title><content type='html'>&lt;em&gt;Publicado na 102ª edição do jornal "&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Conhece-te a ti mesmo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mês prosearemos sobre uma das obras de Donatien Alphonse François, o Marquês de Sade – ele mesmo: aquele que deu origem ao nome Sadismo que se refere a um transtorno de ordem sexual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se lê Os 120 dias de Sodoma entende-se exatamente porque o nome de seu autor foi usado para nomear esta perversão: este livro é a epítome do horror sexual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na introdução do livro, após uma pequena contextualização histórica onde Sade explicita a situação da França à época de Luis XIV – tesouro e povo exauridos – somos apresentados às protagonistas: figuras poderosas, influentes e muito ricas estando acima de qualquer possibilidade de justiça – o que é primordial tendo em vista os acontecimentos que se desenrolarão ao longo do enredo. São eles: o Duque de Blangis e seu irmão o Bispo de X (que, por questões de verossimilhança tem seu nome ocultado), Durcet e o PRESIDENT Curval. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes homens, já de início, nos são mostrados como amorais e como tendo experimentado todos os vícios possíveis a milionários de desejos incomuns. Para que se tenha uma idéia da percepção alterada destes homens, eles combinam casarem-se, cada qual com a filha do outro – cada pai deixando bem claro já ter cometido incesto com suas respectivas filhas. E mais, o desejo explicitamente revelado de cada um deles é: ao casar-se com a filha do amigo e comparsa para fazer dela uma escrava que execute todos os seus desejos e desígnios, já que, como esposas, as moças estariam presas a laços sociais e legais que protegiam maridos em detrimento de seus cônjuges. Ainda, segundo acordo mantido entre eles, cada pai continuaria tendo acesso sexual a sua filha, já que eles fariam um rodízio de esposas.&lt;br /&gt;Além delas, em suas orgias, não havia limite mínimo ou máximo de idade, classe social, sexo ou situação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumidamente, não possuíam preferência, exceto o excesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no começo do livro, cansados de Paris, arquitetam um plano macabro segundo o qual ficariam enclausurados em um castelo com pessoas escolhidas e, em sua maioria, seqüestradas por seus asseclas. Dentre estes, há quatro idosas, oito homens (cuja exigência é que tivessem um membro de tamanho descomunal), quatro prostituas experientes que contariam histórias vividas por elas, oito meninos, oito meninas e as quatro esposas. Contando com os funcionários e as quatro personagens principais, estariam no castelo quarenta e seis pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante dizer que destes, ao final dos cento e vinte dias de orgia, depravação e torturas, apenas dezesseis, contando com os quatro protagonistas, sobreviveriam para voltar à Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo destes dias no castelo, Sade expõe toda a sua maestria em dominar a expressão ao descrever em pormenores os corpos e acontecimentos: ora tem-se a imagem angelical – quando, por exemplo, ele descreve Augustine, uma das adolescentes sequestradas – ora tem-se imagens degradadas e que causam asco (por falta de palavra mais forte) – como quando ele descreve Curval e o seu ânus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, ao chegar aos capítulos finais, Sade muda radicalmente a forma do livro: deixa de descrever em detalhes as situações passando a contar as torturas sob forma de apontamentos. Ao lê-los, tive a impressão que ou ele não conseguiu concluir seu manuscrito da forma como desejaria deixando de expandir as idéias, ou ele mesmo cansou-se de tanta vilania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do livro, o autor promove uma inversão de valores morais, éticos e religiosos, pois, ao passo que descreve os crimes desprezíveis que suas personagens cometem para satisfazer desejos sexuais - incesto, pedofilia, COPOFAGIA, estupro, tortura, assassinato – ele os classifica como “nossos heróis” dando, até mesmo, uma aura de comicidade a determinados eventos chocantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também questiona a aparente inépcia de Deus e da Igreja em cuidar de questões terrenas, já que Constance, uma das esposas e muito temente a Deus, é insistentemente torturada e confrontada com a falta de ação deste Deus a quem ela tanto adora e recorre. Isto é reforçado pela presença do Bispo que promove casamentos homossexuais em uma espécie de pantomima onde os mestres casam-se com meninos travestidos; ou vestidos com roupas femininas casam-se com homens. O próprio Bispo é homossexual: quando passivo gosta de homens másculos e bem dotados. Quando ativo, prefere menininhos – o que nos remete a problemas tão atuais quanto a pedofilia no âmbito da Igreja Católica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa-se ainda que, à maneira medieval, Sade usa seus personagens como referência à classe de pessoas, não indivíduos, sempre grafando com letras maiúsculas suas funções e usando-as mais que os nomes próprios dos mesmos. Este recurso foi largamente utilizado por Gil Vicente em seu teatro, por exemplo. &lt;br /&gt;Sendo assim, têm-se ali os estereótipos do político (Curval), do religioso (Bispo), do bon-vivant (Durcet) e do aristocrata (Duque). Todos corruptos, cruéis e milionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve-se ainda lembrar que, ao escrever este livro considerado sua obra-prima, Sade estava encarcerado na Bastilha. Ele constituía um embaraço para os altos círculos políticos, religiosos e sociais da França com seus escritos e comportamento devasso. Porém era admirado e lido pelo “povo”, como continua sendo até hoje. Na França, estuda-se Sade no ensino médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando, pois, na prisão política mais famosa da França, impedido de comunicar-se, restava-lhe o poder de sua pena. Desta forma, ao levar sua imaginação ao auge do horror sexual, era como se ele afirmasse: “Podes encarcerar-me, mas minha mente é livre. Sendo livre, choco-vos o quanto quero.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando da quebra da Bastilha, este manuscrito foi esquecido, tendo sido publicado apenas em 1935.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido ao seu conteúdo absolutamente perverso, ele já foi até mesmo difícil de ser encontrado em português. Anos atrás, quando adquiri o meu tive de importá-lo em inglês. Atualmente, é possível encontrar edições com facilidade em nossa língua.&lt;br /&gt;Confesso que o li apenas uma vez, tendo comprado por absoluta curiosidade – sempre gostei de ler Sade me divertindo com sua mente perversa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de sua estética e tessitura textual absolutamente talentosa, Os 120 dias de Sodoma possui passagens que pesam, de fato, o coração de alguém fruto da sociedade moderna ocidental – como a descrição pormenorizada dos estupros das crianças e adolescentes, das fantasias escatológicas e/ou assassinas. Ao terminar a leitura do meu exemplar, o escondi no fundo de uma gaveta – a simples visão dele me angustiava, tais os horrores descritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, sempre lembro àqueles que o leram e mostram-se chocados, que é importante notar que Sade apenas imaginou as perversões ali descritas. De acordo com o conhecimento que possuímos de sua vida, o sadismo não era levado por ele aos extremos do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o que realmente me atemoriza é o conhecimento de que, ao passo que existiu alguém capaz de imaginar, existirá sempre alguém capaz de executar. Basta ler os noticiários e ver que tenho razão.&lt;br /&gt;O&lt;br /&gt;bviamente, esta não é uma obra que eu recomendo àqueles que possuam entes queridos desaparecidos, mas, certamente, é um livro interessantíssimo para aqueles que se perguntam até onde a mente humana é capaz de chegar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apenas se aventure se você possuir estômago para tanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-4089730118112790490?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/4089730118112790490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=4089730118112790490&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/4089730118112790490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/4089730118112790490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/08/sadico-violento-e-odioso.html' title='Sádico, violento e odioso'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-7652868733044106706</id><published>2009-08-20T08:40:00.002-03:00</published><updated>2009-08-20T08:45:54.022-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comentário'/><title type='text'>Gripe Suína em Conselheiro Lafaiete</title><content type='html'>É interessante a forma como os meios de comunicação em massa de Lafaiete não divulgam informações sobre a Gripe A na cidade. Durante algum tempo, teve-se, devido a isto, a impressão de que vivia-se em um oásis em que a doença não havia ainda chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, conversando com pessoas que possuem informações privilegiadas por terem conexão - direta ou indireta - com os maiores hospitais da Cidade, qual não foi minha surpresa ao ser informada de que há, inclusive óbitos devido a nova gripe em nosso município, enquanto que outras pessoas, infectadas, foram transferidas para outras cidades - Barbacena e Belo Horizonte - devido à falta de leitos nos hospitais da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a população segue desinformada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-7652868733044106706?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/7652868733044106706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=7652868733044106706&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7652868733044106706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7652868733044106706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/08/gripe-suina-em-conselheiro-lafaiete.html' title='Gripe Suína em Conselheiro Lafaiete'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-6694014812172714447</id><published>2009-08-15T11:46:00.004-03:00</published><updated>2009-08-17T11:46:37.801-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Estado Ateu ou Estado Laico: sobre a geléia geral feita destes conceitos</title><content type='html'>Esta semana saiu na edição do Correio da Cidade, um dos principais jornais da cidade de Conselheiro Lafaiete, comentário de um articulista referente ao pedido de liminar feito pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, do estado de São Paulo. Tal liminar determinaria que todas as imagens e símbolos religiosos em exposição em repartições públicas federais do país fossem retirados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opinião do referido articulista me surpreendeu – de acordo com o mesmo, a retirada de tais símbolos ofenderia a fé dos brasileiros, os quais se reconhecem como cristãos. Ele ainda parte para a acusação afirmando que este pedido só pode ter sido feito por pessoas que “temem” ao Deus cristão e aos seus olhos acusadores – já que os símbolos em exposição seriam, segundo o próprio colunista, representações que remetem ao Cristo e à fé inaugurada por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a verdade é que esta coluna me deixou extremamente desapontada. E furiosa também: pretensão e preconceito travestidos de conhecimento ainda me surpreendem bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico-me, como sempre – mas antes de explicar-me, reafirmo que, pessoalmente, não possuo absolutamente nada contra nenhum tipo de fé, seita ou religião (para evitar mal-entendidos). Desde, é claro, que a mesma defenda princípios fundamentais baseados no amor e respeito ao próximo – princípios estes que tornam a convivência social possível. Sendo assim, nem judeus, nem praticantes do umbanda ou do candomblé, nem muçulmanos ou quaisquer outros pertencentes às centenas de expressões de fé existentes e compreendidas no mundo, ou mais especificamente, dentro do território brasileiro, serão alvo de meu desrespeito ou preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo, no que depender de mim, terão de contemplar imagens que nada lhes dizem, em local de destaque e veneração em repartições públicas – repartições estas que são sustentadas pelos impostos pagos também por eles, não apenas pelos que são cristãos - é sempre conveniente lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, raciocinemos como o colunista do Correio – apenas usando um princípio cristão, a chamada Regra de Ouro: o de não fazer aos outros o que não queremos nós mesmos sofrer, segundo defendido pelo Cristo. Assim, empaticamente, imaginemos a situação ao contrário: será que o mesmo articulista se sentiria confortável se, ao adentrar um local público – federal ou não – se deparasse com a imagem de Yemanjá ou de qualquer outra divindade cultuada nas inúmeras religiões e seitas existentes em nosso país? Ficaria ele, que se admitiu cristão, ofendido? Ficariam as pessoas que sustentam argumentação semelhante à dele ofendidas? Solicitariam que tal imagem fosse retirada? Reclamariam que este se trata de país cristão e, devido a isto, tal símbolo estaria alocado inapropriadamente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, cristão, poderia, realmente, responder não às perguntas anteriores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, não estariam estas pessoas, ao afirmar que os símbolos da fé cristã devem continuar expostos, defendendo que pessoas de crenças diferentes não devem se ofender com uma situação que ofenderia a eles, cristãos? E o princípio da empatia na Regra de Ouro mencionada por Jesus? Vale apenas quando aplicada a nós e não aos outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, pois o que me pergunto é se aqueles que argumentam contra a retirada de tais símbolos esquecem-se de que, se por um lado, o Brasil não é um país ateu – já que a maioria de seus habitantes possui pelo menos uma fé religiosa – não é também país de uma única fé, já que abriga crenças que vão desde as cristãs, passando pelas religiões de origem africana, muçulmana, judaica além das várias filosofias como o budismo, confucionismo e etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda, quando digo “pelo menos uma fé religiosa”, há outra interpretação plausível, já que há aqueles que, à moda do Brasil – que é o país da mestiçagem -  rezam na missa aos Domingos, estudam com os kardecistas às quartas e batem tambor às sextas-feiras crendo tanto no poder de Jesus quanto no de Oxalá ou dos espíritos iluminados - com a mesma intensidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais, mesmo entre os que defendem a fé cristã, há aqueles que negam veementemente o uso de qualquer imagem que represente o divino, como as Testemunhas de Jeová, já que esta é uma proibição expressa em trechos da Bíblia cristã que se repetem tanto no antigo, quanto no novo testamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de que há uma imensidão de crenças, religiões e seitas em nosso território - além, é óbvio, daqueles que se professam ateus - e que os cidadãos que professam tais crenças têm que ser vistos com igual respeito pelo Estado escapa a todos os que defendem que a simbologia religiosa é bem-vinda em locais mantidos – já que são os cidadãos que pagam impostos – e freqüentados por pessoas que não compartilham das mesmas crenças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, uma opção, por questão de justiça é: se se defender que um ou outro símbolo de fé é bem-vindo, deve-se decidir que todos são – sem deixar nem mesmo o espaço reservado para aqueles que não possuem fé alguma. Imagine-se a babel de simbologias expostas que isto não geraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra opção é a proposta inteligentemente defendida pelos procuradores de São Paulo e que, certamente, soa menos confusa e exagerada do que a mencionada no parágrafo anterior: retirem-se os símbolos dos locais que pertencem a todos – já que é isto o que a palavra público quer dizer – e deixe-se a devoção para a casa dos indivíduos e que lá, cada qual mantenha seus locais de adoração da forma como achar apropriado. E que, possam estes professar sua fé e praticá-la, sendo todos eles respeitados de maneira igual pela nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal decisão não tornaria o Estado Ateu – sem Deus. Apenas reconheceria que a liberdade religiosa defendida pelo Estado Laico, neutro em questões religiosas, significa respeitar a decisão de cada indivíduo de servir àqueles deuses que considera merecedores de sua fé, e não privilegiar esta ou aquela divindade em locais públicos – já que os brasileiros não são 100% católicos, ou protestantes, ou judeus, ou ateus, ou o que quer que seja em termos de religião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-6694014812172714447?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/6694014812172714447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=6694014812172714447&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/6694014812172714447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/6694014812172714447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/08/estado-ateu-ou-estado-laico-sobre.html' title='Estado Ateu ou Estado Laico: sobre a geléia geral feita destes conceitos'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-8027808022754688020</id><published>2009-08-12T07:39:00.003-03:00</published><updated>2009-08-14T12:15:25.989-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Heavy Metal: Pedras que continuam a rolar'/><title type='text'>Denin and Leather: sobre a origem do Heavy metal</title><content type='html'>O título deste artigo – jeans e couro – extraído de uma música da banda &lt;em&gt;Saxon&lt;/em&gt; em conjunto com o título deste marcador (Heavy Metal: Pedras que continuam a rolar) exemplificam bem o espírito que será cultivado ao longo destes parágrafos e de outros por vir: o estilo de música que, para muitos, tornou-se também um estilo de vida: o rock ‘n’ roll e uma de suas vertentes mais famosas, o heavy metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na árvore genealógica musical, o heavy metal é um dos descendentes do rock, que por sua vez, surgiu da mistura do country, blues, jazz, folk e gospel entre os anos 40 e 50 do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradicionalmente, consideram-se as bandas &lt;em&gt;Led Zeppelin&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Black Sabbath &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Deep Purple &lt;/em&gt;como as progenitoras do metal. Se se observarem os músicos que compuseram estes mencionados grupos assim como suas influências musicais, ver-se-á de que maneira marcante o blues, em especial, influenciou grandemente o nascimento do metal. Exemplifica-se: Jimmi Page, guitarrista do &lt;em&gt;Led&lt;/em&gt; veio da banda &lt;em&gt;Yardbirds&lt;/em&gt;, onde dividia a guitarra com Eric Clapton – considerado um dos expoentes do blues da época. Tony Iommi antes de juntar-se à banda &lt;em&gt;Earth&lt;/em&gt;, que posteriormente mudaria seu nome para &lt;em&gt;Black Sabbath&lt;/em&gt;, tocou em várias bandas com raízes fincadas no blues. É deste estilo musical que o heavy metal herdou suas guitarras fortes com solos longos. No &lt;em&gt;Deep Purple&lt;/em&gt;, quando se considera sua formação de maior sucesso, os solos de guitarra de Ritchie Blackmore trabalham em conjunto com solos de teclado executados por Jon Lord – este tipo de duo tornou-se menos popular até os anos de 1990/2000 quando ressurgiu com o sucesso de bandas como &lt;em&gt;Stratovarius&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Clapton, apesar de não gozar do mesmo renome entre os fãs de metal com o seu &lt;em&gt;Cream&lt;/em&gt; – algo imperdoável, do meu ponto de vista - forneceu um dos degraus que conduziu ao que se convencionou chamar metal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o estilo de vocal  - na verdade, estilos, uma vez que há muitas maneiras de cantar metal – é bem exemplificado pelos vocalistas do Power Trio de bandas que solidificou o heavy: Robert Plant, vocalista do &lt;em&gt;Zeppelin&lt;/em&gt;, vai do suave, passando pelo sensual até os gritos como se pode observar em músicas como What &lt;em&gt;is and what should never be&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;The Lemon Song &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Communication Breakdown&lt;/em&gt;. Os vocalistas do &lt;em&gt;Sabbath&lt;/em&gt; e do &lt;em&gt;Purple&lt;/em&gt;, excetuando-se Ozzy Osbourne, são reconhecidos pelas vozes poderosas, não raro agudas – como é o caso de Ronnie James Dio, que popularizou o sinal dos chifrinhos feitos com os dedos, e Glenn Hughes. Ozzy, já exemplifica a questão do desempenho no palco, onde ele possui forte presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recentemente, com as subdivisões do metal, esta amplitude das maneiras de cantar tornou-se ainda maior para incluir os guturais de estilos mais extremos como o death.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “cozinha” das bandas de metal – bateria e baixo – é característica. Este duo não apenas marca o ritmo, mas é importante na composição sonora sendo, muitas vezes, a bateria chamada de coração da banda e o baixo o responsável pelo peso do som enquanto o guitarrista viaja em solos agudos. Diferentemente do que acontece em outros estilos, estes instrumentos não são meros coadjuvantes: basta lembrar as baterias de John Bonham e Bill Ward, respectivamente &lt;em&gt;Zeppelin&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Sabbath&lt;/em&gt;, e dos baixos de Geezer Butler e Cliff Burton, respectivamente &lt;em&gt;Sabbath&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Metallica&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;Mas de onde veio o nome heavy metal (metal pesado, em português)? Assim como o nome rock ‘n’ roll, há controvérsias quanto à sua origem. Ian Christe, um historiador dedicado ao metal, afirma que, devido às suas origens entrelaçadas com o movimento hippie, pode-se supor que o nome advenha do sentido que as palavras heavy e metal possuíam na gíria deste grupo social específico: heavy sendo profundo; metal, por sua vez, referindo-se ao mau-humor, quando, por exemplo, rangem-se os dentes de raiva. Assim, segundo Christe, juntando-se os dois sentidos têm-se uma hipótese plausível para o surgimento do nome que descreve esta música, muitas vezes “raivosa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em raiva, a temática do heavy, muitas vezes justifica este seu rótulo – o de mau: não é incomum que se discutam temas como problemas sócio-políticos, o ocultismo, o desconhecido e a insatisfação social, como teremos a oportunidade de discutir em colunas futuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na chamada &lt;em&gt;Nova Onda do Metal Britânico &lt;/em&gt;(New Wave of British Heavy Metal) bandas como &lt;em&gt;Judas Priest&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Iron Maiden &lt;/em&gt;retiraram do metal as características restantes de referência direta ao blues. O &lt;em&gt;Judas Priest &lt;/em&gt;ainda contribuiu para o estilo de roupas dos &lt;em&gt;headbangers&lt;/em&gt;, popularmente chamados de metaleiros: o uso do couro, coturnos e de correntes que vieram juntar-se ao já consagrados denim (jeans) e às camisas pretas, não raro estampadas com logos ou fotos com referências às bandas admiradas pelo usuário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os adeptos do metal e do rock ‘n’ roll, a exposição dos nomes e/ou logos e fotos de suas bandas prediletas são feitas com o orgulho daqueles que admiram e, de fato, pesquisam as bandas admiradas e sua produção musical sendo os bangers parte dos que, mesmo em tempos de pirataria irrestrita, ainda compram CDs e DVDs originais no intuito de ajudar no suporte às bandas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os pacíficos metalheads ou bangers, só há um grupo capaz de lhes provocar aquele olhar gelado, prenúncio do isolamento do grupo – os “&lt;em&gt;posers&lt;/em&gt;”, aqueles que ostentam roupas iguais às deles, mas que não entendem de música. Sendo assim, chamar ou referir alguém ou alguma banda como “poser” é um dos maiores xingamentos que um verdadeiro banger é capaz de enunciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, o maior elogio dos bangers é a batida de cabeça, com a projeção dos cabelos, quando longos, para frente. É realmente uma louvação que acontece quando o som agrada aos ouvidos e fala com a alma desta galerinha exigente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil também tem seus representantes fiéis ao rock e ao metal: temos bandas como &lt;em&gt;Overdose&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Casa das Máquinas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Azul Limão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Dorsal Atlântica&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Baranga&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Patrulha do Espaço&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Chakal&lt;/em&gt; – só para falar de algumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, finalizando as considerações de hoje, deixo claro que aqui discutiremos música - boa música, que inclui o rock ‘n’ roll e o heavy metal. Mas também vamos falar do estilo de vida dos seguidores desta expressão musical iniciada pelo &lt;em&gt;Sabbath&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Zeppelin&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Purple&lt;/em&gt; e honrosamente continuado por bandas como &lt;em&gt;Iron Maiden&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;UFO&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Judas Priest &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Blind Guardian&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, um conselho: se você gosta de boa música e tem aquele preconceito contra o rock e o metal – não escute-os jamais: você pode ser irremediavelmente contagiado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, é só ligar o som e curtir no volume máximo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-8027808022754688020?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/8027808022754688020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=8027808022754688020&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8027808022754688020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8027808022754688020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/08/denin-and-leather-sobre-origem-do-heavy.html' title='Denin and Leather: sobre a origem do Heavy metal'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-7268934396211825849</id><published>2009-08-06T20:05:00.002-03:00</published><updated>2009-08-14T12:29:09.116-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Crônica: Meu sapato 37</title><content type='html'>Hoje assisti a um filme, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Piaf&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, que retrata a vida de um dos maiores nomes da música francesa. A título de comparação, Edith Piaf está para a França como Roberto Carlos está para o Brasil e Frank Sinatra para os Estados Unidos: aquele tipo de cantor ou artista que, mesmo que você não goste, costuma manter um silêncio respeitoso devido ao impacto que eles tiveram e ainda têm sobre os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um filme que me comoveu e me fez relembrar outras pessoas, outros artistas: Maísa, Michael Jackson, Cazuza, Edgar Allan Poe, Oscar Wilde, Raul Seixas, Marilyn Monroe além de outros nomes que fariam sentido apenas para mim... pessoas que conquistaram, em medidas diferentes, respeito artístico e/ou profissional, ou dinheiro, ou respaldo da população e uma legião de fãs ou todos os anteriores. Se vivos, arrastam-se levianamente em suas meias-vidinhas de mortos-vivos. Se mortos, ainda vivem em seus filhos, canções, livros, filmes - em sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes que mencionei possuem um ponto em comum: a infelicidade. A falta de afinidade com o ser-feliz – não aquele estado passageiro que se manifesta vez por outra quando assistimos a uma comédia ou ouvimos uma piada. Ou quando se enche a cara ou droga-se passando a ver cores inexistentes – já que o efeito dos químicos é fugaz e depende de fontes externas, assim como o riso proveniente de películas ou anedotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A felicidade a que me refiro é a irmã perene da alegria e que com ela anda de mãos unidas. Aquele sentimento, cuja única fonte é interior, que faz com que você consiga ver a beleza; ou que sorria com e para as coisas mais inusitadas. Um estado de graça que pode ser acessado como um paliativo para a dureza da vida. Que pode surgir ao acessarem-se memórias ou aquele refúgio que todos preservam dentro de si e simboliza o conceito individual de felicidade – cada qual a sua maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tornar este texto mais claro, falarei de minhas definições pessoais para estas palavras que serão recorrentes aqui: felicidade e alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felicidade, para mim, contrapõe-se à depressão (que neste texto, não se refere à patologia, mas antes à forma como se encara a vida e o mundo). Assim como a depressão, a felicidade é um estado constante, porém, de contentamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este estado independe do exterior, apesar de que determinadas circunstâncias como saúde e satisfação física ajudarem em muito em sua manutenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felicidade é a capacidade de se refugiar em si e sentir-se bem com o que se encontra na alma. Felicidade é magma: aquele derretido eterno de substâncias que queima, sem grandes profusões, no centro da terra e que sustenta todo o exterior. As explosões deste magma constituem a alegria, que é o oposto da tristeza. Algo como a lava incontrolável sendo expelida de um vulcão. Assim como o fogo de artifício e o estouro vulcânico, a alegria tem tempo limitado e, geralmente, manifesta-se quando estimulada pelo exterior. Já a felicidade, como o magma, queima silenciosamente mantendo a alma aquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, pode-se estar alegre, ou ser alguém alegre sem se ser realmente feliz. Ou pode-se estar triste, devido a alguma dificuldade trazida pela vida, e ainda assim ser-se feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que a vida de pessoas bem-sucedidas e dos artistas famosos e infelizes sempre me intrigou, independente de eles serem ou não de minhas relações ou de agradarem ou não ao meu paladar. Sempre me fizeram perguntar por que pessoas que possuem o que é desejado pela vasta maioria dos viventes-pensantes não são felizes. O que elas desejariam? O que lhes faltaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso nisto novamente aqui na minha sala, ainda digerindo a vida de Piaf, enquanto ouço música linda interpretada por Renato Teixeira. “Ando devagar porque já tive pressa/ levo este sorriso porque já chorei demais”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado como “certas canções que ouço calam tão dentro de mim/ que perguntar carece/ como não fui eu que fiz”, segundo cantaria Bituca. É assim que me sinto quando escuto esta linda música interpretada por Teixeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela me faz, novamente, retomar as vidas dos infelizes, que, aparentemente, não possuem motivos para sê-lo. Quando leio livros dos autores que mencionei no início ou quando converso com estes seres infelizes ou quando vejo filmes de James Dean ou Monroe, ou quando escuto algumas músicas dos compositores ou intérpretes que mencionei no início – sim, eu escuto Edith Piaf e não desprezo os Jackson Five (por mais inusitado que isto possa parecer) é-me impossível não perceber certas coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, ver oculto atrás do sorriso sensual de Marilyn a Norma Jean infeliz que morreu depois de overdose de remédios e que amava homens impossíveis enquanto desprezava ou mal-tratava aqueles que, de fato, a amavam. A questão de a super-dosagem que a levou a morte ter sido intencional ou não é o que menos importa para o que  discutimos aqui. O simples fato de que ela precisasse destas doses, assim como Edith, Jackson, Seixas, Poe e tantos outros, para suportar as dores de suas vidas é o que me intriga e denuncia a infelicidade – a incapacidade de atingir seu refúgio interior sem o auxílio de químicos (legais ou ilegais, sob prescrição médica ou não, pouco importa, se estão sendo usados para substituir algo que deveria existir naturalmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti o mesmo “encabulamento” ao ver vídeos caseiros de Jackson brincando com os filhos em casa e comparando aquelas risadas com sua dor pública tão exposta e comentada em todo o mundo. Em se tratando de Piaf também, não se exige esforço para que se enxerguem suas dores, já que seu coração ficava em sua garganta, mais precisamente em suas cordas vocais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poe falou excelentemente das sombras que também me habitam – já que habitam em todos nós. Já Raul ajudou a deixar tudo mais claro em &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sapato 36&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, quando falou do sentimento de não-pertencer, não-caber, do sentir-se apertado no espaço que lhe é reservado – não importa o tamanho que este tenha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a música cantada por Teixeira? Que tem ela a ver com isto tudo? Bem, de ínício, já afirmo que ela realmente mexe comigo por remeter à época em que eu morava com meus pais em BH. Eles, especialmente meu pai, sempre gostaram de canções regionais e me habituei à forma como soam alguns cantores ou como choram suas violas e como falam certas verdades suas poesias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse, de fato teria enviado a cada um daqueles que citei no início, esta beleza em forma de verso suavemente cantada por Renato. Há um trecho em que ela diz que cada um de nós “carrega o dom de ser (...) feliz”. Isto é exatamente o que este tipo de pessoa carece de saber – a letra diz uma verdade. Expressa a maneira como me sinto e a filosofia que gostaria de poder sustentar: o que leva a felicidade é inerente ao ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que algum de meus velhos conhecidos pense que enlouqueci por estar citando músicos como Renato Teixeira e Milton Nascimento (também apelidado de Bituca), posso dizer que estou em meu juízo perfeito – o que não quer dizer muito, eu sei -  e nem coloquei fogo nos meus discos de Metal. Até mesmo na minha seleção de hoje entre uma música regional e outra, estou também ouvindo Dio, quando ainda no &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Rainbow&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, além de umas bem velhinhas do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sabbath&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; e do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Iron Maiden&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, hoje é dia de saudosismo. Só velharia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é que vidas tristes de pessoas que parecem não ter encontrado a felicidade, mesmo tendo procurado por ela, me entristecem. Muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando estou triste recorro às minhas velharias. Elas me ajudam a acessar o meu refúgio interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às pessoas tristes, elas parecem ter saudade de algo não vivido, buscar um não-sei-o-quê muito difícil de encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo angustiante que a felicidade tão falada e cantada ande se ocultando de gente por aí, que se cerca de tristeza, frustração, leviandade impedindo àqueles que as cercam – sejam amigos ou familiares - de encontrarem-na também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, pergunto: o que é necessário para que se seja feliz? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinheiro? Fama? Fé? Deus? Filosofia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso crer em algo ou em nada? É preciso ter família ou não tê-la? Amigos ou inimigos? Filhos? É preciso estar só ou acompanhado? Ter amor ou viver consigo mesmo? Distanciamento ou aproximação? Música ou silêncio? Trabalho ou ócio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tristemente, a resposta me escapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada uma das opções anteriores possui suas próprias vantagens e desvantagens e até onde posso perceber, as respostas podem variar de indivíduo para indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a única verdade que posso oferecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo é que prefiro crer no que cantou Teixeira: cada um carrega em si “o dom de ser capaz e ser feliz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, só espero encontrar minhas próprias respostas, meu próprio sapato 37, sentadinha ao lado da cachoeira que banha meu esconderijo secreto tomando suco de laranja, antes de ir para o lugar onde estão todos os meus heróis, mortos ou não de overdose.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-7268934396211825849?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/7268934396211825849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=7268934396211825849&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7268934396211825849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/7268934396211825849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/08/cronica-meu-sapato-37.html' title='Crônica: Meu sapato 37'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-8172129121797598975</id><published>2009-07-14T15:20:00.002-03:00</published><updated>2009-07-14T15:28:23.686-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Artigo: A Descoberta do Mundo Clariceano</title><content type='html'>&lt;em&gt;Publicado no jornal "Conhece-te a ti mesmo", 101ª edição.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste último mês reli um livro que há tempos estava guardado na minha estante: A Descoberta do Mundo, de Clarice Lispector. Reli ainda com mais carinho que o normal já que minha edição foi presente de meu eterno professor e também amigo Paulo Antunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro reúne as crônicas de Clarice para o Jornal do Brasil no período de 1967 a 1973 organizadas por Marlene Gomes Mendes. Seu título é homônimo a uma das crônicas, onde Clarice comenta como descobriu o sexo aos treze anos, em conversa com uma amiga a quem confessa que andara fingindo e que, na verdade, não sabia de que forma um homem e uma mulher se unem. Vê-se traumatizada pela forma como tudo lhe é explicado, mas encerra esta crônica deixando claro que a lição aprendida é que a “vida é bonita”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que se compreenda a amplitude destes escritos, assim como sua interpenetração em diversos gêneros textuais, é interessante que se compreendam o que são crônicas. Estas são textos, que, normalmente, partindo de um fato, acontecimento real ou fictício servem de veículo para que o escritor, chamado de cronista, posicione-se e explicite sua forma particular de ver e apreender o mundo (ANTUNES, 2005). Observa-se, portanto, que o cronista se revela, já que é sua visão pessoal que norteia a tessitura do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, Clarice, aos poucos, expõe-se mais e mais em seus escritos semanais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem admira a escritora e sabe de sua notória aversão à exposição de sua intimidade, vê em A Descoberta do Mundo um achado, já que é possível saber mais desta autora e de sua intensidade interior. Desta forma, a leitura desenvolve-se com um prazer quase voyeurístico, já que se tem, em determinados pontos da leitura, a impressão de que se lê um diário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que a autora escrevesse em tom meramente confessional – porém, conforme ela mesma notou e comentou em algumas das crônicas, era impossível que ela resistisse à tentação de se abrir e contar de si, de seus sentimentos, inseguranças, medos e alegrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém acrescentar, porém, que, mesmo que os escritos de Clarice para o &lt;em&gt;Jornal do Brasil &lt;/em&gt;sejam genericamente classificados de crônicas, eles não se resumem a isto apenas, uma vez que, além dos comentários sobre fatos, ela ainda permeia seus escritos com pequenas doses de ficção como em &lt;em&gt;Calor Humano&lt;/em&gt;. Ali, em vez de uma crônica tradicional, vê-se uma historieta sobre uma mulher que está triste à espera de “um algo” que nem mesmo ela sabe precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando-se as revelações de si permeadas por pequenas doses de ficção, ainda é possível que se entenda um pouco mais como o eu da autora salpica suas narrativas: é o que acontece com &lt;em&gt;A descoberta do mundo &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;A perseguida feliz&lt;/em&gt;. Na primeira, como mencionado, a autora fala de uma experiência que viveu ainda adolescente. Na segunda, a pessoa ficcional comenta exatamente as mesmas sensações pelas quais Clarice afirmou ter passado – ela faz uso, inclusive de palavras e construções semelhantes em ambos os textos. Como disse Clarice: “Narrar é narrar-se”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda, em outras semanas, Clarice “fala” com seus amigos, dirigindo-se diretamente a eles, muitas vezes por nome ou pelas suas iniciais. “Fala” com seus leitores e até mesmo publica uma carta de Fernanda Montenegro que se queixa da violência e da repressão contra a classe artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, em acréscimo, outro detalhe que, para mim, é dos mais deliciosos: através de crônicas é possível que se “reconstrua”, como  em um quebra-cabeça, um retrato da época da escrita dos textos, pois, o cronista comenta muitos fatos fornecendo-nos suas impressões - a de uma testemunha ocular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, por Clarice, somos informados da dificuldade de estudantes ingressarem na faculdade pela falta de vagas, das passeatas de protesto contra este fato, do advento do cérebro eletrônico, da questão indígena, da necessidade de reforma agrária. Impressionante como determinados problemas permanecem os mesmos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocante ainda a forma como ela refere-se à saudade que sente de Lúcio Cardoso: seu amigo, mentor e, segundo suspeita-se, seu amor platônico. Há uma crônica que tem o nome deste autor onde ela fala de seus sentimentos por ele até mesmo dizendo que “se não houvesse a impossibilidade, quem sabe teríamos nos casado”. Esta impossibilidade remete-se, provavelmente, à homossexualidade de Lúcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destarte, &lt;em&gt;A descoberta do mundo&lt;/em&gt;, devido às suas diversas características e abrangência, é um livro muito interessante para os que amam Clarice e para os que não a amam (odiar não é de fato uma possibilidade, neste caso). Serve, pelos mencionados motivos, até mesmo de porta de entrada para o universo clariceano para aqueles que ainda não tiveram o prazer de se deleitar com sua obra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-8172129121797598975?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/8172129121797598975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=8172129121797598975&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8172129121797598975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8172129121797598975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/07/artigo-descoberta-do-mundo-clariceano.html' title='Artigo: A Descoberta do Mundo Clariceano'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-4886770477182545392</id><published>2009-07-14T14:59:00.002-03:00</published><updated>2009-07-14T15:02:28.767-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Crônica: Nunca matei ninguém</title><content type='html'>&lt;em&gt;Publicado como reportagem de capa no jornal "Conhece-te a ti mesmo", 101ª edição.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há oito anos aconteceu em Ouro Preto um assassinato que deixou a opinião pública chocada: uma jovem recebeu dezessete facadas em um cemitério local durante uma sessão de jogo de RPG (Role-play game). Este assassinato foi novamente notícia devido ao fatídico aniversário ainda sem culpados condenados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhei, como muitos, o noticiário pela TV, à época da morte, chocada com a crueldade dos assassinos que durante uma espécie de ritual mataram Aline, cujo corpo foi abandonado sobre túmulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, de fato, estarrecedor quão cruéis crianças, jovens ou adultos podem ser. Lembram-me famosa frase de Thomas Hobbes que, dia a dia, encontra novos e ampliados sentidos: “o homem é o lobo do homem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando do assassinato, as notícias sobre a jovem em Ouro Preto chamaram-me, em especial, a atenção devido ao destaque dado ao RPG como fomentador e formador de assassinos. Viam-se em todos os telejornais – respeitáveis ou não – livros e dados utilizados no mencionado jogo encontrado na casa de um dos rapazes suspeito do crime aviltante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal destaque a este material provocou reações fortes de pais de meus alunos e da vizinhança: todos proibiram seus filhos de envolverem-se com este famigerado jogo que produz assassinos cruéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, foi inevitável a lembrança de meus tempos de adolescente quando eu mesma fui apresentada ao RPG. Eu ainda estudava e alguns de meus amigos conseguiram exemplares importados (que xerocaram) dos livros do Jogador e dos Monstros do AD&amp;D (Advanced Dungeons and Dragons). Como eu já falava inglês (idioma em que se encontravam os livros) fui convidada a traduzir trechos específicos e, posteriormente, integrar o grupo. Nesta época, eu era uma das pouquíssimas mulheres que jogavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos a conversar sobre o jogo e, ao ouvir nossas conversas que envolviam feitiços, batalhas, criaturas mágicas em uma ambientação medieval, os sinais de alerta na cabeça dos meus pais ligaram-se e, quase fui proibida de jogar. Como meio termo, eles exigiram que algumas sessões – pois assim se chamam as partidas – se desenvolvessem em nossa casa. Isto lhes mostrou que o jogo se tratava de algo deveras inofensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, continuo jogando RPG, tendo conhecido inúmeros jogos além do D&amp;D (em sua nova edição o AD&amp;D reassumiu seu nome original Dungeons and Dragons). Passaram-se dezesseis anos e, certamente, posso afirmar com toda a convicção, que jamais matei alguém – nem com requintes de crueldade, nem sem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, mesmo que tal afirmação pareça absurda, considerando-se que há mais de década e meia tenho contato com este famigerado jogo, posso exibir minha ficha policial absolutamente limpa como prova de que jamais cometi crime algum. Pelo contrário – possuo uma vida absolutamente normal e ainda, junto com demais colegas educadores, sou corresponsável pela formação de jovens, já que sou professora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, faço uma pausa em respeito às expressões de surpresa que porventura tenham surgido nos rostos de leitores incautos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso afirmar como jogadora experiente e mestre de alguns sistemas (o que significa que eu gosto de inventar as estórias ao longo das quais meus amigos se divertirão) que a crença segundo a qual o RPG é nocivo é absolutamente infundada. Na verdade, ela apenas prova o que qualquer pessoa de bom senso já sabe: se você engole o que vê na TV ou lê sem se dar ao mínimo trabalho de pesquisar a fundamentação da coisa vista ou lida, pode estar baseando suas idéias em inverdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pesquisar o RPG, seu surgimento e desenvolvimento, verá que ele nada mais é que um jogo de estratégias, como o xadrez, onde, em sua imaginação, os jogadores – como os atores de teatro em uma peça onde o enredo seja desenvolvido tendo como base a improvisação – interpretam outras pessoas. Quem eles serão depende do sistema escolhido pelo grupo e do gosto pessoal de cada um: pode-se ser de Pernalonga a Superman passando pelo Exterminador do Futuro, Conan, o Bárbaro ou Merlin, o mago. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na maior parte do tempo, a ação acontece apenas dentro da cabeça dos jogadores e do mestre – que é quem fornece o fio do enredo e os cenários através de descrição oral. Dúvidas sobre a capacidade dos personagens interpretados pelos jogadores são resolvidas por jogadas de dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa-se, então, que os jogadores deverão interagir, conversar, ler, exercitar sua imaginação, raciocínio lógico, habilidade de trabalho em grupo e mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como? Então o jogo não foi responsável por incitar aqueles jovens à violência e ao assassínio? Por que então isto vem sendo afirmado tão categoricamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, quanto a isso, posso afirmar: é muito mais simples “encontrar” e “apontar” pretensos culpados que sejam alheios e desconhecidos do que refletir sobre a educação e princípios – desde os morais até os éticos – que foram mediados a estes jovens, ou a quem quer que tenha cometido este crime pérfido. Ainda, é sempre bom imaginar que foi algo fora da mente humana – um livro ou um jogo satânico – que tenha levado pessoas à barbárie. Isto, definitivamente, a afasta de todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se esta “distorção da realidade” dissesse que não é o ser humano o responsável pelas barbaridades que pratica, o culpado é “o outro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me lembro do estudante de medicina que repetiu uma cena de um videogame famoso atirando contra pessoas em um cinema. Culpe-se o jogo e não o próprio jovem. É muito mais seguro agir assim do que confrontar o “lobo” mencionado no início, habitante do íntimo da humanidade e que só é domesticado por práticas que exigem atuação responsável de pais e sociedade gerando seres éticos, de bom senso e caráter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não se quer dizer que todos os sistemas de RPG tratem de temas acessíveis ou aconselháveis a todos os públicos. Assim como os filmes ou livros, há também sistemas que não são aconselháveis para menores de 18 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, há que se considerar que, pessoas de bom senso ao decidirem jogar RPG, ou supervisionar as atividades de seus filhos, selecionarão os sistemas que mais sejam adequados aos seus gostos pessoais ou aos seus padrões éticos – assim como selecionam tudo em suas vidas: desde programas de televisão, jogos de videogame ou computador passando pelos filmes e livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se, ainda assim, insistir-se em enxergar como problema a questão das referências à magia, a batalhas, a seres mágicos ou divinos – então, que se deixe de ler livros sobre o Rei Arthur, ignore-se as mitologias, deixe-se de assistir aos filmes épicos. Queime-se O Senhor Dos Anéis e esqueça-se de Tolkien. Esqueça-se de Lord Byron, Edgar Allan Poe e finja-se que o gótico nunca existiu. Queime-se Goya e todos os seus quadros e gravuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Façamos logo uma fogueira com todos estes livros, peças de teatro, quadros e filmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se você se perguntar o porquê de uma determinada emissora criticar fortemente um jogo em seus telejornais, afirmando que ele incita a violência e sugerindo que ele tem relação com o satanismo, enquanto que em seus programas infantis transmite um desenho como o Caverna do Dragão, cujo nome original Dungeons and Dragons revela sua origem em um certo jogo publicado no Brasil por uma editora concorrente – bem-vindo ao time!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se encontrar a resposta, me envie uma mensagem telepática. Na falta de poderes psiônicos, um e-mail serve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-4886770477182545392?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/4886770477182545392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=4886770477182545392&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/4886770477182545392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/4886770477182545392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/07/cronica-nunca-matei-ninguem.html' title='Crônica: Nunca matei ninguém'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-4962143719923371164</id><published>2009-07-13T14:49:00.003-03:00</published><updated>2009-07-13T15:03:07.619-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sobre a vacina contra o HPV e pais (des)protetores</title><content type='html'>Recentemente, eu estava vendo no jornal uma médica ginecologista falando sobre a vacina contra o HPV, que deve ser ministrada antes do início da vida sexual feminina para evitar, com chances próximas a 90%, os casos de câncer de útero causados pelo HPV (o vírus do Papiloma Humano). Para tanto, recomenda-se a aplicação da vacina em meninas a partir dos nove anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me claramente de ter pensado: “se eu tivesse uma filha, providenciaria essa tal vacina o mais rápido possível!” Afinal de contas, quase 90%: é praticamente um santo remédio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me fez relembrar o que pensei ao assistir à reportagem foi o comentário de certa conhecida que procurava informações com relação a esta vacina, a qual foi descoberta recente e, talvez por isso, não seja ainda parte do calendário obrigatório. Ela estava chocada ao perceber que a recomendação era que menininhas fossem vacinadas: ela possui três filhas entre 7 e 13 anos – ou seja, duas estão na idade apropriada para a vacinação. E mesmo cogitando (remotamente, por absurdo que possa parecer) vacinar suas filhas, disse que seu marido é quem criaria problemas e quase certamente não permitiria que se vacinassem as meninas. Na mente provinciana deles isto incitaria as meninas ao sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me conhece sabe que, frente a falas como esta, conto até um determinado número, mentalmente, e exibo o meu melhor sorriso. Tudo isto para dar tempo de lembrar a mim mesma de que sou uma pessoa educada e que, por isso, não posso sair por aí dizendo impropérios para todas as asneiras que escuto. Neste caso, contei até uns 2.000.000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntas que martelavam em minha cabeça enquanto eu sorria: Primeira:como uma mãe (ou pai) ao ter a chance de evitar que sua filha tenha uma doença tão triste e dolorosa responsável por altíssimos índices de mortalidade feminina no Brasil pode dizer o desplante de que não vai fazer isto? Segunda: como uma mulher, mãe de três crianças, que tem seu próprio dinheiro, afinal, ela trabalha, vai se submeter aos caprichos ignorantes do marido quando este, pavorosamente, proíbe as filhas de tomarem uma vacina? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do fundo do meu coração: eu cheguei a buscar informações mentalmente para ter certeza de que estávamos no século XXI e não no XVI, no Brasil e não no Irã e que eu estava falando com uma pessoa culta e instruída – professora por sinal – e não com algum ignorante que jamais teve acesso a informações e cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando se o marido desta minha conhecida possuiria uma bola de cristal que lhe informaria com 100% de certeza que suas meninas não sofrerão de câncer de útero, sendo-lhe assim possível dizer que elas não precisam da picadinha – apenas 100% de certeza quanto ao futuro justificariam a desconsideração da vacina e seus 90% de eficácia. Do contrário, imagino a consciência deste distinto cidadão se qualquer de suas filhas for acometida desta doença cujo tratamento pode envolver intervenções dolorosas no útero e/ou sua retirada. Se uma delas tiver que passar pela quimioterapia tendo que lidar com toda a sua toxicidade e efeitos colaterais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que, ao dizer que o tratamento é duro, não quero desanimar estas bravas mulheres que lutam contra esta infame doença pelejando por suas vidas, dignidade e feminilidade. Mas, será que, uma delas sequer, afirmaria que perdoaria um pai o qual poderia tê-la poupado do sofrimento de um câncer ao ministrar-lhe uma vacina quando menina e que, não o fez por absoluto preconceito e ignorância? Por medo de que ela iniciasse sua vida sexual antes do “permitido”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, falemos aqui ao pé do ouvido: será que alguém, em sã consciência, vai realmente dizer que vai tomar conta da vida sexual das filhas e filhos para que eles apenas transem “quando for a hora” e exclusivamente de camisinha? Quem escolheu a hora da sua iniciação sexual foram seus pais? E, me diga com sinceridade, eles tomaram, pelo menos, conhecimento de quando você transou pela primeira vez? E nesta sua primeira vez, foi a primeira vez do seu parceiro(a) também? Foi de camisinha? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; será a mais comum para quase todas as perguntas, com certeza. E, se for não para pelo menos uma das duas últimas, a pessoa já se iniciou no sexo com grande chance de ter contraído ao menos um dos tipos de HPV dada a sua alta taxa de incidência na população, além da sua facilidade de transmissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me pergunto é se aquele pai-inquisidor esqueceu-se de que quando iniciou sua vida sexual, foi, muito provavelmente, segundo as estatísticas: ainda adolescente, furtivamente e sem camisinha, com meninas cujos pais não poderiam nem sonhar o que elas estavam fazendo. Ainda, posso supor que foi escondido de seus próprios pais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que alguém imagina esta cena como corriqueira: “pai, mãe, eu queria informar a vocês que decidi que já sou um rapaz crescido e, por isso, vou sair por aí e ‘catar’ uma mina”. A mãe, solícita, então, corre ao quarto e entrega-lhe um embrulho e diz: “querido filho, já esperava por sua decisão, e por isso, para que você não esteja desprevenido, comprei-lhe uma caixa de camisinhas” continuando uma exortação maternal sobre a boa hora e lugar para esta nova atividade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que, realmente, as pessoas teimam em esquecer suas próprias experiências imaginando que vão ter um controle ou um poder sobre seus filhos que seus próprios pais não tiveram sobre elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, ai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, outra colega, desta vez de trabalho, que tem duas filhas e é também professora, estava pesquisando o mesmo assunto e, por acaso começamos a conversar. O pediatra de suas meninas havia sugerido a vacina. Minha colega estava de fato, preocupada, e apesar de considerar que elas estariam distantes de sua iniciação sexual, pensava seriamente se era apropriado vaciná-las imediatamente ou esperar um ou dois anos. Ou seja, de cara, veio a diferença: a questão não era se – e sim &lt;strong&gt;quando&lt;/strong&gt;. E mais, este quando não seria em um futuro distante – seria breve, por precaução. É claro que em nossa conversa debatemos as estatísticas do IBGE que dizem que a vida sexual das brasileiras tem começado cada vez mais cedo: já nos primeiros anos da adolescência. Tenho certeza que esta discussão a fez pensar ainda mais, pessoa esclarecida que ela é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta minha colega ainda, sentiu-se no dever de comentar com suas alunas – ela dá aulas para a faixa etária recomendada para vacinação – sobre a existência da vacina e da necessidade das meninas procurarem informações extras com seus pais, informando-os deste novo achado da medicina, caso eles ainda não soubessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei até a pensar que aqueles pais mencionados no início eram os únicos ainda presos na Idade Média. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Doce ilusão!”, como diria a falecida e ainda querida mãe de uma amiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois, me deparei com a notícia de que, em uma cidade dos Estados Unidos, onde a vacinação foi feita nas escolas, houve pais que reclamaram e chegaram a ir à justiça usando da mesma argumentação ignorante: estão incitando nossas filhinhas ao sexo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se alguém precisasse incitar adolescentes “nada hormonais” ao sexo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o que parece ser verdade é que a humanidade saiu da Idade Média, mas a Idade Média não saiu do coração da humanidade – usando frase muito falada em minha família em diversos contextos e com substantivos outros no lugar de humanidade e Idade Média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, aquele casal do início não me sai da cabeça. Espero sinceramente que, no futuro, suas filhas não venham a culpá-los por dores que poderiam ter sido evitadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-4962143719923371164?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/4962143719923371164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=4962143719923371164&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/4962143719923371164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/4962143719923371164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/07/sobre-vacina-contra-o-hpv-e-pais.html' title='Sobre a vacina contra o HPV e pais (des)protetores'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-2241495590254906731</id><published>2009-07-07T11:31:00.007-03:00</published><updated>2009-07-07T12:03:01.483-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Comentário: Sobre o RPG e a Ignorância Monumental</title><content type='html'>A prosa desta semana foi um conto, mas, realmente, passar em branco pela absolvição dos rapazes acusados de assassinar Aline S. em Ouro Preto estava me doendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a fala da Fátima Bernardes ontem no Jornal Nacional, ficou impossível. Ela disse algo como: absolvidos os rapazes acusados de matar Aline em Ouro Preto em ritual ligado ao jogo RPG (enquanto imagens dos dados e do livro D&amp;D eram veiculadas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, estou cansada de ver pessoas denegrindo a imagem de jogadores de RPG e do próprio jogo por ignorância. Para quem não sabe: Eu jogo RPG.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como???? Você??? Professora de Inglês de escolas super conceituadas da cidade? Mas, você não é boazinha?? Mas você não é casada e tem um filho?? Nas você não é de boa família?? O quê??? Você ainda é M-E-S-T-R-E????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim a todas as perguntas: e ainda canto em uma banda de Heavy Metal e visto camisas de banda. E sim, jogo RPG com meus amigos e sou até Mestre de alguns sistemas. O que a maioria das pessoas não percebe é que isto não significa que eu tenha matado alguém, nem que adore o Diabo e nem que use drogas ilegais, oras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também, só por esclarecimento, é bom dizer que não pratico rituais satânicos e nem bebo sangue humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a ser boazinha, meus alunos podem discordar às vezes :p&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quero dizer é: É FODA SER JULGADO PELA IGNORÂNCIA ALHEIA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria eu que todo mundo fosse esclarecido como meus pais: quando eu comecei a jogar há 15 anos - hoje eu tenho 31 - eles, com medo por causa do que todo mundo andava dizendo, pediram que a gente jogasse na minha casa. Eles queriam ter certeza de que eu não estava em perigo: normnal, são meus pais. E viram: tanto que, depois de algumas sessões, jamais tive problemas para jogar na casa dos meus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, é impossível como o "emburrecimento" causado pela des-informação da mídia tendenciosa é nocivo: teve até um caso de um pai de alguns de meus alunos - que também é professor - que chegou a aventar a possibilitar de solicitar à direção que o jogo fosse proibido na escola! Isto, depois de proibir os filhos dele de jogar: sem nem se preocupar em se informar a respeito. Ainda lembro de uma frase dele (dita aos meus alunos por ele, que repetiram para mim): "o rpg faz as pessoas perderem a percepção da realidade". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, eu contei até 100 para pensar no que dizer. Ignorância é uma coisa que me dói. Ainda pensei na época: para essa pessoa ir ao teatro ou ao cinema deve ser uma experiência dolorosa e angustiante - ele deve pensar que é tudo verdade, já que pensa que adolescentes ou adultos que participam de um jogo de interpretação de papéis podem ter seu entendimento de mundo bagunçado. Que viagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino o que o pobre deve ter pensado de mim quando ficou sabendo da minha biografia: por cantar em uma banda de Metal, deve ter me julgado drogada; ainda mais jogando RPG: acrescente-se ao drogada adoradora do Diabo e possível criminosa deturbadora de mentes adolescentes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pior de tudo: mesmo sabendo que eu era educadora, inclusive na mesma escola, a pessoa jamais se deu ao trabalho de me procurar e pedir um esclarecimento. Era o que eu teria feito se fosse meu filho (que diga-se de passagem, tem nove anos e adora RPG - ele joga no meu grupo). Eu quereria saber de todos os detalhes para depois emitir opinião. Esse negócio de falar sem saber é muito arriscado: corre-se o risco de se passar por ignorante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se alguém me vir na rua ou souber que dou aula para seus filhos, Relax! Eu não costumo morder (exceto se alguém botar o dedo na minha boca :p)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, este foi apenas um desabafo de quem já não aguenta mais rótulos e ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Qualquer dúvida, podem me solicitar minha ficha policial: terei imenso prazer de enviar por e-mail para mostrar que está branquinha como a alma do mais puro santinho do céu. Quanto ao resto, vocês vão ter que acreditar na minha palavra - se é que a palavra de alguém que gosta de Metal e joga RPG tem valor :p).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-2241495590254906731?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/2241495590254906731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=2241495590254906731&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2241495590254906731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2241495590254906731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/07/comentario-sobre-o-rpg-e-ignorancia.html' title='Comentário: Sobre o RPG e a Ignorância Monumental'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-3678393212627966697</id><published>2009-07-07T10:56:00.000-03:00</published><updated>2009-07-07T10:57:08.188-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Conto: O Matador de Mulheres</title><content type='html'>Cansada do trabalho noturno, enfadonho e extenuante, ela só pensa em descansar. Seu corpo relaxado e totalmente envolto na água morna da banheira está tendo o descanso merecido. Não sei se poderia ser chamado de “descanso dos justos” naquela situação em particular – mulheres como ela jamais seriam chamadas de justas, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem que ela não fosse mesmo um modelo de castidade e santidade, mas trabalho é trabalho e o cansaço é o mesmo para qualquer mortal que se dedique a alguma tarefa. Só sei que seu corpo maltratado estava tendo o que merecia: paz e tranqüilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu ali, observando... Observando sem ser notada, sentada em uma poltrona rota e desbotada no canto da sala, mas podendo ver claramente pela fresta entreaberta da porta do banheiro. Não era exatamente uma mulher linda ou jovem. Era apenas alguém comum, que certamente passaria despercebido em meio à multidão. Mas eu estava ali e era noite. Noite  escura e cheia de presságios. As sombras bruxuleavam ante a luz da lua cheia formando fantasmas esquisitos e às vezes engraçados por todos os cantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me pergunto se seriam mesmo sombras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma eu estava ali, sentada e observando. Mas por que, me pergunto: por quê eu e por que ali? Por que naquele cubículo escuro e sombrio abarrotado de móveis de péssimo gosto já envelhecidos – certamente adquiridos em algum brechó – em meio àquela fumaça fedorenta de cigarros baratos que vinha ainda quente de dentro dos cinzeiros lotados espalhados pela minúscula sala? O quê, em nome de Deus eu estava fazendo ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava ali para observar... Observar as sombras da noite que brincavam aos meus pés. Curioso como uma delas ia avolumando-se calmamente enquanto o tic - tac do relógio falava consigo mesmo da parede da cozinha. E a Sombra crescia e tomava preguiçosamente forma de homem: e era de um negro tal que eu não consigo vê-la novamente nem mesmo quando fecho meus olhos na total escuridão da noite. Quem era ela? Sombra maldita vinda das profundezas abissais! O quê quereria aqui em meio a simples mortais? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignoro. Apenas sinto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto e é uma dor imensa que me corta o peito como se afiada faca me perfurasse as carnes arrancando-me pungente grito de dor. “O que você quer sombra? Fale comigo!” Mas como resposta obtenho apenas o silêncio sepulcral que permeia a penumbra melancólica e lasciva que envolve a sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propósitos nobres não terá certamente tal espírito maligno que caminha entre as sombras da noite tão silenciosamente quanto um espectro amaldiçoado. Mas o que faço eu ali? Por que tenho que observar os feitos de tal ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomo uma decisão: abro a boca para emitir um brado de aviso para aquela que inocentemente dorme absolutamente relaxada na banheira. Mas a voz não me sai. O grito pára no meio da garganta como se capturado fosse por redes invisíveis. Apenas me é permitido observar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sangue está gelado em minhas veias. A Sombra assume contorno humano e passa a movimentar-se silenciosamente em direção ao banheiro, pé ante pé. Há um brilho em suas mãos – algo reflete a luz pálida e mortiça da lua cheia! Tento novamente gritar ao perceber que aquele era o brilho emitido por enorme lâmina afiada e fria e que aquela sombra não era nada além de um famigerado carrasco em busca de sua nova vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao perceber que estou fadada a observar a morte de outro ser, tão humano quanto eu, o desespero me enevoa a visão e a alma. Quero me levantar, mas não consigo: poderosas garras infernais me prendem ao sofá. Por mais que eu me debata tentando soltar meu corpo das mãos ancestrais que me enlaçam o espírito, não consigo! Estou presa! Quero gritar, quero morrer, mas nada me é permitido: posso apenas observar. Mas POR QUÊ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento buscar nos recôndidos de minha mente o motivo de tal tortura malévola e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-AGORA ME LEMBRO! É claro! Este era apenas um sonho: pesadelo maldito do qual eu não poderia sair sem ver o final. Mas e o último domingo? Nada demais aconteceu! Meras coincidências do destino, claro! O quê mais seriam? Daqui a pouco eu vou acordar, eu sei... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as lembranças daquele dia me são muito marcantes... Seriam mesmo fatos corriqueiros? Chego a duvidar da minha própria mente e de minhas lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rememorando aqueles acontecimentos é como se eu estivesse lá novamente, naquele dia já passado, vendo tudo acontecer como em um flashback: quando abri a porta e peguei o jornal logo cedo, nas primeiras horas da manhã, mal pude acreditar na manchete de capa: “EXCLUSIVO: Matador de Mulheres Faz sua Décima Vítima”. Li avidamente a reportagem onde era descrito pelo tablóide como uma fonte na polícia havia deixado vazar que havia um serial-killer em ação matando e dilacerando mulheres que viviam na dita zona boêmia da cidade. E para pavor dos pavores, ele comia seus corações! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nojo me atacou e a golfada de vômito subiu rasgando minha garganta. Era este o meu pesadelo! Por dez noites eu havia sonhado com isto: uma sombra que se movia esguia e silenciosamente por cômodos nauseabundos até encontrar sua vítima. - E eu ali, tão presente quanto o próprio dilacerador, tendo que observar. - Quando a encontrava, sempre no meio do banho ou jogada sobre a cama em sono profundo, natural ou causado por drogas quaisquer, ele as partia com sua faca. – E eu ali tendo que observar.- Ele enfiava sua lâmina solene e vagarosamente parecendo executar algum sombrio ritual enquanto a vítima se debatia de dor e desespero, mas imobilizada, apenas podia sangrar até a morte. E ele sorria, meu Pai, eu juro por Deus que ele sorria! E eu senti! Em meu pesadelo eu pude sentir! Era como se fôssemos três seres distintos que pelas conspirações do Universo Imperfeito estavam unidos apenas em um: a Vítima, o Assassino e a Testemunha. Éramos três sentimentos absolutos, mas únicos e em comunhão: a dor da Vítima, o prazer do Assassino e o desespero da Testemunha – éramos a pirâmide iníqua, todas as faces do terror em um inigualável e inexplicável ser. E eu sei que cada um de nós sentiu os três sentimentos em seu coração na temida hora fatal.&lt;br /&gt;Quando eu observava a sombra e percebia pela lâmina em punho quais eram suas intenções, meu desespero era indescritível: a vontade de gritar, de me mover de fazer algo, sei lá! E a impotência total quando percebia que poderia apenas observar. Eu não conseguia desviar meus olhos na esperança de que algo pudesse por fim àquela máquina assassina que apenas pensava na carne quente e deliciosa do coração de suas vítimas e no gosto ferruginoso do sangue ainda borbulhante dentro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era horrível o pavor que me assolava ao ver a vítima ressonar inocentemente em meus sonhos até que o assassino perfurava-lhes as carnes dolentes e enfiava-lhes a faca medonha. Por que neste momento, todo o medo se dissipava e... Eu era o Assassino! Era total o meu prazer sentindo o aço afiadíssimo tocar-lhes a pele lânguida e sensual acariciando-lhes como se o motivo de sua presença ali fosse a vida e não a morte. Até que num movimento rápido e preciso, qual açougueiro abatendo um animal qualquer, eu perfurava-lhes a carne, rasgando a pele e demais tecidos com uma fome de eras passadas. Quando e Vítima ameaçava gritar e começava a se debater – era a Glória e a Redenção: seu sangue e sua dor lavariam os pecados meus e delas. Mas eu, cuidadosamente, havia enfiado a faca entre a quarta e a quinta costela perfurando-lhes em cheio o pulmão. Tentar gritar era impossível: seus órgãos dilacerados jamais emitiriam sequer um ruído. Quando o instrumento havia penetrado até o cabo, senti o gozo do Assassino, que foi o meu gozo, seu prazer indescritível ao tomar o bem mais precioso de sua Vítima: a vida. E o prazer era enorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ali, naquele momento, era como se eu novamente trocasse de corpo e a dor... Ah... Mal posso acreditar em tamanha dor! Eu era a vítima sentindo a arma desconhecida penetrar fria e precisamente meu corpo indefeso e nu. Era insuportável! Ah... O terror, a certeza da morte e a impotência frente a poderoso algoz.  Ah... dor, dor enquanto a arma atingia pungente meu centro vital e a vida esvaindo-se junto com a vontade de lutar e então, nada... Nada mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente como a Testemunha, tinha que olhar apalermada e impotente enquanto o Assassino cortava as carnes e abria o peito da Vítima freneticamente procurando seu coração encontrando-o ainda quente para devorá-lo logo em seguida. Neste momento, eu mordia minha língua com toda força. A visão era tão repugnante e o sentimento de impotência tão latente que eu tinha, simplesmente tinha que fazer algo para me tirar daquele pesadelo eterno. A dor da mordida sempre funcionava e eu acordava suada e cansada, em minha própria cama e com um gosto inconfundível de sangue entre os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o fim do meu tormento, até a próxima vez. Pesadelo indescritível e aterrorizador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos foi o que pensei até ler aquele bendito jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na reportagem, bem ali, frente aos meus olhos vi os retratos daquelas que eu apenas havia conhecido em meus sonhos: a ruiva de cabelos longos, a morena gorda e desajeitada, todas. Desmaiei. Era insuportável aquela sensação: eu sentia a loucura ameaçando-me os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordei, estirada no meio da sala qual pano velho e inútil, fiz questão de esquecer. Meras coincidências pensei. Como poderia ser? Impossível! Há, pensa bem? Eu, algum tipo de profiler. Impossível. Apenas pesadelos. Deveria lembrar-me de contá-los ao meu psiquiatra na próxima sessão. E era tudo: vida normal, trabalho, casa, sono e a rotina retomada no dia seguinte. Abençoada rotina que me fazia esquecer meus temores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei minha vida como pude, e conseguia ignorar as notícias do jornal e não pensar mais no assunto, exceto quando eu sonhava acordada com aquelas mesmas visões.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora de novo! Mal posso suportar! Eu ali, presa naquela poltrona, sabendo que tudo iria se repetir e eu não poderia fazer NADA além de observar. Amanhã eu sei que não suportaria mais a vida. Sei que não ficaria normal: seria provavelmente internada em um asilo de loucos pelo resto de minha existência, ou me jogaria do alto do maior edifício que encontrasse. Era insuportável saber que alguém morreria ali, na minha frente e eu não poderia sequer chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente tento gritar e nada. Tento me mover e nada. NADA! Apenas posso observar o Assassino, demônio enlouquecido e feroz, que avança qual gato sorrateiro em direção ao pobre ratinho indefeso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tensão era palpável: como ela podia não sentir? Era como se o menor movimento de quem quer que fosse pudesse causar um terremoto dentro daquele cubículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desta vez, o gato foi surpreendido! Não era um ratinho indefeso que o esperava, mas sim uma leoa parida pronta a defender seu pequeno tesouro! Subitamente, como que avisada por um grito inaudível, a mulher abre os olhos e percebe o Assassino quando ele cruza a soleira da porta. Em um movimento inexplicável, típico daqueles que são obrigados a lutar dia a dia pela própria existência ela lança mão do seu secador e o arremessa com toda a força de seu braço forte contra a Sombra e o acerta em cheio na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Aniquilador estava perdido... Como poderia ser? Habituado as vítimas dolentes e que não eram capazes de resistir ele ficou perdido por uma fração de segundo. Ele havia vindo ali para ferir e não para ser ferido! Para derramar sangue alheio e não para ter o próprio derramado! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assolado pela surpresa o assassino foge qual cão covarde, com o rabo entre as pernas segurando a testa e sentindo pungente dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, mal pude conter a felicidade. Alegria, alegria! Eu não teria mais uma alma a me perseguir! Ela vivia! E viveria ainda mais mesmo que para levar uma vida perdida e sem futuro, mas ela vivia! O Assassino foi frustrado! Ah, menos uma agulha a me ferroar a consciência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei pela manhã cansada e não suficientemente refeita. O sono permeado de pesadelos não me dava o descanso necessário, mas pelo menos desta vez, o final foi feliz! Alegria maior! Graças... Mas esta dor de cabeça está me matando. Também, depois de uma série de noites destas! Fora os dias terríveis de incertezas depois das noites... “Onde estariam minhas aspirinas?” Levo a mão à cabeça em um gesto típico de desconforto e... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Não poderia ser! Eu não acredito! Corri para o banheiro e horrorizada pude contemplar: sobre a minha testa um enorme e protuberante galo circundado por um emaranhado de cabelos emplastados pelo meu próprio sangue iniquamente derramado na noite passada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-3678393212627966697?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/3678393212627966697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=3678393212627966697&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3678393212627966697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3678393212627966697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/07/conto-o-matador-de-mulheres.html' title='Conto: O Matador de Mulheres'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-939367794240543211</id><published>2009-06-30T10:12:00.003-03:00</published><updated>2009-06-30T11:22:20.113-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Votar ou não votar, eis a questão</title><content type='html'>Mais um escândalo: mais uma vez o palco é o senado. De uma maneira recorrente, nos últimos anos tenho me sentindo em um filme no qual um roteirista sem talento e repetitivo quer fazer seu texto soar como novidade ao utilizar-se de personagens diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o início da era Lula-lá uma sucessão de escândalos têm exposto as entranhas podres da nossa politicagem (é claro que não sou simplista e leviana: não afirmo que a corrupção surgiu com Lula – apenas digo que para quem se auto-elegeu o bastião da honradez, ele é muito conivente). Digo que fazemos politicagem porque, até onde percebo, não fazemos política há tempos. Chego até a me perguntar se é que alguma vez em nossa história chegamos realmente a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o dicionário &lt;a href="http://priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=política"&gt;Priberam de Língua Portuguesa&lt;/a&gt; (consultado em 27/06/09) vê-se a seguinte definição sob o verbete política: (grego politiká, assuntos públicos, ciência política) s. f.&lt;br /&gt;1. Ciência do governo das nações.&lt;br /&gt;2. Arte de regular as relações de um Estado com os outros Estados.&lt;br /&gt;3. Sistema particular de um governo.&lt;br /&gt;4. Tratado de política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas definições fizeram-me questionar o quanto nossos políticos estariam (ou não) familiarizados com o termo. Vê-se que política é Ciência, Governo, Regulação. Todas estas nos dão a idéia de organização, precisão, direcionamento – características que parecem nos faltar neste ramo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, continuando minha leitura sob o verbete, pude ver que de alguma forma, fazemos política já que, o mesmo vocábulo é também:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Fig. Modo de haver-se, em assuntos particulares, a fim de obter o que se deseja.&lt;br /&gt;6. Esperteza, finura, maquiavelismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, estas últimas definições me fizeram pensar na estrutura sobre a qual se desenvolveu a nossa maneira de fazer política (que parece adaptar-se mais a elas do que às anteriores). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os “homens bons” aportaram em nossas paragens com suas escrituras de doação de largas porções de terra, já se sinalizava como seria nosso futuro: maquiavelismo, esperteza, nepotismo, favoritismo, a coisa pública sendo usada em beneficio próprio “a fim de obter o que se deseja” etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um senhor, dono de capitania hereditária, transmitia, qual rei vassalo, o poder a seus descendentes, de forma que eles, por sua vez, sugassem o que pudessem das tetas da Pátria - acumulando riquezas para si, para os seus e para a metrópole – quanto menor a fiscalização, mis esta ordem de prioridades se ressaltava. Todos tratavam de haver-se, de se ajeitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o correr do trem da história, estas práticas não foram abolidas – nem mesmo realmente combatidas. Presentemente, existem leis contra o nepotismo – alguns podem argumentar – mas quando vejo os jornais, a impressão que tenho é que são daquelas leis que ninguém gosta, ninguém quer, ninguém fiscaliza. Em resumo, ninguém sabe, ninguém viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, a verdade é que se deveria estudar o encanamento de Brasília. Certa vez li alguns estudos que sugeriam que os imperadores romanos eram tão comumente acometidos pela loucura devido ao acúmulo de chumbo em seus organismos derivados do encanamento feito com este material. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Brasília, a água pode estar causando perda da visão e da capacidade de apreender fatos – algo relacionado à perda de memória, afinal, jamais se viu tanta profusão de “eu não sabia” (e suas variantes), “eu não vi” (e suas variantes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro acometido desta moderna doença foi o nosso erudito presidente o qual, mesmo que seus auxiliares mais próximos estivessem intimamente envolvidos em esquema de recebimento e pagamento de propinas (o quase esquecido mensalão) para garantir apoio político ao PT, assim como o caixa dois do mesmo partido, continuou afirmando que de nada sabia, nada vira e a tudo ignorava. Interessante relembrar que este mesmo PT, aclamado por filiados como a epítome da ética e da moral, teve suas ações defendidas por Lula-lá (quando não teve mais como negar as denúncias – frise-se) com a singela frase: “todo mundo faz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que aos empresários não seja permitido usar do mesmo ardil: ao se descobrir que suas empresas estejam envolvidas em esquemas corruptos, que eles não possam simplesmente lavar as mãos e dizer que ignoravam, não viram ou não acreditam, posteriormente justificando com “todo mundo faz” e escapem ilesos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ano após ano, ele continua com a política de “muito barulho por nada”: os errados somos nós que cobramos, é a mídia que denuncia. Much ado about nothing, já dizia Shakespeare, certamente intimamente conhecido de nosso comandante, já que é tão citado por ele.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Recentemente, acolhendo e classificando a José Sarney como cidadão incomum, acima de todos nós e de nossa Constituição, Lula deve ter aumentado a resistência física do cadáver de Ulisses já que o obrigou a dar voltas em seu túmulo marítimo, incomodado que deve ter ficado ao ver que as leis pelas quais tanto batalhou não abarcam toda a população. Existe uma classe privilegiada que não está submetida a elas – a dos homens que fizeram história. Mesmo que o homem em questão seja nosso ex-presidente, imortal da Academia Brasileira de Letras por sua extensa produção intelectual, cuja família senta-se inerte sobre os problemas do Maranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em Maranhão, ele fica aqui mesmo neste país – e não no Sudão como pode supor qualquer passante desavisado que tenha que usar banheiros de lona ao se chacoalhar pelo excelente pavimento do estado. Quem sabe o milhão encontrado no comitê da filha daquele mesmo ex-presidente maranhense porreta não ajudasse a tampar alguns buracos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando ao nosso estimado presidente atual, este cuja atuação internacional nos rendeu a perda de uma cadeira na ONU e afrontas não respondidas dos hermanos vizinhos, que estatizaram prédios da Petrobrás e romperam acordos bilaterias (sem esquecer, é claro, dos tapinhas nas costas do esclarecido, culto e bem ajambrado Ahmadinejad, além da tentativa de abertura da embaixada em um país de absoluto respeito internacional – a Coréia do Norte). Ele mesmo, com seu jeitinho brasileiro de quem não se mexe quando vê alguém fazendo algo que o beneficiará sem esforço, finge não ver nada enquanto aliados do baixo clero tentam (esperemos que em vão) ver se há espaço para arquitetar um terceiro mandato ou aumentar os mandatos para cinco anos e impedir a re-eleição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele ganharia com isto? Ora, a possibilidade de esperar menos para poder concorrer de novo e, após ganhar, reafirmar que os cinco anos são balela e tentar modificar tudo para se re-eleger novamente. E alguns ainda o consideram ignorante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O óbvio é que a sede de poder tomou de assalto o PT. Mas, quanto disto ainda poderemos suportar é a questão que, de fato, importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mensalão, terceiro mandato, crise nas assembléias, terceiro mandato, crise no senado, terceiro mandato... Sinto-me um dos três porquinhos na casinha de palha com o lobo soprando do lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ainda pior do que políticos mal intencionados e suas elucubrações, é perceber que existe um fôlego para o terceiro mandato: logicamente a população paupérrima que se sustenta com o Bolsa Família ou com qualquer outra esmola fornecida pelo poder federal vai levá-lo de volta ao Palácio por 500 mandatos, se possível for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como levará Severinos, Jeffersons, Sarneys, Newton-Cardosos e demais de volta aos seus postos prontos a executar quantas políticas assistencialistas forem possíveis para garantir sua volta perene aos seus mandatos ou a outros, segundo seus interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o voto obrigatório é a ferramenta mais preciosa e acurada que pode existir para que se garanta isto. Enquanto a massa inculta enche a barriga com a esmola do governo e freqüenta escolas deprimentes que não a conduz à informação e ao raciocínio crítico for obrigada a comparecer às urnas, esta falácia continuará sendo parte de nossa história. Elas retornarão ao poder pessoas com a mesma mentalidade colonial (proteção do próprio em detrimento da coisa pública) de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não quero dizer que a população que sofre de privação deveria ser deixada a própria sorte enquanto apenas ações de longo prazo são executadas para garantir educação, saúde e emprego para futuras gerações. Programas que forneçam a estas famílias o que comer hoje – já que a fome não espera – são de vital importância. Todo o problema surge quando tais programas não são acompanhados de um plano de ação cujos objetivos sejam fornecer meios para a geração de renda por parte das próprias famílias necessitadas. Da maneira como é feito pelo atual governo, pesca-se eternamente o peixe para que, ao não saber pescar, a família não produza um número maior de peixes que lhe possibilitem investimentos outros, como em informação e educação, as quais levam ao senso crítico – que retira políticos ineptos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Círculo vicioso perfeito, como se pode perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a certeza de que esta população perpetuará no poder os eternos “pais dos pobres” é que me faz partidária do voto não-obrigatório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o voto não é exigência como em nosso país, apenas aqueles que desejam realmente votar comparecem, é claro. Para que se deseje votar, tem-se que acreditar em um candidato o suficiente para deixar o churrasco de domingo com a família, para enfrentar a fila da urna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns argumentam que assim, o destino do país correria o risco de ser decidido por uma minoria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que esta minoria fosse pensante, informada e engajada, para mim não haveria problema: a decisão deles refletiria uma visão crítica acerca do panorama político do país. Certamente, não haveria voto comprado com assistencialismo. E se houvesse, ele, possivelmente, não garantiria a eleição de incomuns – como nosso distinto e exemplar senador que sofre do mesmo mal do nosso sábio presidente: a ignorância (do verbo “ignorar, não saber” – que fique claro). Ignorância esta que remete ao fato de que a população deseja as definições de 1-4 para a nossa política e um basta nas 5 e 6 (Segundo o dicionário mencionado no início desta crônica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se, afinal, que o voto em massa, como hoje, não nos leva à depuração daqueles que regem nossas vidas (afinal, políticos tomam as decisões que nos afetam diariamente). Já se afirmou, sabiamente, que a “massa é burra”. Sendo assim, “massa burra” elegendo produz fornadas infinitas de pizzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que não quero afirmar que o simples fato de fazer da votação algo não obrigatório agirá com força balsâmica curativa sobre todos os nossos males históricos. Afirmo apenas que, se o comparecimento às urnas ficasse atrelado à vontade e motivação do eleitor, políticos e partidos teriam que se desdobrar em resultados para comprovar suas ideias e ideais a fim de que, com motivação aflorada, a população lhes confiasse a procuração, que é um mandato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que se vê acontecer em países em que o sistema eleitoral já funciona assim: quando algum candidato faz crer à população que suas propostas são exponencialmente melhores e mais bem fundamentadas que as dos outros, os cidadãos comparecem em massa para garantir sua eleição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o que de fato sei é que da maneira como está hoje, de que adianta votar conscientemente se, a cada voto consciente corresponderem centenas de “votos de fome”? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns, ainda adeptos da utopia do “vamos conscientizar a população”, crêem que há jeito. Porém, com todo o meu ceticismo e pragmatismo afirmo que quem não possui alimento, saúde e educação é, sem maiores esforços, usado como massa de manobra por aqueles que não padecem da falta de alimento, nem de saúde, nem de educação. Mas que padecem sim da falta de brio, moral e ética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta-nos, com certeza, pouquíssima esperança de mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ela é a última que morre, Deus é brasileiro, tudo é lindo no país do carnaval e maravilhoso na Copa do Mundo (desde que a gente ganhe, é claro).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Panis et circus - como se vê não são apenas problemas de encanamento venenoso que nos aproximam da antiga Roma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-939367794240543211?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/939367794240543211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=939367794240543211&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/939367794240543211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/939367794240543211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/votar-ou-nao-votar-eis-questao.html' title='Votar ou não votar, eis a questão'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-3702117676030281706</id><published>2009-06-22T16:37:00.002-03:00</published><updated>2009-06-24T15:17:09.686-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sobre jornalistas, pintores e escritores</title><content type='html'>(Sei que nossa prosa para esta semana já estava impressa no texto Movimento Surrealmente Terrorista, mas é que não poderia me furtar a comentar este fato!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SIM, EU CONCORDO COM O SUPREMO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta exclamação, qual brado de libertação, já me valeu diversos olhares cínicos e, até mesmo assassinos, mas, arrisco-me uma vez mais, dizendo em público, que concordo com a decisão do Supremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito, inclusive, venho refletindo sobre este tema e o fato é que realmente acredito que os jornalistas – aqueles que produzem matérias – não necessitam de diploma. Precisam, sim, de senso crítico, capacidade investigativa, ética, escrita de qualidade, capacidade expositiva dentre uma gama de outras qualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, me respondam sinceramente se tais qualidades são passíveis de serem adquiridas na faculdade – qualquer que seja ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aparte faz-se necessário: não estou afirmando, irresponsavelmente, que especialistas em jornalismo são desnecessários. Jamais imaginei ver o editorial de um jornal entregue a quem não conhecesse os meandros da comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o que afirmo e reafirmo é que para se escrever matérias cujo conteúdo seja altamente informativo, preciso, imparcial (quando for o caso de mera informação) ou parcial (quando o caso for de emissão de opinião ou posicionamento) não é necessário que se seja formado em uma faculdade de comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me levou a esta opinião foi o seguinte raciocínio: será necessário exigir que o pintor ou escultor sejam formados em faculdades de artes plásticas para que se reconheçam seu talento e lhes sejam abertas portas de galerias? Não. Mas, é necessário que o responsável pela galeria tenha formação específica para que possa reconhecer e disponibilizar espaço para aqueles que, de fato, possuam talento? Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será necessário que um escritor seja formado em letras para que possa publicar livros de qualidade? Não. Mas é necessário que o editor tenha formação específica para que possa avaliar quais escritores e livros compensam o investimento? Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao jornalismo, como se pode facilmente inferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda continuo: seria mesmo o profissional formado em comunicação a pessoa mais indicada para opinar ou relatar fatos políticos, econômicos, pedagógicos do que os profissionais destas áreas específicas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns argumentam que já era possível que estes outros profissionais, em colunas específicas, manifestassem suas produções em jornais como colaboradores. Mas, ora, dê-se nome aos bois: porque evitar chamá-los de jornalistas se o que eles fazem é produzir jornalismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra argumentação é que se estaria perdendo em qualidade de informação ao se tornar desnecessária a posse de um diploma em comunicação. Argumento contrariamente por duas vertentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira: uso a fala de editores de jornal entrevistados quando da divulgação da decisão do STF que afirmaram que os critérios de contratação de profissionais continuarão os mesmos – ou seja, diploma ainda será requerido na maior parte ou na totalidade dos casos. Sendo assim, a qualidade do profissional estará, parcialmente, preservada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão do STF, então, abriria, apenas, a oportunidade para que aqueles que podem usar da palavra com maestria em áreas diversas de conhecimento possam fazê-lo usando do nome correto para suas atribuições: jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda vertente que garantiria a qualidade: a exigência dos leitores, telespectadores e ouvintes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim exigência, sendo que a falta dela é que é notória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico-me: todos conhecemos vários jornais, portais de internet que divulgam notícias, rádios, canais de televisão. Alguns de maior qualidade outros de menor qualidade. Pergunto: quais são aqueles que possuem maior penetração? Aqueles que possuem maior qualidade técnica e argumentativa, é claro. Ainda mais, aqueles que sabem colocar a informação desejada da forma requerida por seu público alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os outros? Não vingam. São legados ao esquecimento – como em qualquer outra profissão ou meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais, convém acrescentar que a lei que foi derrubada pelo STF foi implantada na época da ditadura militar, portanto, sob regime de exceção. Seu objetivo era fazer com que menos pessoas tivessem o poder da palavra – pois é isto que o jornalista tem: o poder da comunicação e, porque não, do convencimento. Há que se imaginar o perigo que representavam homens e mulheres cultos, informados, respeitados e de máquinas e canetas em punho. Podem-se mencionar Clarice Lispector, Drummond, Nélson Rodrigues, Bluma e Samuel Wainer, Paulo Francis,  dentre outros (por falar nisto, alguém poderia me dizer em qual faculdade de jornalismo eles se formaram?). Isto, mencionando apenas importantes jornalistas brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significam minhas afirmações que eu defendo que o poder da palavra seja dado a qualquer indivíduo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim e não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, qualquer indivíduo deve poder se expressar e relatar suas opiniões. (Vivemos em uma democracia onde a liberdade de expressão é garantida pela Constituição, certo?) Escute-o quem quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, também digo que não: nem todos os indivíduos merecem ser detentores da palavra uma vez que podem emitir opiniões contrárias ao que é justo, legal, moral, ético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é necessário que se faça nada: a mola que move o mercado e o capitalismo – e que é bem exigente – se fará presente para selecionar aqueles que serão ouvidos ou ignorados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entenda-se por mercado os leitores, ouvintes e telespectadores e como produto a notícia. Os primeiros apenas usarão seu tempo para prestar atenção à segunda, se a considerarem relevante e de qualidade – sendo assim, relegarão ao oblivion tudo o que não se encaixar em suas expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, fica claro que não quero dizer que para o exercício do jornalismo não é necessária formação. É claro que sim. Os jornalistas são formadores de opinião e é necessário que conheçam o assunto de que se propõem falar – mas, não é necessário que tenham formação em Comunicação, mas sim, em suas diversas áreas de atuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, não quero jamais afirmar que o curso de Comunicação Social é irrelevante. A bagagem teórica que a que ele expõe seus estudantes é, de fato, interessante abarcando campos da filosofia, línguas, etc. Seria até, imprescindível, ouso afirmar, para um editor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não para aqueles que usarão do poder da palavra para o exercício da reportagem e da informação, já, que o que se exige de quem o faz são características como excelente texto (oral ou escrito), conhecimento específico, capacidade de inferência e investigação, síntese de dados, caráter e ética. Agora, alguém me recomendaria uma faculdade que ensinasse o indivíduo a ter tais qualidades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, que se me apresente o diploma do Drummond.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-3702117676030281706?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/3702117676030281706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=3702117676030281706&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3702117676030281706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3702117676030281706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/sobre-jornalistas-pintores-e-escritores.html' title='Sobre jornalistas, pintores e escritores'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-2740444390462797390</id><published>2009-06-22T13:51:00.003-03:00</published><updated>2009-07-14T15:03:13.816-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Movimento Surrealmente Terrorista</title><content type='html'>Ainda me lembro da primeira vez em que ouvi falar de reforma agrária: devia ter uns onze ou doze anos e estudava em uma escola pública de referência em Belo Horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me claramente da professora de geografia falando. Ela ostentava orgulhosamente um broche de estrelinha vermelha com a sigla do PT – me pergunto se ela ainda o usa. Em sua fala, minha antiga educadora exaltava a necessidade premente de tal reforma para fornecer terras àqueles que não a possuíam e que eram injustiçados pelos latifundiários proprietários de levas infindáveis de terras, que não utilizavam: um acinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, as idéias dela e do livro didático utilizado então (declaradamente de esquerda) faziam total sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como é muito característico da minha personalidade – sou extremamente curiosa e perguntadeira - comecei a relacionar o que ouvia na escola com o que via. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha curiosidade ficou ainda mais aguçada devido ao fato de que em nossas viagens anuais em família, eu sempre via terras e mais terras: quase tudo cercado – muitas vezes plantado ou com gado. Mas, se se procurasse direito, ainda encontravam-se alguns pedaços sem cercas. Em uma destas vezes eu perguntei ao meu pai o que aconteceria se decidíssemos morar em algum pedaço de terra, aparentemente não utilizado, não cercado, de uma hora para outra. Queria saber se alguém teria o direito de nos retirar. Meu raciocínio era simples: já que o Brasil era nosso, se a terra não estava sendo utilizada por ninguém é porque poderia ser utilizada por qualquer brasileiro (crianças são de fato inocentes...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta dele foi uma risada... Seguida da explicação de que o Brasil é dos brasileiros, sim. Mas que há questões envolvidas na propriedade de terras: é necessário comprar de alguém ou do governo para se ter a posse desta terra e poder utilizá-la para o que quer que fosse. Ele ainda exemplificou dizendo: e se tivéssemos uma fazenda ou sítio, gostaríamos de vê-la invadida por outrem alegando que eles a utilizariam melhor que nós? É claro que não! Já imaginei meus cavalinhos e vaquinhas – que não possuía – sendo montados e aboiados por outros que não nós mesmos. Aprendi ali que a propriedade é algo sagrado, inviolável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto também fez todo o sentido par mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claramente, os dois conceitos: propriedade e coletividade (implícitas nas idéias de “possessão de terras” e “reforma agrária”) começaram a se chocar. É interessante como as idéias que fazem sentido e são bem argumentadas, mas são conflitantes, se digladiam na nossa cabeça até que se decida qual ponto defender ou acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, ora eu admitia que é injusta a situação dos que possuem terras e não as utilizam impedindo famílias de obterem seu sustento; ora eu pensava no direito à posse do que você adquiriu ou herdou e utilizava, de fato. Este meu embate cerebral durou anos, posso dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo destes anos, outros conceitos e observações foram sendo feitas – assim como outras leituras: de esquerda, de direita, de centro e indefinidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minhas observações, vi surgir ou se tornarem conhecidos vários movimentos que se utilizavam da defesa dos direitos dos despossuídos – dos sem terra, sem teto, dos sem emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É engraçado como todos se iniciam apregoando conceitos de notória justiça: direito à alimentação, moradia, dignidade – absolutas prerrogativas humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeatas se desenrolavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestas, sempre era possível observar que, em meio às muitas bandeiras hasteadas, em meio aos que gritavam palavras de ordem, havia sempre uma, em quantidades marcantes, que me remetia à minha ex-professora de geografia... Mas pouquíssimas vezes eu observava bandeiras do Brasil – quando estas se faziam presentes, era sempre em pequeníssimo número. Ainda me pergunto o que isto quereria realmente dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, sempre a observar e refletir, vi se tornarem conhecidos ou mais barulhentos movimentos que aclamavam “direitos” menos nobres, dentro e fora do Brasil: “direito” de viver apenas junto de sua etnia (eliminando todas as demais), “direito” a ter um país (eliminando todos os que desejassem também aquele país, ou que não permitissem sua liberdade), “direito” a ter uma fé e vivenciá-la diariamente (mandando pelos ares todos os que professassem fé diferente)... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Siglas sucediam-se carregadas de mistério e significado: ETA, IRA, OLP – os terroristas da minha infância: assombravam meus pesadelos assim como o Saddam Husseim assombrou meu menino anos depois. (Literalmente, pois, certo dia, ele, com uns três aninhos, me chamou na hora de dormir e disse estar com medo do Homem Barbudo entrar pela janela aberta. Homem do Saco, Bicho Papão (debaixo da cama ou dentro do armário) eram meus velhos conhecidos. Este tal Homem Barbudo era novidade. Quando lhe perguntei quem seria tal homem ele me disse ser o Saddam Husseim, que ele sabia ser do “Iraque”, usar barba e ser mal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terrorismo, então, passou a ser para mim, sinônimo de ônibus, prédios, ruas explodindo. Sunday bloody Sunday. Invasão e quebra-quebra em propriedades privadas ou particulares. A dogmatização de crianças em escolas onde aprendiam a falar em voz alta, ininterruptamente, frases religiosas ou a defender ferrenhamente a visão de seus pais e professores. Aprendendo que é bom matar ou morrer por esta visão. Sofrimento de pessoas ditas inocentes – muitas vezes o desconhecido passante que estava no lugar errado, na hora errada: repentinamente, explosão e braços e pernas pelos ares. Enfim, aprendi que terrorismo era tudo o que provocasse terror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o correr dos anos, e com menos resultados do que esperado em caixa, alguns destes movimentos, ao passo que permaneceram com as mesmas ideias, convenceram-se de que era melhor usar a ideologia para dogmatizar seguidores, aumentando mais e mais seus adeptos, e se fazer ouvir. Como passaram a desejar o apoio e o respeito internacional – o que determinantemente facilita algumas conquistas, suavizaram suas ações: em vez de bombas em ônibus ou atadas a pessoas, começaram a utilizar as urnas. Em alguns casos, o apoio popular fez com que estas organizações conseguissem em poucos anos o que não haviam conseguido em décadas de combates. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não quero simplificar uma questão extremamente complexa que envolve as relações sociais de diversos povos, e nem ignoro que enquanto se utilizam do voto, determinadas organizações permanecem apoiando o terrorismo por outros meios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quero dizer é que, organizações antes violentas, extremistas, estão se tornando menos agressivas – mesmo que mantenham a defesa da mesma ideologia, seja ela justa ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no Brasil, a impressão que tenho é que se dá o oposto: certas organizações parecem querer migrar das passeatas e da dogmatização ideológica para o terror. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tome-se o caso do MST e da Via Campesina – menciono-os, pois são os de que mais se fala na mídia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu estava lá, sentadinha na cadeira da escola, e minha professora de geografia falava de reforma agrária, o MST fazia passeatas e reivindicava algo absolutamente justo: o direito de famílias de lavradores, impedidas de possuírem terras pelo fato de estas estarem ocupadas para especulação sendo mantidas improdutivas, possuírem tais terras e com elas sustentarem suas famílias. Enxurradas de bandeiras vermelhas com foices e martelos corriam pelas ruas das grandes cidades. Marchas eram organizadas trazendo repercussão para a mencionada injustiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde os anos de minha infância e adolescência para cá o mesmo MST - e alguns movimentos correlatos - mudou gradativamente seu modo de agir: as passeatas tornaram-se menos expressivas enquanto que fazendas passaram a ser invadidas e depredadas: lavouras destruídas, gado morto, sede vandalizada. Ora, pergunto: se há lavouras e gado a se obliterar, onde está a improdutividade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me ainda da pesquisadora chorando, lamentando seus anos de pesquisa perdidos pelas mãos de mulheres com rostos cobertos que quebraram seu laboratório e destruíram suas plantas. Uma vida de pesquisa e dedicação soprada como poeira – dedicada em vão: suas perguntas não seriam respondidas. Em minha matemática: plantas + pesquisa = produção. Mais uma vez, onde está a improdutividade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi ainda as escolas de acampamentos, famigeradamente sustentadas por dinheiro público, ensinando aos pequenos qual a causa certa pela qual matar ou morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pensei terem eles chegado ao máximo da ilegalidade, mais um crime foi acrescentado à sua lista de práticas abjetas: o assassinato - como se pôde ver no caso dos vigias contratados para defender uma fazenda que seria invadida – e por isso foram mortos a tiros. Estariam eles em lugar não apropriado em hora indevida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente tenho me perguntado quando os ônibus e prédios começarão a explodir matando aqueles mesmos incautos passantes-da-hora-e-lugar-errado, pois estes movimentos estão, com mudanças sutis implementadas ao longo de anos, começando a se encaixar na minha definição de terrorismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;Surreal! Como eu exclamava em meus tempos de adolescência quando queria me referir a tudo que fosse muito estranho e inesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que não quero dizer que a reforma agrária é desnecessária – muito pelo contrário. Reafirmo que é justo que às pessoas seja dado o direito de retirarem seu sustento da terra em detrimento do uso da mesma para especulação com sua consequente manutenção em estado de improdutividade. Em contrapartida, também é justo que pessoas que possuam pequenos ou largos pedaços de terra e os utilizam para seus fins particulares – que sejam legais e produtivos – tenham seu direito assegurado. O direito dos últimos de possuírem terras, não interfere no direito dos primeiros de acesso ao seu sustento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi que, finalmente, o impasse entre “propriedade” e “coletividade” se resolveu na minha cabeça: pelo caminho do meio, como já filosofava um certo oriental.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-2740444390462797390?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/2740444390462797390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=2740444390462797390&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2740444390462797390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2740444390462797390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/m-ovimento-s-urrealmente-t-errorista.html' title='&lt;em&gt;M&lt;/em&gt;ovimento &lt;em&gt;S&lt;/em&gt;urrealmente &lt;em&gt;T&lt;/em&gt;errorista'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-1472751973804507009</id><published>2009-06-17T19:09:00.001-03:00</published><updated>2009-06-17T19:09:43.141-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://blogblogs.com.br/api/claim/-349839431/217686/149802' rel='me'&gt; BlogBlogs.Com.Br &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-1472751973804507009?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/1472751973804507009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=1472751973804507009&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/1472751973804507009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/1472751973804507009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/blogblogs.html' title=''/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-2141755084309741970</id><published>2009-06-16T10:39:00.002-03:00</published><updated>2009-06-26T11:55:53.661-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Crônica: Injustiças nossas de cada dia</title><content type='html'>Muitas vezes não damos importância ao que vemos escrito ou divulgado em propagandas porque as consideramos apenas o “enchimento” do espaço entre as partes do jornal ou da revista, ou do tempo de um programa televisionado/irradiado. Arrazôo que deveríamos proceder diferentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oras, por que, já que mal prestamos atenção neles, exceto quando são engraçadinhos (como os de algumas cervejas) ou quando contenham mensagens emocionantes (como os de sabão em pó)? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisemos: qualquer pessoa com um mínimo de esclarecimento já percebeu que os tais anúncios são direcionados a públicos específicos cujas características são inferidas segundo o alvo da programação principal. Por exemplo: durante programas infantis vêem-se anúncios de lojas de brinquedos, artigos infantis e demais produtos voltados a este público. Já durante a programação noturna, observam-se reclames que se dirigem aos adultos já que são eles que comumente monopolizam a telinha neste período do dia. A mesma lógica é usada quando da decisão com relação à qual página anúncio de determinado produto vai ocupar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando neste público, o visado para seus produtos, aqueles que encomendam a confecção das propagandas tentam atingir o leitor, telespectador ou ouvinte de forma a convencê-lo a eleger seu produto, de um rol de outros oferecidos, para gastar seu dinheiro. Para isto usam da função apelativa – que nada mais é do que o nome técnico da linguagem apropriada para convencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo tal fato em mente, analise-se uma propaganda veiculada no jornal de maior circulação da cidade onde moro. Era uma propaganda relacionada ao transporte urbano e me deixou absolutamente indignada. Tal propaganda trazia estampada uma foto dos coletivos e dizeres que davam a entender que os preços caros das passagens deviam-se aos usuários do serviço que são isentos de pagamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, tal anúncio colocava-se frontalmente contra a Constituição, que garante gratuidade de transporte a idosos. Ainda afronta leis estaduais e/ou municipais que garantem a gratuidade para deficientes. Na verdade, usando da função apelativa de maneira muito pouco ética, o responsável pelos anúncios posicionava-se ideologicamente tentando convencer ao leitor incauto de sua ideologia: o direito de gratuidade garantido por lei tratava-se não de direito, mas sim de abuso e, por causa deste abuso, a sociedade de uma maneira geral era penalizada já que deveria pagar preços mais caros pelo transporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São óbvias as conseqüências implícitas em tal veiculação, especialmente considerando-se que nem todas as pessoas possuem senso crítico para diluir esta propaganda ao que ela realmente é: algo ilegal e injusto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pior, a postura deste grupo responsável pela contratação da propaganda, é a mesma  demonstrada pelos funcionários da empresa de transportes urbanos de Conselheiro Lafaiete - MG: deixar claro que aqueles que não pagam passagem o fazem por benesse desta companhia e não pelo direito e por força da lei. Ora, certa vez ao pegar o ônibus presenciei a cobradora exigir dinheiro de um senhor já que seu famigerado cartão de passe gratuito havia já sido usado seis vezes durante o dia e estava bloqueado. Este cartão trata-se de um artifício usado por esta empresa para controlar a quantidade de vezes que um idoso ou deficiente pode fazer uso do transporte público. É obvio que intervim. Disse ao senhor, de aparência muito simples e que tentava se explicar à cobradora dizendo que havia precisado ir ao médico levar exames, o que ele deveria fazer: mostrar sua identidade para comprovar sua idade. Se qualquer um o tentasse impedir de usar o ônibus tendo comprovado sua idade, que ele acionasse a polícia. A gratuidade era seu direito, afinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mencionado acontecimento e a mensagem da propaganda fazem-me imaginar um cenário onde todos, indiscriminadamente, pagam as passagens. Faz mesmo parte das possibilidades a diminuição do preço da passagem como contrapartida ao fato do aumento da aquisição de renda por parte das empresas de transporte? Para se chegar a uma resposta, basta lembrar algumas altas e baixas em preços e usá-los como exemplo: o petróleo sobe, os combustíveis sobem, todos os produtos que necessitam de transporte sobem, tarifas de ônibus sobem. E quando o preço do petróleo cai, caem todos os outros em cascata inversa? Apenas os mais inocentes acreditariam mesmo na possibilidade da baixa de preços como resposta – exceto em tempos de crise e recessão técnica como agora, com cortes em impostos e taxas de juros, junto com ameaças de falências múltiplas é que se veem redução de preços...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda, em tempos em que se discutem a coerência ou não de se criarem novas leis para se regulamentar a imprensa e quando se observam donos de jornal e de grandes veículos de comunicação dizerem que os meios de comunicação sob sua responsabilidade se autorregulam é assaz interessante deparar-se com uma propaganda desta. Ela sugere o contrário – que nem todos são capazes de se autorregular, controlar, julgar uma vez que, é importante que se lembre, os interesses monetários regem a veiculação de propagandas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se quer dizer, obviamente, que tais interesses sejam escusos: eles movem o capitalismo – sistema que, na falta de outro melhor, serve. Entretanto, a responsabilidade e a ética devem, ou pelo menos, deveriam estar acima destes e de quaisquer outros interesses, especialmente com relação àqueles que são responsáveis pela educação, política, assim como por meios de comunicação. Há que se preocupar com a carga ideológica veiculada e que chega a todos os tipos de ouvidos e olhos: cultos ou incultos, com senso crítico ou sem ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais, considerando-se que os padrões morais e éticos de grande parte da população são regidos pela “novela das oito” deve-se zelar ainda mais pelo que é transmitido. O ideal seria, na verdade, que a população, quando se visse afrontada por propagandas tais, manifestasse-se por escrito à redação expondo que não deseja ver o espaço do jornal que compra poluído por ideologias injustas e ilegais. Se tal persistisse, que os leitores fizessem uso da ferramenta mais poderosa que possuem: o poder monetário e parassem de comprar tal jornal ou assistir a tal canal de TV – mas aí, estaríamos nadando de braçada na utopia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, até que a utopia se materialize, conclamem-se os meios de comunicação para uma postura de maior responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamem-me de idealista, é o que sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-2141755084309741970?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/2141755084309741970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=2141755084309741970&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2141755084309741970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2141755084309741970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/cronica-injusticas-nossas-de-cada-dia.html' title='Crônica: Injustiças nossas de cada dia'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-2273955241868848133</id><published>2009-06-10T07:34:00.002-03:00</published><updated>2009-06-26T12:00:08.522-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Crônica: Morreremos jovens</title><content type='html'>Muitas vezes me perguntei se as pessoas estão cientes da passagem do tempo e do que ela significa. Tempo no sentido imediatista e também no amplo. Tempo este da experiência, mas também das rugas, linhas de expressão, marcas na pele que começam a surgir por todo o nosso rosto e corpo – o incrível é pensar que são estas as marcas que mais afetam nossa sociedade egocêntrica e individualista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico-me: o sentido imediato das marcas da passagem do tempo em nosso corpo para aqueles com dificuldade de enxergar além do próprio umbigo soberano é: Precisarei de nova maquiagem ou novo kit de rejuvenescimento. Uma lipo para “curar” as gordurinhas, talvez? Esclareço antes de polemizar: não possuo absolutamente nada contra tratamentos de beleza ou rejuvenescimento – desde que você não se esqueça de manter jovem e cuidar do que vem por dentro também, não apenas da casca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no sentido amplo, todas estas marcas que se acumulam ao longo dos anos significam que nós estamos envelhecendo e que, se tudo der certo, ficaremos idosos dentro de alguns anos. Idosos como aquela senhorinha que demora séculos para atravessar a rua, parando o trânsito e outro século para contar seu troco no ônibus, impedindo a fila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ficaremos velhos, cansados e limitados fisicamente e, muitas vezes, intelectualmente. Digo isto como novidade porque a certeza mais intrigante que tenho vem da minha observação das pessoas e suas atitudes. Esta certeza é a de que os seres humanos se esqueceram de que o envelhecimento, por ser um processo natural da vida, acomete a cada um de nós – a você leitor, a mim, ao meu vizinho, amigos e inimigos – a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que não é exercício dos mais agradáveis ter a consciência do próprio fenecimento e exercitá-la – eu mesma odeio pensar no assunto. Em especial, odeio pensar que, junto com a velhice vem a dificuldade de movimentos, carência dos sentidos, dependência (por muito ou pouco tempo até o “canto do cisne”, dependendo da saúde de cada um, mas ela é inevitável).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, vejo que apesar de doloroso, este é um exercício necessário: lembrar que seremos velhos um dia, já que as pessoas andam meio esquecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplifico: há alguns anos moro em Conselheiro Lafaiete-MG, cidade de médio porte que fica a cerca de 90km de Belo Horizonte. Pois bem, ao voltar de uma das escolas onde leciono alguns dias atrás, estava parada em um sinal movimentado do centro da cidade. A avenida possui seis pistas e é margeada por uma segunda rua de duas pistas, ou seja, somando-se: oito pistas a serem atravessadas. Ali mesmo, pouco a frente, e sobre a faixa de pedestres vi um policial militar que sinalizava com a mão e trazia pelo braço uma senhorinha encurvada já, com o peso da idade. Estava bem esperta ainda, mas, obviamente, seus passinhos eram curtos. Eles atravessaram as seis pistas da avenida e estavam cruzando meia rua quando o sinal abriu. O policial estendeu o braço com o intuito de deixar mais claro que continuaria a travessia com a senhora. Óbvio! Claro! Alguém imaginaria que os dois ficariam parados no meio da rua com os carros passando de lá e de cá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, por incrível e absurdo que pareça, mesmo tendo uma velhinha de passinhos curtos e um militar sinalizando com a mão, vários motoristas simplesmente avançaram impedindo a passagem dos dois. O fluxo de carros teria continuado sem que ninguém permitisse a passagem deles se o policial não tivesse se postado abruptamente na frente de um dos carros bloqueando sua passagem e ficando de pé na frente do mesmo para que a segunda pista pudesse ser atravessada pela senhora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dantesco? Surreal? Não... Fato corriqueiro para minha máxima tristeza: motoristas acelerando em ambos os lados impedindo a passagem de maneira assustadora. Isto porque ambos, militar e doninha, estavam sobre a faixa de pedestres, no meio da travessia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este e outros fatos semelhantes são os que me fizeram crer que as pessoas são, além de filhas de chocadeira, indivíduos que morrerão jovens. É impossível conceber que nenhum daqueles motoristas consiga ver na senhorinha passante sua mãe, pai, avó, avô ou a si mesmo dali a alguns poucos ou muitos anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como já ouvi muitas vezes “velho tem que ficar em casa!”. Pois gostaria de ver se você, ao ficar velho, quererá ficar apenas em casa sendo direito seu movimentar-se livremente. Ainda vivemos em uma democracia e temos como direito assegurado nossa liberdade de ir e vir, pois sim? Afinal, não me lembro de ter lido em lugar algum que tal liberdade é assegurada apenas aos jovens e de movimentos serelepes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao olhar as pessoas e suas ações, apenas consigo concluir que todos anseiem o fim de James Dean.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sei é, ao ver a forma como alguns tratam a estas pessoas, apenas consigo articular minha esperança de ensinar valores melhores ao meu filho – torcendo para que ele os aprenda e saiba que se não é pelo fato de que qualquer ser humano deve ser respeitado que ele tratará condignamente os mais velhos, que seja pelo menos, por pensar que ele desejará igual respeito quando suas próprias costas se encurvarem e as cãs cobrirem sua cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-2273955241868848133?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/2273955241868848133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=2273955241868848133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2273955241868848133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2273955241868848133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/morreremos-jovens.html' title='Crônica: Morreremos jovens'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-5428590349460472002</id><published>2009-06-09T10:45:00.000-03:00</published><updated>2009-06-09T11:22:25.203-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Conto: Olhos Vermelhos</title><content type='html'>Era apenas mais uma noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite um tanto quanto sombria, é verdade, mas apenas uma noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua cheia ia alto no céu escondendo-se atrás de um véu de nuvens cinzentas e, por vezes, revelando por completo sua face mortiça. Sombras e vultos brincavam de esconde-esconde pelos cantos dos olhos dos pouquíssimos passantes. O bafo gélido da noite recebia àqueles que a desafiavam com um beijo cortante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Calma menina, é só a madrugada que está um pouco fria”... – pensou Priscila imediatamente começando a cantar tentando fazer com que o som da própria voz lhe acalmasse os nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo em vão: o vento assobiava em seus ouvidos canções doentias demais para que ela conseguisse controlar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertando o passo em direção à “pensão familiar” onde dormia, a prostitua tentava pensar na mãe e nos irmãos do interior que dependiam dos poucos tostões que conseguia dos clientes na Praça Rio Branco. Não crescera para isso – o meretrício não fora seu alvo ao desembarcar há dois anos na rodoviária da capital – fora sua única opção. Seu pai havia morrido e cinco crianças dependiam dela agora, ou seja, Priscila não podia dar-se ao luxo de escolher o que fazer, se ninguém havia aceitado seus préstimos como empregada, paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não era especialmente bonita, nem inteligente, o que lhe restara era tentar ocupar um espaço naquela maldita praça desde as nove horas da noite fazendo pequenos programas com quem quisesse pagar-lhe, pelo menos, cinco reais. Alguns clientes fixos ela conseguira, mas estes lhe rendiam pouco por semana. A maior parte de seu dinheiro vinha daqueles desconhecidos – cinco ou seis por noite – que ela levava para um passeio de, no máximo, quarenta minutos em sua cama. Homens dos quais ela mal conseguia lembrar-se do rosto, ou se eram bons, maus ou tristes – eram apenas seus clientes – iam e vinham ao sabor da ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de seus irmãos e de sua mãe ela se lembrava – de fato, não os esquecia jamais. Era em suas expressões, em seu riso e em seu choro que ela pensava quando alguém a possuía com maior brutalidade magoando-lhe a carne surrada levando-a, às vezes, a sangramentos advindos de feridas doloridas que, ainda assim deveriam ser ignoradas no exercício de sua profissão, pelo bem dos seus. Seus pequenos eram a única motivação que a levava dia após dia a atravessar ruas escuras e perigosas com roupas mínimas atrás de homens com pouco dinheiro e muitas perversões, mesmo em uma noite tão sombria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toc, tic, toc – era o som de seus saltos gastos batendo contra as pedras da calçada. Toc, toc, toc sons de outros passos misturam-se aos seus e parecem ecoar com a força de batidas em um sonoro tambor no silêncio frio da noite. Ela decidira ficar até um pouco mais tarde com um coitado que lhe oferecera quinze reais pela realização de uma fantasia obscura e dolorosa – para ele, não para ela. “Jamais entenderei essas pobres criaturas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, ao voltar do programa que se desenrolara em um hotelzinho próximo à escola Silviano Brandão, encontrara essa noite aziaga enquanto solitariamente dirigia-se para o local onde passava a noite – um pardieiro na virada do viaduto onde se ela não tomasse cuidado, quem passava nos carros do lado de fora veria sua intimidade naquele quartinho fétido onde ela tinha seus únicos momentos de privacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila apertara seus passos – sua função estava encerrada por hoje, mas os outros passos insistiam em acompanhar os seus. Ela pára e vira-se repentinamente já com uma resposta ferina nos lábios para dar àquele que, com certeza, queria ser seu último cliente, mas, ninguém estava lá. Apenas a calçada, a rua Itapecerica deserta, lojas fechadas. Maria Aparecida – seu nome de batismo, Priscila era apenas o nome de guerra – aperta instintivamente a navalha que sempre trás enfiado no sutiã, entre os seios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Não é nada, menina, é só essa noite maluca mexendo com você”. – disse ela voltando a andar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toc-tocs mais apressados fazem-se ouvir no silêncio macabro da noite fria e a entrada da passarela que liga o bairro São Cristóvão ao centro já é visível em meio à penumbra causada por algumas lâmpadas queimadas nos postes próximos. Priscila quase corria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som do salto de sua bota batendo contra o concreto frio parece agora mais seco e menos assustador. Ela atravessa a passarela escura e fétida apressadamente enquanto um gato preto lambe languidamente os últimos resquícios de sua deliciosa refeição morna e ensangüentada das patas e a lua mostra claramente sua face esbranquiçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente, um estalido contra o chão. O gato que deliciosamente lambia suas patinhas pretas pula num salto suicida para o lado de fora da mureta emitindo um som aterrorizante. Um predador dominante acabava de iniciar sua caçada fazendo ressoar no silêncio suas passadas inumanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem meretriz – ela tinha apenas dezenove anos – sente o sangue gelar e um frio característico subindo-lhe a espinha até o centro do cérebro. Seu instinto de preservação aguçado dia a dia naquela vida incerta aprendera a emitir-lhe sinais bem claros em situações de perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela começa a correr desabaladamente. Lembrava-se muito bem das histórias da vó Lica sobre as criaturas que andavam livremente em noites como aquela atrás de vítimas para saciar sua sanguinolência implacável. Imagens do grande porco/homem contadas por sua avó vinham a sua mente, enquanto ela, sem perceber gritava os nomes dos santos dos quais se lembrava para afastar a possível “visagem” – mas não olhava para trás. Não ousava olhar para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Súbito, os passos pesados param... Priscila nem nota... O vento cortante assobia mais forte... “Será que essa passarela não tem fim?”... A lua brilha mais intensamente no céu... Um ganido gutural e assustador corta a noite... “Alguém me ajude!”... O beijo da noite torna-se então, ainda mais gelado... Duas pernas doem beirando a exaustão... “Eu preciso continuar!”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Priscila, no ápice da exaustão e do horror começa a pensar que é seu fim – “o que vai ser dos meus irmãozinhos?” – quando, finalmente, um vulto humano surge à sua frente – possivelmente um homem. A prostitua sente a esperança começar a renascer e, num súbito esforço, faz com que as forças voltem ás suas pernas já amolecidas pela explosão iniciada pelo pânico. Novo impulso é dado ao seu corpo, enquanto a sombra humana se aproxima mais e mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exausta, aterrorizada, mas finalmente sentindo-se segura, a mulher finalmente cai desmaiada nos braços do desconhecido que sorri, sinistramente, do fundo de seus olhos vermelhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-5428590349460472002?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/5428590349460472002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=5428590349460472002&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/5428590349460472002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/5428590349460472002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/conto-olhos-vermelhos.html' title='Conto: Olhos Vermelhos'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-3726881054909941780</id><published>2009-06-09T10:34:00.000-03:00</published><updated>2009-06-09T11:22:36.224-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Conto: Ele</title><content type='html'>&lt;em&gt; Publicado como participação especial no jornal &lt;b&gt;"Conhece-te a Ti Mesmo"&lt;/b&gt;. Publicado na edição 98/2009&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“De novo não... Desta vez eu não vou”.– Pensei firmemente tentando tirar da  mente a minha obrigação de todas as semanas. “Não e não” – disse para mim mesmo mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era incontrolável. O senso de dever me obrigava a partir e simplesmente fazer o que tinha que ser feito. “Mas como? Que senso de dever? Ninguém deveria ter uma obrigação como esta!” Mas a obrigação era minha e eu não tinha como escapar. “Mas não, não quero mais... Ninguém vai me obrigar a isto!” Mas, lá dentro eu tinha certeza de que Ele podia. Por Ele eu faria tudo. Eu não agüentaria aqueles olhos vermelhos me perscrutando e dizendo que se eu não cumprisse a minha parte do acordo ele se cumpriria em mim... O que isto quer dizer? Eu, até hoje, não ousei descobrir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Ele sempre me ameaçava. Ás vezes eu já tinha até pensado que era melhor eu deixar-Lo fazer comigo o que quisesse. Você sabe, a dor na consciência é a pior das dores – e a minha está doendo tanto que tem dias em que eu não consigo nem dormir. E nos dias em que durmo os rostos delas vêm me visitar e cobrar o destino que eu lhes dei: demoradamente doloroso e triste. “É verdade, é verdade – eu sei que eu demoraria só uma semana para morrer e que Ele devoraria aos poucos minha carne começando da pele até chegar ao esqueleto e que depois eu teria o descanso eterno...” Descanso eterno – esta expressão sempre me incomodou: como o padre podia ter tanta certeza? Ele mesmo nunca tinha estado lá! Mas se bem que depois de tantos anos uma semana de sofrimento não apagaria os meus pecados. Tenho quase certeza que se eu deixasse que Ele fizesse aquilo comigo eu queimaria no canto mais quente do inferno com Belzebu em pessoa me torturando pela eternidade. Mas, pensando bem, isto eu poderia suportar... O que eu não suportaria é desagrada-Lo – isto sim seria o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aí, ta vendo! Voltamos ao mesmo lugar! Para não desagrada-Lo eu tenho que cumprir meu acordo. Tá bom, quem vai ser desta vez? Ah, é... Ele já tinha até escolhido a moça: era aquela do banco – a loira de cabelos compridos, olhos verdes e lábios vermelhos. É, eu tinha que reconhecer que o desgraçado tinha bom gosto.” Todas elas eram realmente princesas. Mas ele era assim: apenas as melhores teriam o privilégio de se tornarem as Princesas Ocultas e ter os seus rostos enfeitando a parede da Sala das Ocultas. Tá, tá certo que ninguém podia ir àquele quarto a não ser Ele e eu. Mesmo assim, eu só tinha permissão de entrar lá quando ia levar os novos rostos para compor o mural. E era lindo! Cada uma das princesas que eu havia atraído e trazido para aquela casa tinha o seu lugar para ser amada e adorada para sempre. É claro que elas gostavam: quem não gostaria de ser adorado? É, é claro que elas demoravam um pouco a serem convencidas: na verdade elas só diziam que sim quando paravam de gritar. E como elas gritavam - mas a dor purifica. E elas, no final ficavam tão puras que tenho certeza que as alminhas delas estavam lá no paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se elas estavam no paraíso, por que apareciam como pavorosos diabos em meus pesadelos? Lá elas me perseguiam como corvos agourentos gritando que eu era o culpado – eu tentava explicar que a culpa não era minha era Ele! Só Ele era o culpado! Ele me obrigava a atrair as pobres moças e Ele as fazia gritar. Ele! Ele! Não eu. Mas eu acho que elas me confundiam com Ele porque Ele se parecia muito comigo – coisas do sangue, é claro. Mas nós não éramos a mesma pessoa apesar de até eu mesmo duvidar disto de vez em quando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje eu estava decidido a parar, eu ia falar. Ia gritar se preciso! “Não vou mais trazer ninguém! Se você quiser mais Princesas saia daí e vá buscar você mesmo!” – Ah, ele vai ver comigo. Eu vou sair daquela casa e nunca mais vou aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pisando com passos duros Eu seguia pela rua indo se encontrar com Ele. Quem o via na rua diria que se tratava de um homem jovem, de aparência forte e de feições hora decididas, hora tomadas pelo medo, hora tomadas por prazer. Eu parecia não se importar com nada nem com ninguém. Parecia ter um objetivo - seus olhos eram os que denunciavam tal decisão: duros, frios na maior parte do tempo. Mas, Eu era muito bonito. Poderia ser um sucesso com as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biiiiiiiiiiiii – quase atropelado! Sua decisão era tanta que Eu nem tinha olhado o sinal da avenida mais movimentada da cidade. Em um ágil salto ele se pôs novamente na calçada e cambaleou.&lt;br /&gt;- O senhor está bem? – Era morena, jovem, grandes peitos e um lindo nariz – o &lt;br /&gt;mural ficaria contente... – O senhor quer que eu ligue para alguém?&lt;br /&gt;- Não, não. Acho que foi o sol. Já estou melhor. – “Ah, não. Eu aqui decidido a&lt;br /&gt;não fazer mais isto e ela aparece – só pode ser um sinal... Mas de Deus ou do Diabo?”... Não, não posso mais pensar nisto. Nem vou falar com Ele que a vi. Meu assunto com Ele hoje são algumas boas verdades que vou lhe lançar na cara, ah, isto sim!.. Mas, se bem que não tem problema se eu a ficar olhando... Só saber onde ela trabalha, ou mora... Tão bonita, tão educada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, então é ali... Na livraria... Ela deve ser culta... Ia ficar bem ao lado da jornalista... Não, não e não! Não vou pensar nisto... Não posso me desviar do meu objetivo. Tenho que ir para o sítio agora e encara-Lo enquanto ainda tenho vontade e força suficiente para isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ei, onde você está? APAREÇA!” Ele já sabe o que eu vim fazer aqui... Ele sempre sabe tudo o que eu penso... Não é possível que Ele não vai aparecer logo hoje... “APAREÇA, DESGRAÇADO! A GENTE TEM QUE CONVERSAR!” Não, assim não ficou bom, submisso demais: o que Eu sou? Uma tia velha? “APAREÇA, DESGRAÇADO! EU TENHO QUE TE FALAR UMAS COISAS!” Melhorou. Mas será que Ele vai ficar ofendido? Será que Ele vai ficar nervoso comigo? Não... Pensamento errado... Tenho que ficar calmo e me concentrar... Não posso deixar Ele me convencer e muito menos posso contar para Ele da morena da livraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ai, Cristo”...Ele ouviu meu pensamento de novo! Ou será que eu é que falei alto e nem percebi? “Ninguém”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu ouvi perfeitamente você falando de uma morena linda e culta que ficaria bem ao lado da jornalista” Ai, aquela voz me matava. Melodiosa e ao mesmo tempo firme e cortante como uma lâmina. Mas eu tenho que ser firme!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A-HA! Não falei nada de jornalista!” Ou será que falei? Já não tenho certeza! Como eu posso ser tão burro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas o que importa se falou ou não? Eu sei. Eu sei de tudo, seu idiota! Você esqueceu que eu te conheço melhor que você mesmo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, não... Não posso deixar que Ele domine a conversa. Tenho que falar alguma coisa... “Eu vim dizer...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dizer o quê, seu lixo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não fala assim comigo! Eu sempre fiz tudo o que você mandou!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Agora sim é o meu amigo de sempre... Aquele que faz T-U-D-O o que eu mando... Você sabe que é especial para mim, não sabe? Você sabe que me ama e que eu te amo, não sabe?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não é disto que eu vim falar! Eu vou embora!” Ah, não... Os olhos dEle estão ficando vermelhos... Aquela sombra está novamente cobrindo o rosto dEle... Ah, não... Ele está entrando no quarto... Tenho que correr! De novo não!... Mas minhas pernas estão presas no chão...Não consigo movê-las! Tenho que ir... Tenho que fugir!! Mas estas pernas desgraçadas não me obedecem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você sabe que eu não gosto que você seja malcriado, não é?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, quando Ele começa a falar assim eu sinto aquele líquido quente descendo do meio das minhas pernas. “Não, claro que não é mijo! Só um covarde mijaria assim!” “O que é, então? É isto que você está me perguntando? Não te interessa”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você sabe que eu não gosto que você seja malcriado, não é? Meninos malcriados têm que receber o castigo, você sabe?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a próxima coisa que eu ouvi foi o barulho do couro rasgando as minhas costas e um grito de dor. Mas este grito não era meu. Na verdade eu nem sei o que estava acontecendo ali.&lt;br /&gt;A próxima coisa de que me lembro era de um restaurante, música romântica, uma linda loira: parecia um anjo. Um pó na bebida – muito leve só para atordoar porque Ele gostava que elas estivessem bem atentas na hora da purificação. O carro, a estrada, a porteira, a casa, a porta e Ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maravilhoso era Ele – meu pai, meu irmão, meu amigo, meu Deus. Vestido com sua roupa branca alvíssima e sua capa negra e vermelha um sorriso nos lábios e uma adaga-ritual nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem adentra meus domínios?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um pobre servo que te traz um tributo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pão e vinho?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, puro pão e puríssimo vinho”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritos! Gritos! Ah, não consigo dormir! Por que Ele me obriga a isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas eu não posso mais... Por que, meu Deus? Por quê?” Era quase tudo o que as árvores do bosque negro e denso podiam ouvir – É... As árvores têm ouvidos sabe? Principalmente os Salgueiros e os Carvalhos como aqueles que a mãe da minha bisavó tinha trazido da Sagrada Bretanha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disto, havia também o choro convulso de um belo rapaz sobre um pequeno túmulo no meio das velhas árvores onde se podia ler sobre a pedra: “Aqui dorme J. S. C., filho de A.S.C., herdeiro legítimo da Adaga, irmão gêmeo de P.S.C. que ainda vive e muito viverá para servir e obedecer e cumprir”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Está feito: mais um rosto para pendurar na sala... O lugar vago perto da jornalista logo será ocupado também. Só para Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ou seria para mim?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-3726881054909941780?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/3726881054909941780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=3726881054909941780&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3726881054909941780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/3726881054909941780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/ele.html' title='Conto: Ele'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-2827770148506403336</id><published>2009-06-09T10:24:00.000-03:00</published><updated>2009-06-09T11:22:45.511-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Artigo: O Corvo e seu tradutor (in)visível</title><content type='html'>&lt;em&gt; Coluna Prosa e Literatura, parte integrante do jornal &lt;b&gt;"Conhece-te a Ti Mesmo"&lt;/b&gt;. Publicada na edição 99/2009&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta coluna sobre literatura objetivar-se-á comentar livros, contos, poesias – sejam estes de autores conhecidos do grande público ou não, permeando vários movimentos literários sem restringir-se especificamente a este ou aquele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O foco, pois, é explicitado no título desta coluna: Prosa e Literatura. Aqui, tratar-se-á a Literatura como se deve e da maneira como ela primeiro surgiu: como uma prosa – que tanto pode ser sinônimo de conversa amigável, ou uma das maneiras de se escrever – aquela diferente da poesia, ou seja, romance, conto ou novela. Afinal, não se deve esquecer que a ficção surgiu da oralidade, primeiramente, até evoluir para a escrita e os livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, para que nossa prosa inicie-se bem interessante, falaremos sobre Edgar Allan Poe, escritor americano romântico/gótico do século XIX, que certamente produziu muitos assuntos para ótimas conversas. Ele é tido como um dos iniciadores da literatura de investigação e em sua obra ultrarromântica via-se a presença do oculto, do inexplicável. Ele explorou ainda muito bem o que há de pior na alma humana: egoísmo, sadismo, vingança. Para os amantes do gótico como eu, é um autor de cabeceira cuja obra se revisita de tempos em tempos. Uma de suas poesias de minha predileção é The Raven (1845) - no português O Corvo - tema deste artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poe era estadunidense, sendo assim, para aqueles não falantes da língua inglesa seria impossível deleitarem-se com a leitura de sua obra. É aqui que entra o papel do tradutor, que, quando é realmente bom, aos olhos leigos, passa-se por invisível. Convém ressaltar, entretanto, que, segundo estudiosos, quanto mais “visível” o tradutor – mostrando-se atuante e hábil, melhor será sua tradução já que ele conseguirá transformar o texto original de forma a que este seja lido e compreendido por outra cultura, em outro idioma. Esta naturalidade é o que faz uma boa tradução. (Alvamar Lamparelli, 2007). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas traduções muito conhecidas de The Raven – uma feita por Machado de Assis e outra feita por Fernando Pessoa, ambas intituladas O Corvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia trata de um homem atormentado pela perda de sua amada Lenore. Em uma noite, enquanto lê sobre artes esquecidas, um corvo invade sua casa e repete apenas “Nunca Mais” como resposta a todas as indagações feitas a ele por seu interlocutor sobre sua amada morta. O corvo pousa sobre o busto de Pallas (traduzido por Atena), a deusa da sabedoria. Veem-se óbvios elementos góticos no texto como a temática da morte e a alma amargurada pela perda do ser amado e também pela falta de esclarecimento quanto à pós-morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, apesar da preservação da temática nas traduções mencionadas, ao cotejarem-se as duas com o original vê-se que os resultados finais diferem muito – ao passo que a de Machado é Machadiana; a de Pessoa parece-se mais com o que o autor, no caso Poe, escreveria se pudesse fazê-lo segundo a “última flor do Lácio”, inclusive estruturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplifica-se: no poema de Poe, em cada verso, veem-se oito pares de sílaba tônica-sílaba átona, o chamado troqueu de oito pés (a métrica da poesia na língua inglesa leva em consideração a tonicidade das sílabas). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua tradução, Machado utilizou-se de octossílabos (versos de oito sílabas poéticas, à maneira da contagem normalmente usada em línguas latinas – nas quais se considera a velocidade da enunciação das sílabas e não sua tonicidade). Já Pessoa compôs seu texto usando os mesmos versos troqueus de Poe. Ainda, a rima na poesia do americano faz-se por combinação ABCBBB – a mesma utilizada pelo escritor português. Já o brasileiro optou por uma combinação AABBCCDEDE – o que indica que ele modificou a disposição dos versos e a quantidade dos mesmos nas estrofes. Em acréscimo, Pessoa procura repetir palavras nos mesmos lugares em que Poe repetiu: enquanto o americano repete “door” o português repete “umbrais”, por exemplo. As aliterações também foram cautelosamente alocadas por Pessoa de forma que ele, de maneira habilidosa, manteve ritmo, métrica e esquema de rimas do poema original conseguindo a almejada naturalidade na língua portuguesa. Estruturalmente, portanto, as duas traduções, apesar da temática, são absolutamente díspares e apenas a de Pessoa mantém a forma desenvolvida por Poe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, observa-se que, mesmo quando se comparam dois mestres da língua portuguesa, um deles produziu melhor resultado em se tratando da tradução desta poesia específica. Isto demonstra como se deve ser cauteloso ao escolher não apenas o autor de uma obra estrangeira, mas também o tradutor desta obra. A influência do tradutor com sua (in)visibilidade é determinante para o bom resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, se você decidir prosear com Edgar Allan Poe e sua atmosfera gótica, escolha traduções que realmente sejam capazes de apresentá-lo o mundo obscuro, doentio, maquiavélico e complexo deste autor, com todas as suas cores – e prepare-se para mergulhar na penumbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Se desejar algum esclarecimento maior sobre esta prosa, não deixe de me contatar por e-mail.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-2827770148506403336?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/2827770148506403336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=2827770148506403336&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2827770148506403336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/2827770148506403336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/o-corvo-e-seu-tradutor-invisivel.html' title='Artigo: &lt;em&gt;O Corvo&lt;/em&gt; e seu tradutor (in)visível'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2968191410938671642.post-8375000417075008081</id><published>2009-06-08T14:47:00.000-03:00</published><updated>2009-06-09T10:50:51.156-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Crônica: Meus problemas são maiores</title><content type='html'>Andando pelas ruas de qualquer cidade de médio ou grande porte é impossível que não se notem quantas pessoas cometem pequenos ou grandes atos de falta de educação. Por tais atos, não me refiro ao fato de que as ditas palavrinhas mágicas, como “por favor” e “obrigado”, estejam em franca extinção – o que já é ruim o bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, refiro-me a outros atos mal-educados como: estacionar em fila dupla, estacionar em local proibido, fechar o trânsito, jogar o carro sobre pedestres que atravessam sobre a faixa, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me importa se outros querem passar, ou se o pedestre tem a preferência sobre a faixa? – parece ser o pensamento geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um causo exemplifica bem o que digo: certo dia, ao atravessar um cruzamento que dava em uma ponte estreita, tive que jogar o carro para a direita para aguardar um ônibus que atravessava a dita ponte. Parei logo atrás de outro carro, de forma a não fechar o cruzamento. Um amigo do motorista chegou à janela para cumprimentá-lo – e o coletivo atravessando. Quando o mesmo seguiu seu caminho, qual não foi minha surpresa ao ver que o motorista em frente ao meu carro permaneceu, calmamente conversando com seu amigo – enquanto eu era obrigada a ficar parada aguardando. Ao dar marcha ré para conseguir sair dei um toque de atenção na buzina. Ao fazer isto, fui brindada com um olhar por parte do motorista que dizia claramente: que mulher sem paciência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam, pois, a minha falta de propriedade: a mal-educada sou eu que preciso seguir meu caminho e não quem para o carro para bater papo impedindo o trânsito. É claro que, segundo o ponto de vista do motorista empacado, a questão que ele tinha para debater com seu amigo, o “problema” dele, era maior que o meu. Eu e meus compromissos que aguardássemos sua licença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal acontecimento que, infelizmente, não é uma exceção segundo pude continuar a observar, me levou a refletir sobre o que levaria adultos a agirem de forma tão irrefletida – com pouco caso ou total ignorância – quando estão claramente errados. A conclusão a que pude chegar é que a doença da qual mais padecemos não é o estresse – é sim, a falta de empatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empatia é aquele sentimento que possibilita que você jamais faça a alguém algo que você não gostaria de sofrer, já que você consegue se imaginar no lugar do outro sofrendo as conseqüências de seus próprios atos. Em vez de empatia, o homem e a mulher modernos desenvolveram um novo sentimento ainda sem nome: uma aberração em nível de inferência e compreensão de mundo que dá a certeza inegável de que o seu problema e as suas necessidades são maiores do que o de qualquer outra pessoa – ou seja, não importa a situação, você estará sempre certo, já que jamais conseguirá se ver no lugar da outra pessoa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quê estacionar o carro para conversar o meu assunto importante? – Quem vem atrás que espere, oras! Para quê sinalizar corretamente minhas intenções no trânsito se o que farei é óbvio? Para quê procurar uma vaga se eu vou apenas pegar meu filho na escola? Quem vier atrás pode esperar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o ser humano moderno imaginar que quem está atrás possui compromissos e horários a cumprir, ou que não possui telepatia para adivinhar o pensamento e intenções alheias, ou que não possui filho nenhum para ficar preso em fila dupla na porta de uma escola, é muito: é um exercício hercúleo para quem possui “problemas” tão importantes a serem resolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, na visão do &lt;em&gt;homo sapiens&lt;/em&gt; tornou-se sábio entender que empatia é para ser usada quando assisto àquele filme bem triste e me debulho em lágrimas, ou quando me condôo com as criancinhas famintas na África ou no nordeste. Nestas situações, eu compreendo a penúria ou dor – as quais esqueço tão rapidamente quanto o desligar do monitor assim que eu aperto o botão. Mas quando a questão é aplicar a empatia no meu dia-a-dia, meus problemas são os que, de fato, contam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta atitude é a equivalente a falar acaloradamente contra os corruptos em Brasília e, ao mesmo tempo, oferecer uma cervejinha para o guarda “esquecer” a multa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pecado, a corrupção e falta de bons modos estão no outro: o inferno é o outro – já dizia alguém. Quanto a mim, tudo posso, já que meus problemas são maiores que os de qualquer outra pessoa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2968191410938671642-8375000417075008081?l=vozemais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vozemais.blogspot.com/feeds/8375000417075008081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2968191410938671642&amp;postID=8375000417075008081&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8375000417075008081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2968191410938671642/posts/default/8375000417075008081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vozemais.blogspot.com/2009/06/meus-problemas-sao-maiores.html' title='Crônica: Meus problemas são maiores'/><author><name>Érica Araújo Castro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01419631003677967426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-zw8_M-7x6kY/TrAxmpmlfyI/AAAAAAAAAB4/eHJoMJ-v360/s220/Rising%2B2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
